{"id":51,"date":"2013-04-25T22:37:00","date_gmt":"2013-04-26T01:37:00","guid":{"rendered":"http:\/\/letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=51"},"modified":"2017-08-13T01:25:22","modified_gmt":"2017-08-13T04:25:22","slug":"traducao-o-explosivo-de-baumoff-william-hope-hodgson","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2013\/04\/traducao-o-explosivo-de-baumoff-william-hope-hodgson\/","title":{"rendered":"[Tradu\u00e7\u00e3o] O Explosivo de Baumoff (William Hope Hodgson)"},"content":{"rendered":"<div class=\"epigraph\" style=\"padding-bottom: 1em\">Este \u00e9 um conto de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e horror escrito por Hodgson em 1915, ap\u00f3s ter sido ferido pela primeira vez na Primeira Guerra Mundial, enquanto convalescia. William Hope Hodgson foi um pioneiro da fic\u00e7\u00e3o fant\u00e1stica moderna, tendo escrito algumas obras influentes do g\u00eanero, como &#8220;A Casa no Limiar&#8221; e &#8220;Terra Noturna&#8221;.<\/div>\n<p>*Dally, Whitlaw e eu discut\u00edamos a estupenda explos\u00e3o que recentemente ocorrera nas cercanias de Berlim. Nos maravilh\u00e1vamos com o extraordin\u00e1rio per\u00edodo de escurid\u00e3o que se seguira, e que dera curso a tanto coment\u00e1rio nos jornais, com teorias a rodo.*<\/p>\n<p>*Os jornais tinham tomado conhecimento do fato de que as autoridades de guerra estariam experimentando um novo explosivo, inventado por certo qu\u00edmico chamado Baumoff, e se referiam a ele constantemente como &#8220;O Novo Explosivo de Baumoff&#8221;.*<\/p>\n<p>*Est\u00e1vamos no Clube e o quarto em nossa mesa era John Stafford, que era m\u00e9dico de profiss\u00e3o, mas tamb\u00e9m, secretamente, do Departamento de Intelig\u00eancia. Uma vez ou outra, enquanto convers\u00e1vamos, eu olhara para o Stafford, desejando atirar-lhe uma pergunta, pois ele conhecera Baumoff. Mas conseguira segurar a minha l\u00edngua porque sabia que, se lhe perguntasse \u00e0 queima-roupa, Stafford (que \u00e9 um tipo agrad\u00e1vel, mas um tanto teimoso em rela\u00e7\u00e3o ao seu r\u00edgido c\u00f3digo de sil\u00eancio) provavelmente nada diria que era um assunto sobre o qual n\u00e3o estava autorizado a falar.*<\/p>\n<p>*Oh, eu conhe\u00e7o os modos do velho burro e sei que, uma vez que ele dissesse isso, poder\u00edamos nos conformar em nunca obter dele nenhuma outra palavra sobre o assunto enquanto viv\u00eassemos. Mas eu me excitei ao notar que ele parecia um tanto inquieto, como a se co\u00e7ar de vontade de meter sua colher de pau na conversa,[^1] com o que supus que os jornais est\u00e1vamos citando tinham entendido as coisas de uma forma muito confusa mesmo, de um jeito ou outro, pelo menos em rela\u00e7\u00e3o ao seu amigo Baumoff. De repente, ele falou:*<\/p>\n<p>Que bobagem indesculp\u00e1vel e maliciosa! Digo-lhes que \u00e9 maliciosa esta associa\u00e7\u00e3o do nome de Baumoff com inven\u00e7\u00f5es de guerra e tais horrores. Ele era o mais sincero e poeticamente intenso dos seguidores de Cristo que eu jamais conheci, e \u00e9 somente por uma brutal ironia das circunst\u00e2ncias que ele tentou usar um das cria\u00e7\u00f5es de seu g\u00eanio para um prop\u00f3sito de destrui\u00e7\u00e3o. Mas voc\u00eas notar\u00e3o que eles n\u00e3o poder\u00e3o us\u00e1-la, apesar de terem obtido a f\u00f3rmula de Baumoff. Como explosivo ela n\u00e3o \u00e9 pr\u00e1tica. Ela \u00e9, como poderia dizer, muito imparcial. N\u00e3o h\u00e1 como control\u00e1-la.<\/p>\n<p>Sei mais sobre isso do que, talvez, qualquer outro homem vivo, porque eu era o maior dos amigos de Baumoff e quando ele morreu eu perdi o melhor camarada que um homem jamais teve. N\u00e3o preciso fazer segredo disso para voc\u00eas, caras. Eu estava &#8220;em miss\u00e3o&#8221; em Berlim, e estava designado para me encontrar com Baumoff. O governo tinha um olho nele havia bastante tempo, ele era um qu\u00edmico experimental, voc\u00eas sabem, e inteligente demais, afinal, para se ignorar. Mas n\u00e3o havia motivo para preocupa\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a ele. Eu o conhecei e nos tornamos enormes amigos, porque logo descobre que *ele* nunca voltaria suas habilidades para nenhuma inven\u00e7\u00e3o de guerra e ent\u00e3o, vejam bem, eu pude ser amigo dele com uma consci\u00eancia tranquila &#8212;  algo que nossos rapazes nem sempre podem fazer com suas amizades. Oh, eu lhes digo, o nosso ramo \u00e9 um neg\u00f3cio furtivo, mesquinho, trai\u00e7oeiro; embora seja necess\u00e1rio, tal como algum homem deve se tornar um carrasco. H\u00e1 uma quantidade de servi\u00e7os impuros que precisam ser feitos para manter as engrenagens da sociedade girando!<\/p>\n<p>Eu acho que Baumoff era o mais entusiasmado dentre os crentes *inteligentes* em Cristo que jamais se poder\u00e1 produzir. Soube que ele estava compilando e desenvolvendo um tratado das provas mais extraordin\u00e1rias e convincentes provas para defender as coisas mais inexplic\u00e1veis sobre a vida e a morte de Cristo. Ele estava, quando o conheci, concentrando sua aten\u00e7\u00e3o particularmente na busca de demonstrar que a Escurid\u00e3o da Cruz, entre a sexta e a nona horas, fora uma coisa muito real, possuidora de um significado tremendo. Ele pretendia esmagar de uma vez s\u00f3 todas as hip\u00f3teses de tempestades providenciais ou qualquer das v\u00e1rias outras teorias mais ou menos ineficientes que t\u00eam sido aventadas de tempo em tempo para explicar a ocorr\u00eancia como sendo algo sem qualquer significado espec\u00edfico.<\/p>\n<p>Baumoff tinha uma avers\u00e3o especial por um Professor de F\u00edsica ateu chamado Hautch que, empregando o elemento \u2018maravilhoso\u2019 da vida e da morte de Cristo como fulcro para atacar as teorias de Baumoff, o agredia constantemente, tanto em suas aulas quanto na imprensa. Ele particulamente exalava amarga descren\u00e7a sobre a defesa de Baumoff de que a Escurid\u00e3o da Cruz fora qualquer coisa que n\u00e3o uma hora ou duas de tempo mais escuro, exagerado como trevas pela inexatid\u00e3o emocional da mentalidade e da l\u00edngua orientais.<\/p>\n<p>Uma noite, algum tempo depois que nossa amizade j\u00e1 se tornara bem real, fui at\u00e9 a casa de Baumoff e o encontrei em um estado de tremenda indigna\u00e7\u00e3o sobre certo artigo do Professor que lhe atacava brutalmente, usando sua teoria do *Significado* da &#8220;Escurid\u00e3o&#8221; como um alvo. Pobre Baumoff! Era certamente um ataque maravilhosamente h\u00e1bil, o ataque de um l\u00f3gico rigorosamente treinado e bem equilibrado. Mas Baumoff era algo mais, ele era um G\u00eanio. \u00c9 um t\u00edtulo ao qual poucos tem direito, mas ele tinha!<\/p>\n<p>Ele me contou sobre sua teoria, dizendo que pretendia, ent\u00e3o, me mostrar um pequeno experimento para provar suas opini\u00f5es. Em sua fala ele mencionara v\u00e1rias coisas que me haviam interessado extremamente. Tendo primeiro me lembrado do fato fundamental de que a luz \u00e9 trazida ao olho atrav\u00e9s do indefin\u00edvel meio chamado \u00c9ter, ele foi em frente e me apontou que, sob um ponto de vista que mais se aproximava ao primordial, a Luz era uma vibra\u00e7\u00e3o do \u00c9ter, de um certo n\u00famero definido de ondas por segundo, que possu\u00eda o poder de produzir sobre nossa retina a sensa\u00e7\u00e3o que n\u00f3s chamamos de Luz.<\/p>\n<p>Concordei com isso, por estar, como todos claramente est\u00e3o, bem familiarizado com tal afirma\u00e7\u00e3o t\u00e3o corriqueira. A partir disso ele deu um salto mental r\u00e1pido e me disse que um escurecimento inefavelmente vago, mas mensur\u00e1vel, poderia ser sempre notado na atmosfera (maior ou menor conforme a for\u00e7a da personalidade do indiv\u00edduo) imediatamente em torno de um ser humano, durante qualquer per\u00edodo de grande tens\u00e3o mental.<\/p>\n<p>Passo a passo, Baumoff me mostrou como sua pesquisa o levara a concluir que esta estranha escurid\u00e3o (milh\u00f5es de vezes mais sutil do que o aparente ao olhar) poderia ser produzida somente por algo que pudesse atrapalhar ou interromper temporariamente ou quebrar a Vibra\u00e7\u00e3o da Luz. Em outras palavras, havia, em qualquer momento de atividade emocional incomum, alguma instabilidade do \u00c9ter na vizinhan\u00e7a imediata da pessoa sofredora, o que tinha algum efeito sobre a Vibra\u00e7\u00e3o da Luz, interrompendo-a e produzindo o vago escurecimento aludido.<\/p>\n<p>&#8212;  Sim? &#8212;  eu lhe disse quando ele fez uma pausa e me olhou, como se esperasse que eu tivesse chegado a alguma dedu\u00e7\u00e3o definitiva atrav\u00e9s de suas observa\u00e7\u00f5es &#8212;  Continue.<\/p>\n<p>&#8212;  Bem &#8212;  ele disse &#8212;  voc\u00ea n\u00e3o compreende? O sutil escurecimento em torno da pessoa que sofre \u00e9 maior ou menor de acordo com a personalidade do sofredor.<\/p>\n<p>&#8212;  Oh &#8212;  eu disse, chocado, em um breve suspiro de compreens\u00e3o. Entendo o que quer dizer. Voc\u00ea\u2026 voc\u00ea quer dizer que, se a agonia de um indiv\u00edduo de personalidade extraordin\u00e1ria pode produzir uma leve perturba\u00e7\u00e3o do \u00c9ter, com um consequente escurecimento, ent\u00e3o a Agonia de Cristo, possuidor da uma Enorme Personalidade do Messias, produziria uma tremenda perturba\u00e7\u00e3o do \u00c9ter e assim, talvez, da Vibra\u00e7\u00e3o da Luz, e que esta \u00e9 a verdadeira explica\u00e7\u00e3o da Escurid\u00e3o da Cruz, e que o fato de ter sido registrada tal extraordin\u00e1ria, improv\u00e1vel e aparentemente sobrenatural Escurid\u00e3o n\u00e3o \u00e9 algo que enfraque\u00e7a a Maravilha do Cristo, mas uma das mais inexprimivelmente maravilhosas e infal\u00edveis provas de Seu poder Divino? \u00c9 isso? Diga!<\/p>\n<p>Baumoff apenas balan\u00e7ou-se na cadeira, deliciado, batendo um punho contra a palma da outra m\u00e3o, o tempo todo acenando positivamente com a cabe\u00e7a. Como ele *amava* ser compreendido, como o Pesquisador sempre deseja ser compreendido.<\/p>\n<p>&#8212;  E agora &#8212;  ele disse &#8212;  vou lhe mostrar algo.<\/p>\n<p>Ele pegou de seu bolso um pequeno tubo de ensaio arrolhado e esvaziou no prato de sobremesa o conte\u00fado (que consistia de um \u00fanico gr\u00e3o cinza esbranqui\u00e7ado, mais ou menos do tamanho de duas cabe\u00e7as de alfinete). Ele o esmagou cuidadosamente com o cabo de marfim de uma faca, reduzindo-o a um p\u00f3 muito fino, e ent\u00e3o o umedeceu com uma gota s\u00f3 do que supus ser \u00e1gua, manipulando at\u00e9 obter uma pequena mancha pastosa cinzenta-esbranqui\u00e7ada. Ele ent\u00e3o pegou o palitador de dentes dourado e perfurou com ele a chama de uma pequena l\u00e2mpada de laborat\u00f3rio que mantivera acesa durante o jantar, para acender o cachimbo. Manteve o palitador de dentes na chama at\u00e9 que a estreita l\u00e2mina de ouro brilhou de t\u00e3o quente.<\/p>\n<p>&#8212;  Agora veja &#8212;  ele disse, e encostou a ponta do palitador de dentes na mancha infinitesimal que estava no pratinho de sobremesa. Houve um r\u00e1pido e pequeno espocar de luz violeta e eu logo percebi que via Baumoff atrav\u00e9s de uma esp\u00e9cie de escurid\u00e3o transparente, que se desfez instantaneamente em um negrume opaco. A princ\u00edpio, pensei que tivesse sido o efeito complementar da luz forte sobre a retina, mas um minuto depois ainda est\u00e1vamos naquela escurid\u00e3o extraordin\u00e1ria.<\/p>\n<p>&#8212;  Meu caro! O que \u00e9 isso? &#8212;  perguntei, por fim.<\/p>\n<p>Sua voz ent\u00e3o explicou que ele produzira, por meio da qu\u00edmica, um efeito exagerado que simulava, at\u00e9 um certo ponto, a perturba\u00e7\u00e3o do \u00c9ter causada pelas ondas dispersas por uma pessoa durante uma agonia ou crise emocional. As ondas, ou vibra\u00e7\u00f5es, causadas pelo seu experimento produziam apenas uma simula\u00e7\u00e3o parcial do efeito que ele desejava me mostrar, meramente uma interrup\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria da Vibra\u00e7\u00e3o da Luz, resultando na escurid\u00e3o na qual ambos nos encontr\u00e1vamos.<\/p>\n<p>&#8212;  Essa subst\u00e2ncia &#8212;  disse Baumoff &#8212;  poderia ser um explosivo tremendo, sob certas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Eu o ouvi batendo seu cachimbo enquanto falava, mas em vez do brilho da brasa, vis\u00edvel e vermelho, havia apenas uma cintila\u00e7\u00e3o leve que tremia e desaparecia do modo mais extraordin\u00e1rio.<\/p>\n<p>&#8212;  Meu Deus! &#8212;  disse &#8212;  Quando isso vai passar?<\/p>\n<p>E olhei pelo c\u00f4modo, vendo a grande l\u00e2mpada de querosene aparecer somente como uma distante mancha cintilando no escuro, uma luz vaga que tremia e brilhava irregularmente, como se eu a visse atrav\u00e9s das imensas profundezas tenebrosas de um mar revolto e escuro.<\/p>\n<p>&#8212;  Est\u00e1 tudo bem, &#8212;  a voz de Baumoff disse atrav\u00e9s da escurid\u00e3o &#8212;  j\u00e1 est\u00e1 acabando agora. Em cinco minutos a perturba\u00e7\u00e3o ter\u00e1 se aquietado e as ondas de luz v\u00e3o se propagar regularmente a partir da l\u00e2mpada, do jeito que normalmente fazem. Mas enquanto esperamos, \u00e9 imensa, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p>&#8212;  \u00c9, \u00e9 maravilhosa, mas um tanto sobrenatural, voc\u00ea sabe.<\/p>\n<p>&#8212;  Oh, mas eu tenho algo muito mais bonito para lhe mostrar. A coisa verdadeira. Espere mais um minuto. A escurid\u00e3o est\u00e1 passando. Olha! Voc\u00ea agora pode ver a luz da l\u00e2mpada quase claramente. Parece que fomos submersos em uma bacia de \u00e1gua, n\u00e3o \u00e9? \u00c1guas que est\u00e3o ficando mais claras e quietas o temop todo.<\/p>\n<p>Era como ele dizia, e ficamos olhando para a l\u00e2mpada em sil\u00eancio, at\u00e9 que todos os sinais da perturba\u00e7\u00e3o do meio propagador da luz haviam cessado. Ent\u00e3o Baumoff se dirigiu a mim mais uma vez.<\/p>\n<p>&#8212;  Ent\u00e3o. Voc\u00ea viu os efeitos quase inofensivos da simples combust\u00e3o da minha subst\u00e2ncia. Vou lhe mostrar os efeitos de sua combust\u00e3o na fornalha humana, ou seja, em meu corpo, e ent\u00e3o voc\u00ea ver\u00e1 uma das grandes maravilhas da morte de Cristo reproduzida em escala miniatura.<\/p>\n<p>Ele foi at\u00e9 a prateleira e retornou com uma pequena proveta de 120ml e outro dos tubos de ensaio arrolhados contendo um gr\u00e3o de sua subst\u00e2ncia qu\u00edmica. Ele desarrolhou o tubo de ensaio e derramou o gr\u00e3o dentro da proveta e ent\u00e3o, com uma vareta de vidro, esmagou-o contra o vidro, adicionando \u00e1gua, gota a gota, at\u00e9 a proveta estar exatamente pela metade.<\/p>\n<p>&#8212;  Agora &#8212;  ele disse, erguendo-a e bebendo a subst\u00e2ncia &#8212;  vamos dar-lhe trinta e cinco minutos. Ent\u00e3o, \u00e0 medida que a carboniza\u00e7\u00e3o ocorrer, voc\u00ea notar\u00e1 que meu pulso acelerar\u00e1, bem como a respira\u00e7\u00e3o, e ent\u00e3o sobrevir\u00e1 a escurid\u00e3o outra vez, da maneira mais sutil e estranha, s\u00f3 que acompanhada nesse momento por certos fen\u00f4menos f\u00edsicos e ps\u00edquicos, todos devidos ao fato de que as vibra\u00e7\u00f5es que produzir\u00e1 se mesclar\u00e3o ao que eu deveria chamar de vibra\u00e7\u00f5es emocionais que produzirei em minha excita\u00e7\u00e3o. Estas ser\u00e3o enormemente intensificadas e voc\u00ea talvez experimente uma demonstra\u00e7\u00e3o extraordinariamente interessante da validade de minhas especula\u00e7\u00f5es mais te\u00f3ricas. Eu testei sozinho na semana passada (ele me mostrou um curativo no dedo) e li um relat\u00f3rio dos resultados n Clube. Eles est\u00e3o muito entusiasmados e prometeram sua coopera\u00e7\u00e3o na grande demonstra\u00e7\u00e3o que eu pretendo dar na pr\u00f3xima Sexta-feira Santa, em sete semanas.<\/p>\n<p>Ele parara de fumar, mas continuou a falar calmamente pelos trinta e cinco minutos seguintes. O Clube ao qual se referira era uma peculiar associa\u00e7\u00e3o de homens, reunida sob a presid\u00eancia do pr\u00f3prio Baumoff, e tendo por designa\u00e7\u00e3o o t\u00edtulo de &#8212;  t\u00e3o bem quanto posso traduzir &#8212;  *Os Crentes e Experimentadores de Cristo.* Se posso dizer assim, sem qualquer pensamento de irrever\u00eancia, eram muitos deles homens loucamente fanatizados pela defesa do Cristo. Creio que voc\u00eas concordar\u00e3o depois que n\u00e3o fiz uso de um termo incorreto para descrever o grosso dos membros de tal extraordin\u00e1rio clube, que era, a seu modo, bem digno das excresc\u00eancias man\u00edaco religiosas que foram temporariamente impostas por certos primos nossos de al\u00e9m mar que s\u00e3o mais religiosamente inclinados.[^2]<\/p>\n<p>Baumoff olhou para o rel\u00f3gio de parede e ent\u00e3o me estendeu seu bra\u00e7o.<\/p>\n<p>&#8212;  Tome o meu pulso. Est\u00e1 aumentando r\u00e1pido. Dado interessante, voc\u00ea sabe.<\/p>\n<p>Concordei e tomei meu rel\u00f3gio de bolso. Eu notara que as suas respira\u00e7\u00f5es estavam mais r\u00e1pidas e descobri seu pulso batendo, regular e forte, 105 vezes por minuto. Tr\u00eas minutos depois ele aumentara para 175 e suas respira\u00e7\u00f5es para 41. Mais tr\u00eas minutos e eu tomei seu pulso, encontrando-o a 203, mas com o ritmo regular. Suas respira\u00e7\u00f5es estavam em 49 naquele momento. Ele tinha, como eu sabia, pulm\u00f5es excelentes e um cora\u00e7\u00e3o forte. Seus pulm\u00f5es, devo dizer, eram de uma capacidade excepcional, e n\u00e3o havia, mesmo naquele est\u00e1gio, nenhuma dispneia vis\u00edvel. Tr\u00eas minutos depois eu medi seu pulso em 227 e sua respira\u00e7\u00e3o em 54.<\/p>\n<p>&#8212;  Voc\u00ea tem muitos gl\u00f3bulos vermelhos, Baumoff. Mas espero que n\u00e3o esteja exagerando com isso.<\/p>\n<p>Ele acenou-me com a cabe\u00e7a e sorriu, mas nada disse. Tr\u00eas minutos depois, quando tomei o pulso pela \u00faltima vez, estava em 233 e os dois lados do cora\u00e7\u00e3o estavam enviando quantidades diferentes de sangue, a um ritmo irregular. A respira\u00e7\u00e3o tinha aumentado para 67 e estava come\u00e7ando a ficar breve e ineficaz, a dispneia estava se tornando muito marcante. A pequena quantidade de sangue deixando o lado esquerdo do cora\u00e7\u00e3o era tra\u00edda pela curiosa colora\u00e7\u00e3o azulada e p\u00e1lida de sua face.<\/p>\n<p>&#8212;  Baumoff! &#8212;  eu gritei e comecei a me queixar, mas ele me fez calar com um gesto estranhamente invenc\u00edvel.<\/p>\n<p>&#8212;  Est\u00e1 tudo bem. &#8212;  ele disse, ofegante, com um certo tom de impaci\u00eancia &#8212;  Sei o que estou fazendo o tempo todo. Voc\u00ea deve se lembrar de que obtive a mesma gradua\u00e7\u00e3o que voc\u00ea em medicina.<\/p>\n<p>Era mesmo verdade. Eu me lembrei ent\u00e3o de que ele obtivera seu diploma em Londres, e este fora somente uma adi\u00e7\u00e3o a meia d\u00fazia de outros, em diferentes ramos das ci\u00eancias, em seu pr\u00f3prio pa\u00eds. E ent\u00e3o, enquanto a mem\u00f3ria me assegurava que ele n\u00e3o estava agindo na ignor\u00e2ncia de um poss\u00edvel perigo, ele gritou, em uma voz curiosa e sem f\u00f4lego:<\/p>\n<p>&#8212;  A Escurid\u00e3o! Est\u00e1 come\u00e7ando. Anote cada pequeno detalhe. N\u00e3o se importe comigo. Estou bem!<\/p>\n<p>Olhei em torno. Era como ele dissera, eu percebi ent\u00e3o. Parecia haver uma treva de qualidade extraordin\u00e1ria que se impunha na sala. Um tipo de treva azulada, vaga e que ainda mal afetava a transpar\u00eancia da atmosfera \u00e0 luz.<\/p>\n<p>Repentinamente Baumoff fez algo que me nauseou bastante. Ele estendeu seu punho para longe de mim e buscou uma pequena caia de metal, dessas usadas para esterilizar uma hipod\u00e9rmica. Abriu a caixa e retirou dela quatro percevejos de apar\u00eancia curiosa, como eu os poderia chamar, s\u00f3 que tinham pontas de a\u00e7o de dois cent\u00edmetros e meio de comprimento, e em torno das cabe\u00e7as, que tamb\u00e9m eram de metal, projetavam-se um n\u00famero de outras pontas mais curtas, paralelas \u00e0 ponta central, estas com tr\u00eas mil\u00edmetros de comprimento.<\/p>\n<p>Ele chutou para longe suas sapatilhas, depois se inclinou e tirou as meias. Ent\u00e3o eu vi que estava tamb\u00e9m cal\u00e7ando por baixo um par de meias de linho.<\/p>\n<p>&#8212;  Antiss\u00e9pticas! &#8212;  ele diss, olhando para mim &#8212;  Preparei meus p\u00e9s antes de voc\u00ea chegar. N\u00e3o h\u00e1 motivo para correr riscos desnecess\u00e1rios. &#8212;  Ele ofegou ao falar. Ent\u00e3o ele pegou um dos curiosos percevejos. &#8212;  Eu os esterilizei &#8212;  disse, e ent\u00e3o, deliberadamente, ele o pressionou at\u00e9 entrar completamente no seu p\u00e9 entre o segundo e terceiro ramos da art\u00e9ria dorsal.<\/p>\n<p>&#8212;  Em nome de Deus, que est\u00e1 fazendo!? &#8212;  Gritei, levantando-me da cadeira.<\/p>\n<p>&#8212;  Sente-se! &#8212;  ele disse, em um tipo de voz sombria &#8212;  N\u00e3o posso sofrer nenhuma interfer\u00eancia. Quero que voc\u00ea simplesmente observe e tome nota de *tudo.* Voc\u00ea deve me agradecer pela oportunidade, em vez de me preocupar, sabendo que devo fazer do meu jeito o tempo todo.<\/p>\n<p>Enquanto falava, ele pressionara o segundo dos percevejos de a\u00e7o at\u00e9 a cabe\u00e7a atrav\u00e9s de seu p\u00e9 esquerdo, tomando as mesmas precau\u00e7\u00f5es para evitar as art\u00e9rias. Nenhum gemido eu ouvira dele, apenas sua face tra\u00eda o efeito desse sofrimento adicional.<\/p>\n<p>&#8212;  Meu caro amigo! &#8212;  ele disse, observando meu desconforto &#8212;  Seja sensato. Eu sei exatamente o que estou fazendo. Simplesmente *deve haver sofrimento,* e o meio mais f\u00e1cil para chegar a tal condi\u00e7\u00e3o \u00e9 atrav\u00e9s da dor f\u00edsica.<\/p>\n<p>Sua fala se tornara uma s\u00e9rie de palavras espasm\u00f3dicas, entre suspiros, e o suor se condensara em grandes e claras gotas sobre seus l\u00e1bios e em sua testa. Ele tirou o cinto e o abotoou em torno do peito, passando pelo encosto da cadeira, como se esperasse precisar de apoio para n\u00e3o cair.<\/p>\n<p>&#8212;  Isso \u00e9 cruel! &#8212;  Eu disse. Baumoff tentou sacudir os ombros vergados, o que foi, de certo modo, uma das coisas mais penosas que eu j\u00e1 vi, por deixar a nu a agonia que o homem estava tentando fazer parecer pequena.<\/p>\n<p>Ele estava ent\u00e3o limpando as palmas de suas m\u00e3os com uma pequena esponja, que embebia de tempo em tempo em uma tijela de solu\u00e7\u00e3o. Percebi o que estava tentando fazer, e repentinamente ele se agitou, com uma tentativa dolorida de sorrir, uma explica\u00e7\u00e3o para o curativo em seu dedo. Ele deixar o dedo na chama da l\u00e2mpada durante o experimento anterior, mas naquele momento queria simular tanto quanto poss\u00edvel as condi\u00e7\u00f5es reais da grande cena por que tinha tanta obsess\u00e3o. Ele tinha sido t\u00e3o claro comigo que eu deveria esperar experimentar lago muito extraordin\u00e1rio que eu estava consciente de uma sensa\u00e7\u00e3o de nervosismo quase supersticioso.<\/p>\n<p>&#8212;  Gostaria que voc\u00ea n\u00e3o o fizesse, Baumoff &#8212;  disse.<\/p>\n<p>&#8212;  N\u00e3o\u2026 seja\u2026 bobo! &#8212;  ele conseguiu dizer. Mas as \u00faltimas duas palavras foram mais gemidos do que palavras, pois entre cada uma delas ele atravessara os restantes percevejos at\u00e9 a cabe\u00e7a pelas palmas de suas m\u00e3os, entre os tend\u00f5es extensores do segundo e terceiro dedos. Uma gota de sangue se formou na ponta de a\u00e7o. Olhei a face de Baumoff, e ele me encarou de volta com firmeza.<\/p>\n<p>&#8212;  Sem interfer\u00eancia &#8212;  ele conseguiu exprimir &#8212;  N\u00e3o fiz tudo isso por nada. Eu sei\u2026 o que\u2026 estou fazendo. Olha!\u2026 est\u00e1 vindo. Tome nota de\u2026 tudo!<\/p>\n<p>Ele recaiu em sil\u00eancio, exceto pelas suas inspira\u00e7\u00f5es doloridas. Compreendi que devia ceder e comecei a olhar em torno da sala, com uma mescla peculiar de desconforto quase nervoso e a excita\u00e7\u00e3o de uma curiosidade muito real e s\u00f3bria.<\/p>\n<p>&#8212;  Oh &#8212;  disse Baumoff, depois de um momento de sil\u00eancio &#8212;  algo est\u00e1 por acontecer. Posso sentir. Oh, espere\u2026 at\u00e9 eu\u2026 obter minha\u2026 grande demonstra\u00e7\u00e3o. Vou mostrar ao bruto do Hautch.<\/p>\n<p>Eu acenei que sim, mas duvido que ele tenha visto, porque seus olhos pareciam olhar para dentro, com a \u00edris muito relaxada. Olhei em torno da sala outra vez, e era muito vis\u00edvel uma interrup\u00e7\u00e3o ocasional dos raios de luz da l\u00e2mpada, dando um efeito de ir e vir.<\/p>\n<p>A atmosfera da sala estava tamb\u00e9m bastante mais escura e pesada, dando a impress\u00e3o de uma treva iminente. A colora\u00e7\u00e3o azulada estava mais claramente em evid\u00eancia, mas n\u00e3o havia, at\u00e9 ent\u00e3o, nada da opacidade que experiment\u00e1ramos antes, com a simples combust\u00e3o, exceto pelo ocasional e vago oscilar da luz da l\u00e2mpada.<\/p>\n<p>Baumoff come\u00e7ou a falar de novo, soltando suas palavras entre suspiros. <\/p>\n<p>&#8212;  Es\u2026 este meu artif\u00edcio leva a\u2026 dor at\u00e9 o\u2026 o\u2026 lugar certo. A correta associa\u00e7\u00e3o de\u2026 de ideias\u2026 emo\u00e7\u00f5es\u2026 para\u2026 melhores\u2026 resultados. Voc\u00ea me entende? Imitando as coisas\u2026 tanto\u2026 quanto\u2026 poss\u00edvel. Fixando toda a aten\u00e7\u00e3o\u2026 na\u2026 na cena da morte\u2026<\/p>\n<p>Ele suspirou dolorosamente por uns momentos.<\/p>\n<p>&#8212;  Demonstramos a verdade da\u2026 da Escurid\u00e3o, mas\u2026 mas h\u00e1 efeito f\u00edsico a ser\u2026 buscado, atrav\u00e9s\u2026 dos resultados da obten\u00e7\u00e3o de\u2026 condi\u00e7\u00f5es paralelas. Pode haver uma simula\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria da\u2026 da *coisa real.* Tome nota. Tome nota.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, subitamente, em uma explos\u00e3o clara e espasm\u00f3dica:<\/p>\n<p>&#8212;  Meu Deus, Stafford, tome nota de tudo. Algo vai acontecer. Algo\u2026 maravilhoso\u2026 Prometa que n\u00e3o vai me atrapalhar. Eu sei\u2026 o que estou fazendo.<\/p>\n<p>Baumoff parou de falar em um engasgo, e ficou apenas o esfor\u00e7o de sua respira\u00e7\u00e3o na quietude da sala. Enquanto eu o olhava, refreando uma d\u00fazia de coisas que deveria dizer, percebi subitamente que n\u00e3o podia mais v\u00ea-lo muito claramente, uma esp\u00e9cie de ondula\u00e7\u00e3o da atmosfera entre n\u00f3s o fazia parecer momentaneamente irreal. Todo o c\u00f4modo tinha escurecido perceptivelmente nos trinta segundos anteriores e, enquanto olhava em torno, notei que havia um rodopiar constante e quase invis\u00edvel nas trevas azuladas e extraordin\u00e1rias que cresciam rapidamente e pareciam permear a tudo. Quando olhei para a l\u00e2mpada, raios alternados de luz e escurid\u00e3o se seguiam com fant\u00e1stica rapidez.<\/p>\n<p>&#8212;  Meu Deus! &#8212;  ouvi Baumoff sussurrar na semi escurid\u00e3o, como se perguntasse a si mesmo &#8212;  Como Cristo suportou os pregos?<\/p>\n<p>Olhei para ele com um desconforto infinito e uma piedade irritante me perturbando, mas sabia que era in\u00fatil repreend\u00ea-lo. Eu o vi vagamente distorcido atrav\u00e9s das tremula\u00e7\u00f5es onduladas da atmosfera. Era algo como se eu o contemplasse atrav\u00e9s das evolu\u00e7\u00f5es de um ar aquecido, s\u00f3 que haviam ondas maravilhosas de escurid\u00e3o azulada formando falhas em minha vis\u00e3o. Uma vez eu vi a sua face claramente, cheia de uma dor infinita, que estava, de certo modo, parecendo mais espiritual do que f\u00edsica, e dominando a tudo havia uma express\u00e3o de enorme resolu\u00e7\u00e3o e concentra\u00e7\u00e3o, tornando a face agonizante, l\u00edvida e encharcada de suor, parecer heroica e espl\u00eandida.<\/p>\n<p>E ent\u00e3o, enchendo a sala com ondas e borr\u00f5es de opacidade, a vibra\u00e7\u00e3o de sua agonia anormalmente estimada finalmente quebrou a vibra\u00e7\u00e3o da Luz. Meu \u00faltimo e breve olhar em torno me mostrou, tal como me pareceu, que o \u00e9ter invis\u00edvel fervia e recuava de uma forma tremenda e abruptamente a chama da l\u00e2mpada se perdeu em uma mancha de luz que rodopiava extraordinariamente e que ficou marcando sua posi\u00e7\u00e3o por alguns momentos, luzindo e decaindo, luzindo e decaindo, at\u00e9 que n\u00e3o vi mais aquela mancha brilhante de luz, ou coisa alguma. Fiquei subitamente perdido em um negrume opaco como a noite, atrav\u00e9s do qual ouvia apenas a respira\u00e7\u00e3o feroz e dolorida de Baumoff.<\/p>\n<p>Um minuto inteiro se passou, mas t\u00e3o lentamente que seu eu tivesse ficando contando as respira\u00e7\u00f5es de Baumoff diria que foram cinco. Ent\u00e3o Baumoff falou de repente, em uma voz que estava, de certo modo, curiosamente mudada\u2026 com uma certa express\u00e3o neutra.<\/p>\n<p>&#8212;  Meu Deus! &#8212;  ele disse, dentro da escurid\u00e3o &#8212;  Como Cristo deve ter sofrido!<\/p>\n<p>Foi no sil\u00eancio seguinte que eu tive a primeira no\u00e7\u00e3o de que estava vagamente receoso, mas o sentimento era t\u00e3o indefinido e infundado, e devo dizer subconsciente, que eu n\u00e3o podia exprimi-lo. Tr\u00eas minutos se passaram enquanto eu contava as respira\u00e7\u00f5es quase desesperadas que me chegavam pela escurid\u00e3o. Ent\u00e3o Baumoff come\u00e7ou a falar de novo, ainda naquela voz peculiarmente alterada.<\/p>\n<p>&#8212;  Pela Tua Agonia e Sangrento Suor &#8212;  ele disse. Repetiu isso duas vezes. Era claro que ele de fato havia fixado toda a sua aten\u00e7\u00e3o com tremenda intensidade, em seu estado anormal, na cena da morte.<\/p>\n<p>O efeito de sua intensidade sobre mim era interessante e algumas vezes extraordin\u00e1rio. Analisei as minhas sensa\u00e7\u00f5es e emo\u00e7\u00f5es e estado mental geral como pude, e compreendi que Baumoff estava produzindo em mim um efeito quase hipn\u00f3tico.<\/p>\n<p>Uma vez, em parte porque queria avaliar minha presen\u00e7a com uma frase normal, e tamb\u00e9m porque fui subitamente alertado por uma mudan\u00e7a no som de sua respira\u00e7\u00e3o, perguntei a Baumoff como ele estava. Minha voz saiu com uma indiferen\u00e7a peculiar e bastante desconfort\u00e1vel atrav\u00e9s da impenetr\u00e1vel opacidade da escurid\u00e3o.<\/p>\n<p>Ele disse:<\/p>\n<p>&#8212;  Sil\u00eancio! Estou carregando a Cruz.<\/p>\n<p>E voc\u00eas imaginem, o efeito destas simples palavras, pronunciadas naquela nova voz t\u00e3o impessoal, naquela atmosfera de tens\u00e3o quase insustent\u00e1vel, foi t\u00e3o poderoso que eu de repente vi, com meus olhos bem abertos, a presen\u00e7a clara e v\u00edvida de Baumoff em meio \u00e0 escurid\u00e3o sobrenatural, carregando uma Cruz. N\u00e3o como a imagem normalmente mostrada do Cristo, com ela tombada sobre os ombros, mas com a Cruz agarrada sob os bra\u00e7os cruzados, com o p\u00e9 se arrastando atr\u00e1s pelo ch\u00e3o rochoso. Eu vi at\u00e9 mesmo o padr\u00e3o granulado da madeira bruta, onde um pouco da casca tinha sido arrancado, e debaixo da extremidade inferior dela havia um tufo de grama que fora arrancado pela ponta e era arrastado e esfarinhado por entre as rochas e o p\u00e9 da cruz. Posso ver a coisa agora, enquanto falo. Sua clareza foi extraordin\u00e1ria, mas apareceu e sumiu em um rel\u00e2mpago, e eu fiquei l\u00e1 sentado na escurid\u00e3o, contando mecanicamente as respira\u00e7\u00f5es, mas sem saber que contava.<\/p>\n<p>Enquanto estava l\u00e1, me veio subitamente\u2026 a inteira maravilha do que Baumoff tinha conseguido. Eu estava sentado em uma escurid\u00e3o que era uma reprodu\u00e7\u00e3o fiel do milagre da Escurid\u00e3o da Cruz. Em resumo, Baumoff tinha, atrav\u00e9s da produ\u00e7\u00e3o em si de uma condi\u00e7\u00e3o anormal, desenvolvido uma Energia Emotiva que havia, em seus efeitos, imitado a Agonia da Cruz. E ao faz\u00ea-lo, ele demonstrara por um \u00e2ngulo inteiramente novo e maravilhoso, a verdade indisput\u00e1vel da estupenda personalidade e da enorme for\u00e7a espiritual do Cristo. Ele tinha desenvolvido e tornado de f\u00e1cil entendimento uma prova que reviveria a *realidade* daquela maravilha do mundo\u2026 <b>CRISTO.<\/b> E por causa disso tudo, n\u00e3o poderia ter por ele nada al\u00e9m de admira\u00e7\u00e3o do tipo mais profundo.<\/p>\n<p>Mas, nesse ponto, senti que o experimento deveria parar. Eu tinha um desejo estranhamente nervoso que Baumoff o terminasse naquele minuto e n\u00e3o tentasse imitar as condi\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas. Eu tinha, mesmo ent\u00e3o, uma vaga compreens\u00e3o, trazida por algum tipo raro de sugest\u00e3o subconsciente, do perigo de que uma &#8220;monstruosidade&#8221; fosse provocada, em vez de adquirir um verdadeiro conhecimento.<\/p>\n<p>&#8212;  Baumoff! &#8212;  Eu disse &#8212;  Pare!<\/p>\n<p>Mas ele n\u00e3o deu resposta e, por alguns minutos, se seguiu um sil\u00eancio ininterrupto, a n\u00e3o ser pela sua respira\u00e7\u00e3o engasgada. Abruptamente Baumoff disse entre seus engasgos:<\/p>\n<p>&#8212;  Mulher\u2026 Eis\u2026 teu\u2026 filho.<\/p>\n<p>Ele disse isso v\u00e1rias vezes, na mesma voz desconfortavelmente inexpressiva com que havia falado desde que a escurid\u00e3o se tornara completa.<\/p>\n<p>&#8212;  Baumoff! &#8212;  eu disse outra vez &#8212;  Baumoff! *Pare com isso!<\/p>\n<p>E enquanto esperava sua resposta, fiquei aliviado de pensar que sua respira\u00e7\u00e3o estava menos rasa. A demanda anormal por oxig\u00eanio estava sendo evidentemente suprida, e a extravagante exig\u00eancia da efici\u00eancia do cora\u00e7\u00e3o estava sendo aliviada.<\/p>\n<p>&#8212;  Baumoff! &#8212;  eu disse mais uma vez &#8212;  Baumoff! Pare!<\/p>\n<p>E quando o disse, abruptamente, pensei que a sala tinha sido sacudida um pouco.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o eu j\u00e1 tinha, tal como voc\u00eas devem ter percebido, a consci\u00eancia indefinida de um nervosismo crescente e peculiar. Eu acho que esta \u00e9 a palavra que melhor descreve, at\u00e9 agora, o que senti. Quando aquela sacudidela curiosa pareceu agitar a sala em trevas, eu fiquei mais do que nervoso. Senti um tremor de medo muito literal e real, mas ainda sem casua suficiente que o justificasse, ent\u00e3o, depois de ficar quieto e tenso por longos minutos e n\u00e3o sentir mais nada, decidi que precisava me dominar e controlar melhor os meus nervos. Ent\u00e3o, bem eu acabara de chegar a esse estado de esp\u00edrito mais c\u00f4modo, a sala foi sacudida outra vez, com mais curioso e nauseante movimento oscilat\u00f3rio, al\u00e9m do conforto da nega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8212;  Meu Deus! &#8212;  Eu sussurrei. E ent\u00e3o, em um esfor\u00e7o s\u00fabito de coragem, eu gritei &#8212;  Baumoff! *Pelo amor de Deus, pare com isso!<\/p>\n<p>Voc\u00eas n\u00e3o t\u00eam ideia do esfor\u00e7o que me custou falar alto naquelas trevas e quando o fiz, o som de minha voz me levou novamente ao limite. Ele saiu t\u00e3o vazio e *cru* atrav\u00e9s do espa\u00e7o, e de certa forma a sala parecia t\u00e3o incrivelmente grande\u2026 Oh, eu acho que voc\u00eas entendem o quanto me sentia assustado, sem que eu precise me esfor\u00e7ar mais para lhes contar.<\/p>\n<p>E Baumoff nunca respondia uma palavra, mas eu podia ouvi-lo respirar, um pouco mais profundamente, embora ainda esfor\u00e7asse o t\u00f3rax doloridamente em busca de ar. A agita\u00e7\u00e3o incr\u00edvel da sala lentamente passou, e sucedeu-a um espasmo de sil\u00eancio, durante o qual eu senti que era meu dever me levantar e ir at\u00e9 a cadeira de Baumoff. Mas eu n\u00e3o pude faz\u00ea-lo. Por alguma raz\u00e3o eu n\u00e3o teria tocado Baumoff naquele momento, por nada nesse mundo. De fato, naquele exato momento, agora eu sei que *receava* tocar Baumoff.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o as oscila\u00e7\u00f5es come\u00e7aram novamente. Eu senti o traseiro de minhas cal\u00e7as deslizar contra o assento da cadeira e estiquei as minhas pernas, distendendo os p\u00e9s contra o tapete para evitar escorregar de um jeito ou de outro para o ch\u00e3o. Dizer que estava assustado n\u00e3o descrevia de forma nenhuma o meu estado. Eu estava aterrorizado. E de repente eu me senti confort\u00e1vel pelo motivo mais extraordin\u00e1rio, pois uma simples ideia literalmente brilhou no meu c\u00e9rebro e me deu uma raz\u00e3o para me agarrar. Era um argumento breve.<\/p>\n<p>O \u00c9ter, alma do ferro e das coisas s\u00f3lidas, que Baumoff tinha uma vez feito assunto de uma extraordin\u00e1ria palestra sobre vibra\u00e7\u00f5es, nos primeiros dias de nossa amizade. Ele formulara a sugest\u00e3o de que, em seu embri\u00e3o, a Mat\u00e9ria era primordialmente uma vibra\u00e7\u00e3o localizada, seguindo uma \u00f3rbita fechada. Estas vibra\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias localizadas eram inconcebivelmente mi\u00fadas. Mas eram capazes, sob certas condi\u00e7\u00f5es, de combinar-se, sob a a\u00e7\u00e3o de vibra\u00e7\u00f5es afinadas, em vibra\u00e7\u00f5es secund\u00e1rias de tamanho e forma a ser determinado por fatores que s\u00f3 se podia imaginar. Estas manteriam sua nova forma enquanto nada ocorresse para desorganizar sua combina\u00e7\u00e3o ou depreciar ou desviar sua energia &#8212;  sua unidade sendo parcialmente determinada pela in\u00e9rcia do \u00c9ter im\u00f3vel fora do caminho fechado coberto por sua \u00e1rea ativa. E tal combina\u00e7\u00e3o das vibra\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias localizadas n\u00e3o era nada mais nem menos que mat\u00e9ria. Homens e mundos, veja! E universos.[^3]<\/p>\n<p>E ent\u00e3o ele disse aquilo que me atingiu mais. Ele dissera que se fosse poss\u00edvel produzir uma vibra\u00e7\u00e3o do \u00c9ter com energia suficiente, seria poss\u00edvel desorganizar ou confundir a vibra\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria. Ent\u00e3o, possuindo uma m\u00e1quina capaz de criar uma vibra\u00e7\u00e3o do \u00c9ter suficientemente energizada, ele poderia come\u00e7ar a destruir n\u00e3o apenas o mundo, ma s\u00f3 universo inteiro, incluindo at\u00e9 o c\u00e9u e o inferno, se tais lugares existissem e tivessem exist\u00eancia material.<\/p>\n<p>Eu me lembro como eu o olhara, at\u00f4nito com a fecundidade e alcance de sua imagina\u00e7\u00e3o. E ent\u00e3o essa fala sua me veio \u00e0 mente para me encorajar com a sanidade da raz\u00e3o. N\u00e3o seria poss\u00edvel que a perturba\u00e7\u00e3o do \u00c9ter que ele produzira tivera energia suficiente para causar a desorganiza\u00e7\u00e3o da vibra\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria na vizinhan\u00e7a imediata, e assim criara um terremoto em miniatura em torno da casa, e assim a fizera tremer suavemente?<\/p>\n<p>E ent\u00e3o, quando esse pensamento me veio, outro maior surgiu em minha mente.<\/p>\n<p>&#8212;  Meu Deus! &#8212;  eu disse alto na escurid\u00e3o da sala.<\/p>\n<p>Isso explica outro mist\u00e9rio da Cruz, a perturba\u00e7\u00e3o do \u00c9ter causada pela Agonia do Cristo desorganizou a vibra\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria na vizinhan\u00e7a da Cruz, e ent\u00e3o houve um pequeno terremoto no local, que abriu as sepulturas e rasgou o v\u00e9u, possivelmente balan\u00e7ando os seus suportes. E, claro, o terremoto fora um efeito, *n\u00e3o* a causa, como os minimizadores do Cristo sempre insistiram.<\/p>\n<p>&#8212;  Baumoff! &#8212;  eu chamei &#8212;  Baumoff, voc\u00ea provou mais uma coisa. Baumoff! Baumoff! Responda-me. Voc\u00ea est\u00e1 bem?<\/p>\n<p>Baumoff respondeu, r\u00edspido e r\u00e1pido, de dentro da escurid\u00e3o, mas n\u00e3o a mim:<\/p>\n<p>&#8212;  Meu Deus! &#8212;  ele disse &#8212;  Meu Deus!<\/p>\n<p>Sua voz me chegou como um grito de verdadeira agonia mental. Ele estava sofrendo, de uma forma hipn\u00f3tica e autoinduzida, um pouco da pr\u00f3pria agonia do Cristo em pessoa.<\/p>\n<p>&#8212;  Baumoff! &#8212;  eu gritei e me forcei a ficar de p\u00e9. Ouvi sua cadeira batendo no ch\u00e3o, enquanto ele tremia &#8212;  Baumoff!<\/p>\n<p>Um terremoto extraordin\u00e1rio se sentiu pelo ch\u00e3o da sala, e eu ouvi o ranger do madeirame, e algo cair e quebrar na escurid\u00e3o. Os suspiros de Baumoff me faziam mal, mas eu fiquei de p\u00e9. N\u00e3o ousava ir at\u00e9 ele. Eu *j\u00e1* sabia que tinha medo dele\u2026 de sua condi\u00e7\u00e3o, ou de algo que nem sabia o que fosse. Mas, oh, eu horrivelmente temia a ele.<\/p>\n<p>&#8212;  Bau\u2026 &#8212;  eu comecei, mas logo tive medo de at\u00e9 mesmo lhe falar. E n\u00e3o podia me mover. Abruptamente ele gritou com uma entona\u00e7\u00e3o de incr\u00edvel \u00e2nsia:<\/p>\n<p>&#8212;  Eloi, Eloi, lama sabach*thani*!<\/p>\n<p>Mas a \u00faltima palavra mudou em sua boca, desde uma seriedade assustadoramente hipn\u00f3tica para um simples berro de terror infernal.<\/p>\n<p>E de repente uma voz horr\u00edvel e zombeteira troou pela sala, vinda da cadeira de Baumoff:<\/p>\n<p>&#8212;  Eloi, Eloi, lama sabachthani!<\/p>\n<p>Entendam, por favor, que a voz n\u00e3o era de Baumoff. N\u00e3o era uma voz de desespero, mas uma voz escarnecedora, bestial, incr\u00edvel, monstruosa. No sil\u00eancio que se seguiu, comigo congelado de medo, eu percebi que Baumoff n\u00e3o mais suspirava. A sala estava absolutamente silenciosa, o mais terr\u00edvel e silencioso lugar de todo esse mundo. Ent\u00e3o tropecei, prendendo o p\u00e9, provavelmente, na borda invis\u00edvel do tapete da lareira, e cai de cabe\u00e7a em uma explos\u00e3o de estrelas internas. Depois disso, por um longo tempo, certamente algumas horas, eu n\u00e3o soube mais de nada.<\/p>\n<p>Eu voltei ao Presente, com uma terr\u00edvel dor de cabe\u00e7a me oprimindo mais que tudo. Mas a Escurid\u00e3o tinha se dissipado. Eu rolei sobre o meu lado e vi Baumoff e esqueci at\u00e9 mesmo a dor de minha cab\u00e7ea. Ele estava inclinado para frente na minha dire\u00e7\u00e3o, seus olhos estavam abertos, mas apagados. Sua face estava enormemente inchada e havia algo, alguma coisa *bestial* nele. Ele estava morto, e o cinto em torno dele e do encosto da cadeira era a \u00fanica coisa que impedia que ele ca\u00edsse sobre mim. Sua l\u00edngua estava pendurada para fora do canto de sua boca. Sempre me lembrarei de sua express\u00e3o. Ele tinha um olhar obl\u00edquo, como de uma besta-fera, n\u00e3o o de um homem.<\/p>\n<p>Eu me afastei dele, arrastando-me pelo ch\u00e3o, mas nunca deixei de olhar para ele, at\u00e9 que cheguei ao outro lado da porta e a fechei entre n\u00f3s. \u00c9 claro que eu logo recuperei o meu equil\u00edbrio e voltei at\u00e9 ele, mas n\u00e3o havia nada que eu pudesse fazer.<\/p>\n<p>Baumoff morrera de ataque card\u00edaco, \u00f3bvia e claramente! Eu nunca seria tolo de dizer a nenhum j\u00fari que, em sua condi\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria, auto hipn\u00f3tica e indefesa, ele fora &#8220;invadido&#8221; por algum Monstro do Espa\u00e7o macaqueador de Cristo. Tenho demasiado respeito pela minha reputa\u00e7\u00e3o de ser um homem de bom senso para dizer algo assim com seriedade! Oh, eu sei que pare\u00e7o ironizar, mas o que posso fazer sen\u00e3o zombar de mim mesmo e do mundo, quando n\u00e3o ouso admitir, mesmo em segredo para mim mesmo, o que realmente eu penso. Baumoff de fato e indubitavelmente morreu de ataque card\u00edaco, e o resto eu simplesmente fui hipnotizado para acreditar. S\u00f3 que havia no ch\u00e3o junto \u00e0 parede oposta, onde ca\u00edra de uma cristaleira solidamente trancada, uma pequena pilha de vidro do que antes fora uma bonita pe\u00e7a de vidra\u00e7aria veneziana. Voc\u00ea se lembra que eu ouvira algo cair quando a sala tremera. Certamente a sala tremera *mesmo? *\u00d3, eu devo parar de pensar. Minha cabe\u00e7a est\u00e1 girando.<\/p>\n<p>O explosivo de que os jornais est\u00e3o falando. Sim, \u00e9 o de Baumoff, isso faz tudo parecer verdade, n\u00e3o? Houve aquela escurid\u00e3o em Berlim, depois da explos\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 como negar *disso.* O governo s\u00f3 sabe que a f\u00f3rmula de Baumoff \u00e9 capaz de produzir as maiores quantidades de g\u00e1s no menor tempo poss\u00edvel. Isso, em resumo, \u00e9 idealmente *explosivo.<\/p>\n<p>Assim \u00e9, mas eu imagino que se provar\u00e1 ser um explosivo, tal como disse e a experi\u00eancia demonstrou, um tanto imparcial demais para que sua a\u00e7\u00e3o crie qualquer entusiasmo em qualquer dos lados do campo de batalha. Isto talvez seja uma b\u00ean\u00e7\u00e3o discreta, certamente uma b\u00ean\u00e7\u00e3o, se as teorias do Baumoff sobre a possibilidade de desorganizar a mat\u00e9ria estiverem sequer perto da verdade.<\/p>\n<p>Eu tenho \u00e0s vezes pensado que pode haver uma explica\u00e7\u00e3o mais normal para a coisa hedionda que aconteceu no fim. Baumoff *pode* ter rompido um vaso sangu\u00edneo no c\u00e9rebro, devido \u00e0 enorme press\u00e3o arterial que seu experimento induzira, e a voz que eu ouvira e a zombaria e a horr\u00edvel express\u00e3o e o olhar obl\u00edquo podem ter sido n\u00e3o mais que os imediatos espasmo e express\u00e3o da &#8220;obliquidade&#8221; natural de uma mente transtornada, o que, tantas vezes, muda a natureza do homem e produz uma invers\u00e3o do car\u00e1ter, que \u00e9 o verdadeiro oposto de seu estado normal. E certamente, a atitude religiosa normal do pobre Baumoff era uma de maravilhosa rever\u00eancia e lealdade a Cristo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m, em apoio a esta linha de explica\u00e7\u00e3o, eu tenho frequentemente observado quea voz de uma pessoa que sofre de transtorno mental \u00e9 frequentemente mudada de forma not\u00e1vel, e tem \u00e0s vezes uma qualidade repelente e desumana. Eu tento pensar que esta explia\u00e7\u00e3o serve para o caso. Mas nunca consigo esquecer aquela sala. Nunca.<\/p>\n<p>[^1]: No original, &#8220;on the itch to shove in his oar&#8221;, que significa, literalmente, &#8220;co\u00e7ando-se para remar&#8221;. Considerei que a tradu\u00e7\u00e3o literal desta met\u00e1fora n\u00e1utica seria inintelig\u00edvel ao  p\u00fablico brasileiro, que pouco acompanha o esporte do remo e pouco sabe de barcos em geral, e a substitu\u00ed por um dito popular caracteristicamente nosso.<\/p>\n<p>[^2]: N\u00e3o \u00e9 claro neste trecho se Hodgson se refere aos Estados Unidos, \u00e0 Irlanda ou \u00e0 pr\u00f3pria Alemanha.<\/p>\n<p>[^3]: Neste ponto \u00e9 significativo ressaltar que a teoria que Hodgson coloca na boca de Baumoff equivale, grosso modo, \u00e0 teoria da flutua\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica do v\u00e1cuo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Dally, Whitlaw e eu discut\u00edamos a estupenda explos\u00e3o que recentemente ocorrera nas cercanias de Berlim. Nos maravilh\u00e1vamos com o extraordin\u00e1rio per\u00edodo de escurid\u00e3o que se seguira, e que dera curso a tanto coment\u00e1rio nos jornais, com teorias a rodo.*<\/p>\n<p>*Os jornais tinham tomado conhecimento do fato de que as autoridades de guerra estariam experimentando um novo explosivo, inventado por certo qu\u00edmico chamado Baumoff, e se referiam a ele constantemente como &#8220;O Novo Explosivo de Baumoff&#8221;.*[&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[185],"tags":[16,32,56,15,21,10,31],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4786,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51\/revisions\/4786"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}