{"id":53,"date":"2013-04-15T19:00:00","date_gmt":"2013-04-15T22:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=53"},"modified":"2017-11-02T14:08:21","modified_gmt":"2017-11-02T17:08:21","slug":"aventuras-em-rio-das-ostras-parte-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2013\/04\/aventuras-em-rio-das-ostras-parte-ii\/","title":{"rendered":"Aventuras em Rio das Ostras, Parte II"},"content":{"rendered":"<p>Depois de chegar ao hotel com oito horas de viagem nas costas, ningu\u00e9m queria mais saber de praia. Ainda bem, porque estava chovendo pacas. Descarregamos o mais r\u00e1pido que pudemos e fomos nos adaptar ao quarto.<\/p>\n<p>Como sempre ocorre quando vou \u00e0 praia, os primeiros minutos foram de enjoo e nojo. N\u00e3o consigo me assimilar com facilidade ao cheiro de maresia, ao odor horr\u00edvel das fossas s\u00e9pticas e \u00e0 impress\u00e3o irritante de que existe areia em todo lugar.\u00a0 A chuva n\u00e3o ajudou, apenas me fez passar a tarde deprimido, imaginando que o esfor\u00e7o todo da viagem tinha sido em v\u00e3o. A previs\u00e3o do <a href=\"http:\/\/www.climatempo.com.br\/\" target=\"_blank\">Climatempo<\/a> n\u00e3o era nada animadora.<\/p>\n<p>Felizmente o s\u00e1bado amanheceu sem chuva, embora ainda nublado. Demos uma caminhada at\u00e9 a praia mais pr\u00f3xima, a Costa Azul, e tentamos aproveitar alguma coisa, apesar do vento forte, do mar ligeiramente encapelado e da \u00e1gua ant\u00e1rtica. Para piorar as coisas, a Maria Eduarda, do alto de seus quatro anos, sentiu um pavor abissal quando percebeu que o ribombo de trov\u00e3o que ela estava ouvindo era do mar quebrando na praia. Chorou de babar grosso e me fez pensar, mais uma vez, que o passeio tinha sido perda de tempo.<\/p>\n<p>Fomos ao centro da cidade, ou o que ach\u00e1vamos que era o centro, para fazer umas compras. Tomamos um caf\u00e9 com p\u00e3o de queijo em uma padaria e voltamos para o hotel, ainda debaixo de chuva. \u00c0 tarde o tempo abriu e fomos \u00e0 Praia do Centro, onde almo\u00e7amos uma comida muito cara, mas com uma paisagem que valia o pre\u00e7o. No fim da tarde fomos brevemente ao p\u00eder e ao mirante da Praia da Costa Azul. \u00c0 noite, para n\u00e3o ser uma perda total, resolvemos visitar o amigo <a href=\"http:\/\/plus.google.com\/104059377006273704946\" target=\"_blank\">+Mateus Gomes<\/a>\u00a0 em Maca\u00e9, que nos convidou para uma pizza em um lugar perto de sua casa.<\/p>\n<p>Maca\u00e9 me pareceu uma verdadeira sucursal do inferno, apesar de dizerem que se pode ganhar muito dinheiro l\u00e1. Pode at\u00e9 ser, mas de que adianta ganhar dinheiro e n\u00e3o investir em beleza? Eu achei Maca\u00e9 ainda mais feia do que eu a conhecera em 1995, quando fui l\u00e1 assistir o show da banda Pendragon no Brasil. Maca\u00e9 pode ter muito dinheiro, mas tem a cara da Donatella Versace.<\/p>\n<p>O melhor dia de praia foi no domingo, que foi tamb\u00e9m o melhor dia de aventura. Come\u00e7ando com um lindo passeio pelo p\u00eder, com direito a fotos com o mar ao fundo e a contempla\u00e7\u00e3o do rom\u00e2ntico acasalamento de duas tartarugas marinhas. As crian\u00e7as inocentemente jogavam p\u00e3o e alguns adultos ignorantemente jogavam peixinhos. Creio que ficamos uns quarenta minutos no p\u00eder, se muito, mas o dia come\u00e7ou a ficar interessante quando sa\u00edmos.<\/p>\n<p>Logo de cara vimos que havia algo errado com o carro, cuja porta me parecia ligeiramente empenada. Minha mulher deu falta de sua bolsa, que ela deixara escondida sob o painel e eu logo chequei se a minha carteira estava no esconderijo onde eu a deixara, por n\u00e3o ter bolsos na roupa que usava. N\u00e3o estava, o que significa que o meu esconderijo era \u00f3bvio. Come\u00e7amos a entrar em p\u00e2nico porque junto com a bolsa fora levada embora toda a nossa roupa de praia, os documentos do carro, minha carteira de habilita\u00e7\u00e3o, vinte preciosos reais e tr\u00eas cart\u00f5es de cr\u00e9dito. Meu celular fora deixado para tr\u00e1s, testemunhando que ele realmente n\u00e3o vale nada.<\/p>\n<p>Enquanto fic\u00e1vamos abobados sem saber o que fazer, apareceu uma viatura da Guarda Civil Municipal, com cinco idiotas uniformizados dentro. J\u00e1 estava se formando uma aglomera\u00e7\u00e3o em torno de n\u00f3s, com v\u00e1rias pessoas lamentando o ocorrido, mas toda aquela gente n\u00e3o sensibilizou os guardas, que apenas nos orientaram a prestar queixa na delegacia e foram saindo para continuar sua ronda da praia. Para que, eu n\u00e3o sei, visto que n\u00e3o tomam nenhuma atitude quando a roda descobre que algo aconteceu. Tive vontade de chamar os cinco de in\u00fateis, mas sei muito bem que a inefici\u00eancia policial deixa de existir quando n\u00f3s a questionamos: pol\u00edcia pode n\u00e3o prender quem nos roubou, mas nos prende por reclamar. Ademais, est\u00e1vamos em outro estado, e como diz o prudente ditado mineiro: no terreiro alheio, peru de fora n\u00e3o se manifesta.<\/p>\n<p>Sa\u00edmos de l\u00e1 arrasados, a caminho da delegacia para uma formalidade sem sentido, quando, ao virar a esquina, minha mulher reconheceu sua bolsa no ombro de uma mulher que subia a rua, acompanhada de duas crian\u00e7as e uma adolescente, todas chupando picol\u00e9s. Quando ela dise &#8220;olha a minha bolsa l\u00e1&#8221;, eu suavizei o p\u00e9 no acelerador e usei a t\u00e9cnica ninja da dire\u00e7\u00e3o silenciosa para me aproximar delas sem chamar a aten\u00e7\u00e3o. Em meus melhores dias, com um carro bem regulado e um cal\u00e7amento liso, d\u00e1 para dar susto em desavisados. Quando estava quase emparelhando com as mulheres, a <a href=\"http:\/\/plus.google.com\/114507821497924552656\" target=\"_blank\">+Daniele<\/a> abriu a porta, mantendo um p\u00e9 dentro do carro, e foi perguntando \u00e0 filha da puta da ladra &#8220;onde voc\u00ea achou a <i>minha<\/i> bolsa?&#8221;.<\/p>\n<p>A mulher deve ter levado um susto t\u00e3o grande (pois devia ter menos de dez minutos que ela roubara a bolsa de dentro do carro) que nem teve rea\u00e7\u00e3o racional. Disse que a achara &#8220;perto da praia&#8221; e estava levando para &#8220;entregar \u00e0 pol\u00edcia&#8221;. Enquanto dizia isso, n\u00e3o conseguia esconder um riso de cadela vagabunda, que evitava cuidadosamente a gargalhada. A adolescente, afastada uns dois metros, falava rapidamente ao telefone. Minha mulher, nem bem terminara a pergunta, j\u00e1 puxara a bolsa para dentro do carro, praticamente arrancando-a do ombro da bandida. Dentro estavam, previsivelmente, a minha carteira e as nossas roupas. Os vinte reais deviam ter sido investidos em picol\u00e9s.<\/p>\n<p>Logo que percebi isso, tratei de acelerar e sair dali o mais r\u00e1pido poss\u00edvel, embora n\u00e3o soubesse exatamente porque. Posteriormente racionalizei que, instintivamente, eu temia que a adolescente estivesse usando o telefone para chamar comparsas.<\/p>\n<p>Mesmo assim fomos \u00e0 delegacia prestar queixa, e descobrimos, para nosso espanto, que o sistema estava fora do ar e por isso n\u00e3o poder\u00edamos registrar nossa queixa. Nos disseram que volt\u00e1ssemos depois. Eu devia ter seguido o conselho.<\/p>\n<p>Fomos para uma praia pr\u00f3xima \u00e0 Pra\u00e7a da Baleia, desta vez pus o carro em um estacionamento, alugamos barracas (vinte e cinco reais por cinco cadeiras e uma sombrinha, mais cinquenta por um almo\u00e7o) e tentamos curtir o dia o melhor poss\u00edvel. <a href=\"http:\/\/plus.google.com\/104059377006273704946\" target=\"_blank\">+Mateus<\/a> apareceu por l\u00e1, felizmente, porque eu n\u00e3o teria dado conta sozinho de vigiar duas crian\u00e7as t\u00e3o el\u00e9tricas. Maria Eduarda ainda estava com medo do mar, mas a Gabriele parecia ter nascido dentro d&#8217;\u00e1gua.<\/p>\n<p>Durante esse dia tivemos a oportunidade de ver novamente as tartaruguinhas tentando acasalar, atrapalhadas por turistas <i>voyeurs<\/i>. Eu peguei alguma cor, apesar do filtro solar FPS 50, e almo\u00e7amos um peixe na telha. N\u00e3o me pergunte qual peixe, porque eu entendo tanto disso quanto de f\u00edsica de part\u00edculas. A telha era do tipo curvo, feito nas coxas. Disso eu entendo melhor. O peixe, por\u00e9m, estava \u00f3timo. Quando acabou, deu vontade at\u00e9 de comer a telha.<\/p>\n<p>O final da tarde passamos na praia exatamente em frente \u00e0 Pra\u00e7a da Baleia, onde a \u00e1gua estava ainda mais fria. Rio das Ostras fica perto de Cabo Frio, e imagino que lembraram de ostras porque tiveram receio de chamar a cidade de Cabo Gelado. No fim do dia fomos ao hotel tomar banho e arrancar um pouco da sensa\u00e7\u00e3o de salmoura no corpo. Dei uma carona ao Mateus at\u00e9 sua casa e comemos de novo da excelente pizza que ele nos apresentara. Mas da segunda vez eu n\u00e3o achei t\u00e3o boa quanto no s\u00e1bado.<\/p>\n<p>No fim do dia, todos exaustos de tanta \u00e1gua, fomos dormir pesadamente, j\u00e1 planejando a volta na segunda. E se voc\u00ea acha que o domingo j\u00e1 foi cheio de aventuras, voc\u00ea nem imagina o que aconteceu na volta!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de chegar ao hotel com oito horas de viagem nas costas, ningu\u00e9m queria mais saber de praia. Ainda bem, porque estava chovendo pacas. 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