{"id":54,"date":"2013-04-13T23:54:00","date_gmt":"2013-04-14T02:54:00","guid":{"rendered":"http:\/\/letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=54"},"modified":"2017-08-13T01:25:38","modified_gmt":"2017-08-13T04:25:38","slug":"o-mundo-fantastico-de-h-p-lovecraft","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2013\/04\/o-mundo-fantastico-de-h-p-lovecraft\/","title":{"rendered":"O Mundo Fant\u00e1stico de H. P. Lovecraft!"},"content":{"rendered":"<p>Gostaria de ter blogado isto antes, mas a rotina corrida dos dias \u00fateis me impediu. Nesta quinta feira chegou \u00e0s minhas m\u00e3os o meu exemplar da antologia <a href=\"http:\/\/www.sitelovecraft.com\/\" rel=\"nofollow\" target=\"_blank\">&#8220;O Mundo Fant\u00e1stico de H.\u00a0P.\u00a0Lovecraft&#8221;<\/a>, da qual participei traduzindo nada menos do que cinco obras do mestre americano do horror c\u00f3smico: &#8220;A Busca de Iranon&#8221; (*The Quest of Iranon*), &#8220;O Habitante das Trevas&#8221; (*The Haunter of the Dark*), &#8220;Um Sussurro na Escurid\u00e3o&#8221; (*The Whisperer in Darkness*), &#8220;O Depoimento de Randolph Carter&#8221; (*The Statement of Randolph Carter*) e &#8220;O Inomin\u00e1vel&#8221; (*The Unnameable*). Tudo gra\u00e7as \u00e0 ousadia incans\u00e1vel do Den\u00edlson Ricci, que teimou nesse projeto durante quase tr\u00eas anos, e finalmente o trouxe \u00e0 luz, atrav\u00e9s da Editora Clock Tower.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/serveimage.jpeg\" alt=\"Capa de Mundo Fantastico\" width=\"349\" height=\"510\" class=\"alignright size-full wp-image-4414\" srcset=\"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/serveimage.jpeg 349w, https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/serveimage-103x150.jpeg 103w, https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/serveimage-205x300.jpeg 205w\" sizes=\"(max-width: 349px) 100vw, 349px\" \/><\/p>\n<p>Embora obviamente o grande m\u00e9rito desta edi\u00e7\u00e3o seja do organizador, acho que bem mere\u00e7o exaltar meu m\u00e9rito pessoal nesta empreitada, traduzindo mais de cem das 456 p\u00e1ginas do livro (mais de 20% do total do texto). Foi um trabalho gigantesco, que durou bem mais de dois meses, inclu\u00edda uma revis\u00e3o b\u00e1sica que fiz antes de encaminhar as vers\u00f5es finais. Considerando a densidade do texto lovecraftiano, essa rapidez chega a ser temer\u00e1ria, mas eu n\u00e3o acho que minhas tradu\u00e7\u00f5es tenham sofrido: eu certamente n\u00e3o teria conseguido esse ritmo se estivesse traduzindo poesia ou uma prosa liter\u00e1ria mais elaborada, mas o texto do autor \u00e9 bastante f\u00e1cil de traduzir, a n\u00e3o ser pelas refer\u00eancias culturais (com as quais eu, felizmente, estava familiarizado) e pelo vocabul\u00e1rio. A rapidez, por\u00e9m, s\u00f3 foi poss\u00edvel porque muito antes de sequer pensar a traduzir Lovecraft eu j\u00e1 havia lido toda a sua obra e havia lido sobre ele e sobre sua obra, chegando at\u00e9 a produzir, como *ghost writer, *uma tese de mestrado em literatura sobre o universo liter\u00e1rio derivado dela. Ent\u00e3o, a pesquisa que me possibilitou traduzir cem p\u00e1ginas em poucas semanas, dedicando poucas horas por semana, fora feita antes.<\/p>\n<p>Sobre a edi\u00e7\u00e3o em si, \u00e9 preciso ressaltar que ela n\u00e3o pretende ser uma autoridade no assunto, mas uma esp\u00e9cie de introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 vida e \u00e0 obra do autor. Cont\u00e9m um estudo cr\u00edtico breve, uma biografia, um artigo sobre o cen\u00e1rio no qual Lovecraft inscreveu sua fic\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, a antologia inclui alguns de seus contos mais famosos (*O Inomin\u00e1vel, A Busca de Iranon, O Habitante das Trevas, O Depoimento de Randolph Carter e A Cidade Sem Nome*), pelo menos cinco novelas importantes (*O Chamado de Cthulhu, A Cor Vinda do Espa\u00e7o, O Horror de Dunwich, A Sombra em Innsmouth, Um Sussurro nas Trevas*), dois ensaios (*A Hist\u00f3ria do Necronomicon, Notas Sobre Escrever Fic\u00e7\u00e3o Fant\u00e1stica*) e pelo menos um poema muito relevante (*Os Fungos de Yuggoth*). Outros textos de menor import\u00e2ncia para o c\u00e2none lovecraftiano tamb\u00e9m est\u00e3o presentes.<\/p>\n<p>O objetivo desta sele\u00e7\u00e3o d\u00edspar de textos \u00e9 servir para o primeiro contato do leitor n\u00e3o iniciado com a obra do mestre americano. Acredito que o livro v\u00e1 servir muito bem a esse objetivo, muito embora a sele\u00e7\u00e3o tenha procurado mais a variedade (de \u00e9pocas, estilos e assuntos) do que uma sele\u00e7\u00e3o pela qualidade. Trata-se mais de apresentar as diversas facetas do autor, do que trazer a lume o que ele escreveu de melhor. Por esta raz\u00e3o, acredito que seja essencial fazer um novo volume, incluindo algumas obras de qualidade inquestion\u00e1vel que acabaram de fora deste volume por limita\u00e7\u00f5es \u00f3bvias, como a quantidade de p\u00e1ginas (o livro j\u00e1 ficou imenso, com 456 p\u00e1ginas, seria loucura incluir *mais* obras) e o prop\u00f3sito acima descrito. Ressinto-me particularmente da falta de obras do mestre que sempre coloco entre as minhas favoritas: *Nas Montanhas da Loucura *(noveleta), *Al\u00e9m da Muralha do Sono *(conto), *O Caso de Charles Dexter Ward *(novela), *Fatos a Respeito do Falecido Arthur Jermyn e sua Fam\u00edlia *(noveleta), *Os Ratos nas Paredes *(conto), *A Coisa na Soleira *(conto) e, principalmente, aquela que considero a sua maior obra prima, *A Sonhada Busca Por Kadath*. Den\u00edlson pode estar certo de que, caso deseje reiniciar todo o trabalho l\u00e1 do come\u00e7o e fazer um novo volume, poder\u00e1 contar comigo desde o in\u00edcio para que surjam em portugu\u00eas, em alguns casos pela primeira vez, estas obras de que tanto gosto.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o li as outras tradu\u00e7\u00f5es para julg\u00e1-las, mas as minhas eu procurei fazer da forma mais natural e fluida poss\u00edvel, evitando carregar no preciosismo da linguagem, ainda que o autor tenha sido exatamente um preciosista. Julguei que n\u00e3o havia necessidade de buscar ostensivamente uma linguagem rebuscada porque, na maioria dos casos, a pomposidade do original se deve ao uso excessivo de &#8220;latinismos&#8221;, como na frase inicial d*O Habitante das Trevas:\u00a0*<\/p>\n<p>> <b>Cautious investigators<\/b> will <b>hesitate<\/b> to challenge the common belief that Robert Blake was killed by lightning, or by some <b>profound<\/b> <b>nervous<\/b> shock <b>derived<\/b> from an <b>electrical discharge<\/b>.<\/p>\n<p>Neste trecho convivem oito termos de origem latina, neolatina ou grega (sendo que o \u00fanico grego, &#8220;electrical&#8221;, veio ao ingl\u00eas por interm\u00e9dio do latim). Todos estes termos possuem cognatos perfeitos em portugu\u00eas: &#8220;cautious&#8221; \u00e9 cuidadoso, &#8220;investigator&#8221; \u00e9 investigador, &#8220;hesitate&#8221; \u00e9 hesitar, &#8220;profound&#8221; \u00e9 profundo, &#8220;nervous&#8221; \u00e9 nervoso, &#8220;derive&#8221; \u00e9 derivar, &#8220;eletric&#8221; \u00e9 el\u00e9trico e &#8220;discharge&#8221; \u00e9 descarga. Acreditei que seria pedantismo procurar deliberadamente palavras raras para turvar o texto apenas porque o original soa turvo ao leitor devido ao vocabul\u00e1rio erudito e deixei que a minha tradua\u00e7\u00e3o soasse fluida, clara e natural.<\/p>\n<p>Outra caracter\u00edstica das minhas tradu\u00e7\u00f5es \u00e9 a busca da literalidade, evitando ao m\u00e1ximo a par\u00e1frase, exceto nas situa\u00e7\u00f5es em que a literalidade produziria um calque desagrad\u00e1vel.<\/p>\n<p>Certamente os outros tradutores devem ter tomado medidas diferentes, de acordo com suas prefer\u00eancias, estilos e refer\u00eancias culturais. Esse \u00e9 o lado maravilhoso de ter pessoas diferentes trabalhando em um projeto coletivo: voc\u00ea acaba conhecendo pessoas que trabalham e pensam diferente de voc\u00ea, o que lhe d\u00e1, no fim, uma avalia\u00e7\u00e3o melhor do valor de seu pr\u00f3prio trabalho.<\/p>\n<p>Enfim, o que posso fazer \u00e9 recomendar, e muito, este volume que representa um esfor\u00e7o not\u00e1vel para a divulga\u00e7\u00e3o do trabalho de Lovecraft no Brasil. N\u00e3o s\u00f3 pela qualidade do trabalho que foi feito (a ficha t\u00e9cnica dos colaboradores, da tradu\u00e7\u00e3o \u00e0 revis\u00e3o, passando pelos capistas e diagramadores, \u00e9 maior do que a equipe de algumas editoras que j\u00e1 me ofereceram contratos), mas tamb\u00e9m pela apresenta\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica de primeira (papel p\u00f3len, capa fosca etc.). Trata-se de um livro perfeito para dar de presente a algu\u00e9m que voc\u00ea conhece e de quem gosta muito, desde que esta pessoa aprecie fic\u00e7\u00e3o fant\u00e1stica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gostaria de ter blogado isto antes, mas a rotina corrida dos dias \u00fateis me impediu. 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