{"id":5582,"date":"2017-11-16T18:00:20","date_gmt":"2017-11-16T21:00:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=5582"},"modified":"2019-06-05T22:02:27","modified_gmt":"2019-06-06T01:02:27","slug":"a-literatura-moderna-nao-e-nada-alem-de-uma-salada-de-palavras-anti-intelectual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2017\/11\/a-literatura-moderna-nao-e-nada-alem-de-uma-salada-de-palavras-anti-intelectual\/","title":{"rendered":"A Literatura Moderna n\u00e3o \u00e9 nada al\u00e9m de uma Salada de Palavras Anti-Intelectual"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"epigraph\">Tradu\u00e7\u00e3o do artigo de Kitten Holiday para o Writing Cooperative, com autoriza\u00e7\u00e3o.<\/div>\n\n\n\n<p>Esta semana dois autores de meu c\u00edrculo estavam preocupados com a mesma quest\u00e3o: Por que a literatura moderna \u00e9 t\u00e3o ruim? Pelo que eu sei, esses dois autores n\u00e3o se conhecem. Eles est\u00e3o em c\u00edrculos pol\u00edticos parecidos (direitistas, conservadores) mas em diferentes c\u00edrculos criativos, o que fez a coincid\u00eancia de seu interesse comum ainda mais fascinante.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma quest\u00e3o semelhante tem tamb\u00e9m estado em minha mente: &#8220;<em>Por que parece que n\u00e3o tem surgido nada de novo ou excitante publicado recentemente?<\/em>&#8221; ou, mais no ponto, &#8220;<em>Por que os livros ficaram t\u00e3o chatos?<\/em>&#8220;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 algumas semanas eu fui \u00e0 cidade de Nova Iorque para promover a minha fic\u00e7\u00e3o. Encontrei tr\u00eas editores e dois agentes e todos me disseram a mesma coisa: diga-me com que outros livros o seu livro se parece.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" width=\"3920\" height=\"2204\" src=\"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Childrens_books_at_a_library.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5583\" srcset=\"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Childrens_books_at_a_library.jpg 3920w, https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Childrens_books_at_a_library-120x67.jpg 120w, https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Childrens_books_at_a_library-250x141.jpg 250w, https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Childrens_books_at_a_library-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Childrens_books_at_a_library-800x450.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 3920px) 100vw, 3920px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Ningu\u00e9m queria nada novo. Todos queriam algo seguro. E todos eles queriam, principalmente, trabalhar com um escritor que j\u00e1 tivesse uma certa medida de aprova\u00e7\u00e3o nas redes sociais, publicado hist\u00f3rias em revistas etc. Claro que tudo se resumia a dinheiro, mas tamb\u00e9m ao que seria seguro. O que fizeram com a criatividade? O que aconteceu com o risco criativo? O que houve com a arte?<\/p>\n\n\n\n<p>Notei, tamb\u00e9m, que todos que eu encontrei eram mulheres jovens que tinham um interesse expresso em livros sobre mulheres e com um tema feminista. Talvez eu tenha mirado na turma errada. Certamente h\u00e1 editores \u00e0 direita que est\u00e3o contando hist\u00f3rias diferentes. Certamente h\u00e1 editores e autores l\u00e1 fora correndo riscos criativos. Mas onde est\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>Em 22 de julho, <a href=\"https:\/\/medium.com\/@AHLondonTX\">Leslie Loftis<\/a> publicou &#8220;A Falha da Narrativa&#8221; (<em>The Storytelling Gap<\/em>) no Arc.<\/p>\n\n\n\n<p>No artigo, Loftis n\u00e3o pergunta somente &#8220;<em>Por que h\u00e1 t\u00e3o poucos bons narradores na direita?<\/em>&#8221; mas, tamb\u00e9m, &#8220;<em>Por que as hist\u00f3rias de esquerda s\u00e3o t\u00e3o ruins?<\/em>&#8220;<sup id=\"fnref-5582-1\"><a class=\"jetpack-footnote\" href=\"#fn-5582-1\">1<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Loftis conclui que as narrativas progressistas e p\u00f3s-modernas que predominam em Hollywood e nos livros populares de hoje sofrem de duas limita\u00e7\u00f5es: elas n\u00e3o sabem como contar uma boa hist\u00f3ria, e quando contam uma, essas hist\u00f3rias elaboram sua pr\u00f3pria moral.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>&#8220;No passado eu teria posto a culpa em Hollywood e nos editores progressistas de esquerda. Eles esqueceram como contar hist\u00f3rias. Formados no relativismo, eles n\u00e3o entendem arqu\u00e9tipos, personagens ou hist\u00f3rias e pensam que todos podem ser dobrados para satisfazer a qualquer moralidade que esteja em voga.&#8221;<sup id=\"fnref-5582-2\"><a class=\"jetpack-footnote\" href=\"#fn-5582-2\">2<\/a><\/sup><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ela continua:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>&#8220;J\u00e1 me cansei de me sentar em um cinema, pagando pelo privil\u00e9gio de uma palestra de duas horas. Certamente eu n\u00e3o quero perder meu tempo <em>lendo<\/em> uma.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Embora a direita n\u00e3o compartilhe do desd\u00e9m esquerdista pelas estruturas narrativas, ela claramente compartilha do tom encorajador e prescritivo. Exceto que, enquanto as hist\u00f3rias da esquerda progressiva empurram sua pr\u00f3pria agenda, a direita parece empurrar historinhas felizes com &#8216;felizes para sempre&#8217; em um mundo descrito &#8216;do jeito que devia ser&#8217;, em vez de como \u00e9.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>&#8220;Hist\u00f3rias prescritivas &#8212; aquelas que mostram o mundo como ele deveria ser &#8212; rapidamente se tornam entendiantes. Seja um satisfat\u00f3rio conto com a marca da direita ou um daqueles progressistas e desafiadores &#8212; pense em livros como <em>Ash<\/em>, que tem uma Cinderela l\u00e9sbica &#8212; a fic\u00e7\u00e3o moderna est\u00e1 cheia de moralidades n\u00e3o t\u00e3o bem disfar\u00e7adas.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Coincidentemente, outro autor que signo, Vox Day, abordou os mesmos problemas e chegou a conclus\u00f5es bem parecidas. Ele concluiu que a escrita da esquerda reflete a m\u00e1 qualidade avassaladora da literatura p\u00f3s moderna. O que Loftis viu como um moralismo for\u00e7ado, Vox Day descreveu como &#8220;desencorajadora&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2>A Literatura P\u00f3s Moderna \u00e9 uma Escrita Ruim<\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sou do tipo de leitor que s\u00f3 gosta de ler obras profundas e intelectuais que me fazem bem. \u00c0s vezes eu gosto de ler livros leves que me fazem rir ou me oferecem um escapismo fr\u00edvolo.<\/p>\n\n\n\n<p>Adorei ler &#8220;Segredos Divinos da Irmandade de Yaya&#8221; (<em>Divine Secrets of the Yaya Sisterhood<\/em>), de Rebecca Wells, pelas risadas e anedotas. Tamb\u00e9m sou f\u00e3 de <a href=\"http:\/\/kittenholiday.com\/2017\/02\/07\/book-review-the-pussy-by-delicious-tacos\/delicious-tacos-book-3\">Delicious Tacos<\/a> por seu humor seco e o vislumbre que sua escrita nos oferece do lado mais escuro da lux\u00faria, do erotismo, do v\u00edcio e da monotonia.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 que o assunto da maior parte da literatura moderna seja ruim, \u00e9 mesmo a qualidade do texto propriamente dita. \u00c0s vezes \u00e9 bem dif\u00edcil at\u00e9 mesmo entender o que o autor est\u00e1 tentando dizer.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>&#8220;A literatura p\u00f3s-moderna \u00e9 literalmente uma salada de palavras. N\u00e3o \u00e9 boa. N\u00e3o \u00e9 profunda. \u00c9 infantil, \u00e9 superficial e \u00e9 feita para uma leve passada de olhos que lhe faz sentir algo. \u00c9 literalmente anti-intelectual. Voc\u00ea tem que desligar o seu c\u00e9rebro para tentar entender.&#8221;<br \/>&#8212; Vox Day.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Em <a href=\"http:\/\/voxday.blogspot.com\/2017\/07\/modern-literature-is-bad-writing.html\">A Literatura Moderna \u00e9 uma Escrita Ruim<\/a> Vox Day descreve o estilo de Cormac McCarthy, Annie Proulx e outros como:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>&#8220;S\u00f3 poesia ruim formatada para explorar os padr\u00f5es lenientes da prosa moderna. A obscuridade desta, que tem um toque infeliz de Dr. Seuss, \u00e9 feita para que os leitores se vejam compelidos a pensar que a mente do autor opera em um plano superior ao seu.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Tanto Loftis quanto Vox Day lamentam que \u00e0 escrita da esquerda falte habilidade. Ser\u00e1 que aos autores falta talento? N\u00e3o, na verdade essa incoer\u00eancia \u00e9 intencional.<\/p>\n\n\n\n<p>O p\u00f3s-modernismo adora quebrar as regras. Vem das artes visuais abstratas que desafiaram o espectador a encontrar a beleza sozinho. Uma grande tela vermelha. Um ponto negro em uma tela limpa. O artista n\u00e3o estava criando beleza ou se expressando. O artista punha a responsabilidade de entender a arte nas costas de quem a contemplava.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O que voc\u00ea v\u00ea?&#8221; Esta \u00e9 a piada recorrente entre os colecionadores de arte que percorrem os museus modernos olhando para pontos e manchas de tinta, r\u00f3tulos de latas e pedestais vazios.<\/p>\n\n\n\n<p>A ansiedade da influ\u00eancia n\u00e3o \u00e9 mais sofrida pelo artista que derrama sua alma em seu trabalho em uma tentativa de infundir-lhe significado e relev\u00e2ncia de uma maneira original. Em vez disso, a ansiedade da influ\u00eancia \u00e9 transferida ao espectador que deve &#8220;entender o inintelig\u00edvel&#8221;, encontrar sentido no absurdo.<\/p>\n\n\n\n<p>Que os c\u00e9us o ajudem se voc\u00ea n\u00e3o entender que as manchas de tinta s\u00e3o um desafio radical ao modernismo e \u00e0 arte contempor\u00e2nea. A maior das caretas de desprezo lhe ser\u00e1 dirigida se voc\u00ea disser que n\u00e3o foi &#8220;comovido&#8221; pela tela preta que lhe mostra tudo e nada. Porque tudo \u00e9 nada e nada \u00e9 tudo. Como voc\u00ea pode n\u00e3o entender isso, seu imbecil?<\/p>\n\n\n\n<p>Vem dessa elite art\u00edstica autorreferente a distin\u00e7\u00e3o entre arte liter\u00e1ria, oposta \u00e0 arte para o mercado de massas. A arte liter\u00e1ria \u00e9 para intelectuais, enquanto a arte de massas \u00e9 para plebeus. A arte liter\u00e1ria \u00e9 mais do que hist\u00f3rias, \u00e9 poesia. Ela \u00e9 um coment\u00e1rio do mundo em si mesma. Quebra as regras da narrativa e da estrutura como uma forma de rebeli\u00e3o? Voc\u00ea n\u00e3o entende?<\/p>\n\n\n\n<p>Em outras palavras, \u00e9 um amontoado de palavras e frases, vagamente formando uma ideia ou personagem, e se voc\u00ea n\u00e3o entende, ou n\u00e3o finge que entende, voc\u00ea n\u00e3o pode ser parte do clube.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O seu estilo n\u00e3o \u00e9 feito para ser lido palavra a palavra para ser entendido.&#8221; Diz Vox Day em seu v\u00eddeo &#8220;<a href=\"https:\/\/www.pscp.tv\/voxday\/1mrGmmdXoQLGy?t=0\">O Mal Incoerente<\/a>.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>De maneira independente, tanto Loftis quanto Vox Day concluem que os problemas com a literatura de esquerda s\u00e3o dois:<\/p>\n\n\n\n<ol><li>Falta-lhe entendimento da t\u00e9cnica narrativa necess\u00e1ria para contar uma boa hist\u00f3ria (Loftis), ou resite a ela (Vox Day)<\/li><li>As hist\u00f3rias s\u00e3o limitadas por sua moraliza\u00e7\u00e3o (Loftis) ou s\u00e3o ativamente desencorajadoras (Vox Day).<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>Apesar de suas observa\u00e7\u00f5es parecidas sobre os problemas da falta de habilidade e de bom senso na literatura de esquerda, Vox Day e Loftis chegaram a duas conclus\u00f5es bem diferentes sobre como a direita deveria responder.<\/p>\n\n\n\n<p>Loftis desafia escritores e editores de direita a escrever hist\u00f3rias mais descritivas, mais representativas da experi\u00eancia humana, n\u00e3o censurando as partes desagrad\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>&#8220;Intuitivamente entendemos aquilo que as hist\u00f3rias do mundo-como-\u00e9 nos oferecem. Queremos hist\u00f3rias reais. Por\u00e9m, os editores e produtores empurram hist\u00f3rias prescritivas, pensando que isso \u00e9 o que as pessoas querem, ou que seja seu dever moral dar ao p\u00fablico a sua interpreta\u00e7\u00e3o de como as coisas deveriam ser.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O motivo? Por que a vida n\u00e3o \u00e9 arrumadinha e f\u00e1cil de organizar do jeito que as hist\u00f3rias encorajadoras sugerem. Se nos mostram o mundo somente atrav\u00e9s dessas lentes rosadas, estaremos despreparados para enfrentar a realidade de nossas vidas, que n\u00e3o se parecem nada com uma par\u00e1bola encorajadora.<sup id=\"fnref-5582-3\"><a class=\"jetpack-footnote\" href=\"#fn-5582-3\">3<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Vox Day n\u00e3o v\u00ea problema nas hist\u00f3rias encorajadoras da direita. Na verdade ele argumenta que \u00e9 o nosso dever usar a literatura para encorajar e apresentar os valores pelos quais lutamos, como um ant\u00eddoto para as narrativas desencorajadoras da esquerda.<\/p>\n\n\n\n<p>Vox Day pergunta aos que seguem seus v\u00eddeos, &#8220;Qual o prop\u00f3sito dos contos de fadas?&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O prop\u00f3sito dos contos de fadas (ou da literatura) n\u00e3o \u00e9 serem descritivos, como Loftis sugere. N\u00e3o \u00e9 nos mostrar o mundo (real ou imagin\u00e1rio). Referindo-se \u00e0 defesa dos contos de fadas feita por C. S. Lewis, Vox Day nos lembra que o prop\u00f3sito dos contos de fadas \u00e9 nos ensinar li\u00e7\u00f5es sobre o mundo que possam ser aplicadas em nossas vidas.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>&#8220;O motivo pelo qual os contos de fadas existem n\u00e3o \u00e9 contar \u00e0s crian\u00e7as que drag\u00f5es existem. As crian\u00e7as sabem que drag\u00f5es existem. \u00c9 dizer \u00e0s crian\u00e7as que drag\u00f5es podem ser mortos. \u00c9 encorajar.&#8221;<sup id=\"fnref-5582-4\"><a class=\"jetpack-footnote\" href=\"#fn-5582-4\">4<\/a><\/sup><br \/>&#8212; Vox Day.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A literatura p\u00f3s-moderna, em contraste, est\u00e1 a\u00ed para desencorajar. As narrativas p\u00f3s-modernas nos dizem duas coisas atrav\u00e9s do estilo e do conte\u00fado de seu texto:<\/p>\n\n\n\n<ol><li>Nada importa.<\/li><li>Siga seu cora\u00e7\u00e3o.<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>&#8220;Ambas s\u00e3o mensagens fundamentalmente malignas&#8221; &#8212; diz-nos Vox Day.<\/p>\n\n\n\n<p>As narrativas de esquerda &#8220;desanimam, desqualificam, isolam e desencorajam&#8221; o leitor. As hist\u00f3rias a que ele d\u00e1 valor, e eu imagino que as hist\u00f3rias que ele quer mais ler, s\u00e3o as que fazem o oposto. Elas servem a um prop\u00f3sito de animar, motivar, incluir e encorajar.<\/p>\n\n\n\n<h2>Se Escrevemos para Mostrar o Mundo como Deveria Ser, Por que Lemos?<\/h2>\n\n\n\n<p>Como leitor, eu concordo com Leslie Loftis. Estou um tanto cansado de hist\u00f3rias desmoralizantes que tentam me dizer o que devo pensar e como me comportar, venham da direita ou da esquerda. Al\u00e9m disso, eu n\u00e3o quero limitar minha leitura a hist\u00f3rias &#8220;boas&#8221; que t\u00eam os conceitos &#8220;certos&#8221; e isolar-me de hist\u00f3rias &#8220;malignas&#8221; ou que tenham &#8220;ideias m\u00e1s&#8221;. Quero ler livros que me exponham a coisas que eu posso encontrar na minha vida quotidiana, para o bem ou para o mal. Se h\u00e1 ideias &#8220;boas&#8221; ou &#8220;ruins&#8221; nelas, quero chegar \u00e0s minhas pr\u00f3prias conclus\u00f5es, muito obrigado.<\/p>\n\n\n\n<p>Tampouco quero me limitar a hist\u00f3rias objetivas e descritivas. De fato eu quero distor\u00e7\u00e3o. Quero opini\u00f5es. Quero sentimentos. Mas muito. Quero verdadeira diversidade de ideias e de perspectivas. Quero ser desafiado e estimulado. Quanto mais, melhor. N\u00e3o tenho que concordar, quero \u00e9 ver o que voc\u00ea v\u00ea, sentir o que voc\u00ea sente, saber o que voc\u00ea sabe.<\/p>\n\n\n\n<p>Um livro bom me extrai de meu mundo e me insere no seu mundo. Enquanto estou ali, suspendo minha descren\u00e7a e ent\u00e3o fico imerso no livro. As tribula\u00e7\u00f5es do protagonistas se tornam as minhas enquanto leitor. Eu vivo os desafios, sucessos e aventuras do protagonista enquanto leio. A literatura e a arte n\u00e3o deviam nos dizer o que pensar. Ela n\u00e3o mapeia a vida como um manual de instru\u00e7\u00f5es. A boa literatura e a arte devem apenas fazer-nos pensar. Fazer-nos questionar, duvidar e perguntar por qu\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema n\u00e3o \u00e9 que a literatura de hoje seja prescritiva, \u00e9 que ela est\u00e1 contando a mesma hist\u00f3ria muitas vezes, e sempre com a mesma li\u00e7\u00e3o. \u00c9 chato. N\u00e3o tem originalidade. \u00c9 tedioso. Ent\u00e3o, se ela chega a conclus\u00f5es erradas, me ofendo que o fa\u00e7a t\u00e3o mal!<sup id=\"fnref-5582-5\"><a class=\"jetpack-footnote\" href=\"#fn-5582-5\">5<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>A qualidade da escrita tem sido depreciada \u00e0 medida que o pr\u00f3prio autor se tornou uma estrela. O status pessoal do escritor, minoria, v\u00edtima, ou qualquer status necess\u00e1rio para torn\u00e1-lo um autor\/celebridade, vem antes da habilidade, do estilo, do tema e da arte da escrita.<\/p>\n\n\n\n<p>Para mostrar-nos qu\u00e3o ruim a escrita ficou, Vox Day desafia seus leitores com <a href=\"http:\/\/voxday.blogspot.com\/2017\/07\/which-is-true-text-order.html\">um jogo<\/a>. Ele tirou uma passagem do livro que ganhou o National Book Awar de 1985 e dividiu a passagem em quinze sequ\u00eancias baseadas na pontua\u00e7\u00e3o e as embaralhou duas vezes. Ent\u00e3o ele pediu aos leitores que adivinhassem qual par\u00e1grafo aleat\u00f3rio era o original. Ele descobriu que os leitores escolhiam qualquer par\u00e1grafo porque todos pareciam sem sentido.<sup id=\"fnref-5582-6\"><span class=\"removed_link\" title=\"#fn-5582-6\">6<\/span><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Vox Day cita Robert Hass, da New York Times Review of Books, escrevendo a respeito de &#8220;A Travessia&#8221;, de Cormac McCarthy:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>&#8220;Espera-se que o leitor seja levado pelo fluxo da linguagem&#8230; \u00c9 uma quest\u00e3o de escrita direta, uma acumula\u00e7\u00e3o estonteante de ora\u00e7\u00f5es compostas, agu\u00e7adas com v\u00edrgulas e com uma repeti\u00e7\u00e3o sedutora de palavras&#8230; Uma vez que o estilo esteja estabelecido, firme, levemente hipn\u00f3tico, a clareza e a sinuosidade das frases&#8230; chega \u00e0 magia.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O que Hass descreve como uma &#8220;magia levemente hipn\u00f3tica&#8221; eu experimentei como um ru\u00eddo prazeroso, mas cada um com o seu.<\/p>\n\n\n\n<p>A literatura p\u00f3s-moderna &#8220;n\u00e3o \u00e9 nem mesmo feita para ser lida, apenas para ser percorrida atrav\u00e9s das impress\u00f5es superficiais causadas pelas palavras.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Como Loftis e Vox Day, estou faminto por literatura bem escrita, provocante, evocativa e inspiradora, mas sem a salada de palavras sem sentido. Quero ler hist\u00f3rias que tenham sentido e relev\u00e2ncia. Quero ler autores com carisma, perspectiva e entendimento. Quer o fa\u00e7am atrav\u00e9s de um sentimento, um personagem, um lugar no tempo, um ambiente, um conflito ou qualquer outra ferramenta criativa, eu n\u00e3o me importo &#8212; enquanto me fa\u00e7a pensar. N\u00e3o me importa nem mesmo se a mensagem \u00e9 estimulante (ou n\u00e3o). Quero crer que n\u00e3o sou t\u00e3o suscet\u00edvel a prescri\u00e7\u00f5es dos outros que abandonarei meu pensamento e adotarei rapidamente suas ideias s\u00f3 porque li um livro controverso, hedonista e auto-indulgente.<\/p>\n\n\n\n<ul><li><a href=\"https:\/\/medium.com\/@AHLondonTX\">Leslie Loftis no Medium<\/a> e <a href=\"https:\/\/medium.com\/iron-ladies\">sua editora<\/a><\/li><li><a href=\"http:\/\/voxday.blogspot.com\">Blog de Vox Day<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.castaliahouse.com\/authors\/vox-day\">seu editor<\/a><\/li><li><a href=\"http:\/\/kittenholiday.com\">Kitten Holiday<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/writingcooperative.com\/modern-literature-is-nothing-more-than-an-anti-intellectual-word-salad-6952a0f5b759\">Artigo<\/a> originalmente publicado no <a href=\"https:\/\/writingcooperative.com\">Writing Cooperative<\/a><\/li><\/ul>\n\n\n\n<div class=\"footnote\">\n<ol>\n<li id=\"fn-5582-1\">Entre as muitas quest\u00f5es relevantes levantadas por este artigo, que certamente causar\u00e3o celeuma entre os autores brasileiros, est\u00e1 esta desavergonhada classifica\u00e7\u00e3o dos autores entre os de &#8220;esquerda&#8221; e os de &#8220;direita&#8221;. Aqui em nosso pa\u00eds a ideia de misturar pol\u00edtica e arte soa sempre ofensiva e eu mesmo j\u00e1 colhi coment\u00e1rios bastante fortes em meu blog por faz\u00ea-lo.&nbsp;<a href=\"#fnref-5582-1\">\u21a9<\/a><\/li>\n<li id=\"fn-5582-2\">Parece-me aqui que Leslie Loftis est\u00e1 atacando a reelabora\u00e7\u00e3o de arqu\u00e9tipos para satisfazer a causas identit\u00e1rias, como, por exemplo, o &#8220;Homem de Ferro&#8221; se tornar uma &#8220;mulher negra&#8221; ou o arqu\u00e9tipo do her\u00f3i ser invertido para um papel feminino, sem considerar os limites disso. N\u00e3o sei se concordo totalmente com o que Loftis diz.&nbsp;<a href=\"#fnref-5582-2\">\u21a9<\/a><\/li>\n<li id=\"fn-5582-3\">Nesse ponto eu creio que Pedro Nunes d\u00e1 uma risada.&nbsp;<a href=\"#fnref-5582-3\">\u21a9<\/a><\/li>\n<li id=\"fn-5582-4\">Essa cita\u00e7\u00e3o do Vox Day foi, simplesmente, a coisa mais bonita a respeito de literatura que eu li esse ano.&nbsp;<a href=\"#fnref-5582-4\">\u21a9<\/a><\/li>\n<li id=\"fn-5582-5\">Acredito que o autor quis dizer que uma boa e bem escrita hist\u00f3ria, se defende uma ideia ruim ou chega a conclus\u00f5es equivocadas, <em>pelo menos \u00e9 uma boa hist\u00f3ria<\/em>.&nbsp;<a href=\"#fnref-5582-5\">\u21a9<\/a><\/li>\n<li id=\"fn-5582-6\">Que tal fazermos esse jogo com os nossos livros?&nbsp;<a href=\"#fnref-5582-6\">\u21a9<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tradu\u00e7\u00e3o do artigo de Kitten Holiday para o Writing Cooperative, com autoriza\u00e7\u00e3o. Esta semana dois autores de meu c\u00edrculo estavam preocupados com a mesma quest\u00e3o: Por que a literatura moderna \u00e9 t\u00e3o ruim? Pelo que eu sei, esses dois autores n\u00e3o se conhecem. Eles est\u00e3o em c\u00edrculos pol\u00edticos parecidos (direitistas, conservadores) mas em diferentes c\u00edrculos criativos, o que fez a coincid\u00eancia de seu interesse comum ainda mais fascinante. Uma quest\u00e3o semelhante tem tamb\u00e9m estado em minha mente: &#8220;Por que parece que n\u00e3o tem surgido nada [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5583,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[181,185],"tags":[20,55,24,215,57],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5582"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5582"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5582\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6726,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5582\/revisions\/6726"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5583"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5582"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5582"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5582"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}