{"id":575,"date":"2007-05-02T15:00:00","date_gmt":"2007-05-02T18:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=575"},"modified":"2017-11-02T14:10:11","modified_gmt":"2017-11-02T17:10:11","slug":"teresa-e-o-ponei","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2007\/05\/teresa-e-o-ponei\/","title":{"rendered":"Teresa e o P\u00f4nei"},"content":{"rendered":"<p>Teresa era uma menina de apartamento. Como toda crian\u00e7a ela gostava de bichinhos, n\u00e3o s\u00f3 dos de pel\u00facia mas dos de verdade tamb\u00e9m. Teresa gostava muito de passarinhos e de cavalos: seu grande sonho era um dia poder cavalgar um p\u00f4nei pelo pasto afora, sentindo o vento nos cabelos e o sol no rosto.<\/p>\n<p>Mas o apartamento \u00e9 um lugar pequeno: ali n\u00e3o d\u00e1 para ter um cavalo. Coitado do bichinho! Onde ele pastaria? Em que riacho poderia brincar?<\/p>\n<p>Teresa at\u00e9 pensou em pedir que sua mam\u00e3e lhe desse uma gaiola de passarinho, mas pensou: que tristeza o pobrezinho ficar preso numa coisa t\u00e3o pequenina como uma gaiola, logo ele que pode voar, que gosta de brincar por toda parte.<\/p>\n<p>Quando Teresa pensava na tristeza do passarinho engaiolado ela pensava tamb\u00e9m um pouquinho em si mesma: como se sentia triste por ficar tanto tempo dentro de casa, longe das outras crian\u00e7as, longe das flores, dos riachos e dos bichinhos. Por isso mesmo Teresa n\u00e3o queria ter um passarinho na gaiola.<\/p>\n<p>Mas Teresa vivia triste e pensativa, sonhando em poder cavalgar pelo pasto no lombo de um cavalinho, poder colher flores, tomar banho de riacho, brincar na terra com outras crian\u00e7as, longe das paredes cinzentas dos pr\u00e9dios da cidade, esses caixotes de guardar gente.<\/p>\n<p>Um dia o pai de Teresa voltou da rua com uma caixa grande, toda colorida. Quando Teresa rasgou o embrulho n\u00e3o conseguia acreditar: seu papai tinha comprado um p\u00f4nei de brinquedo, t\u00e3o grande que ela podia montar nele! O p\u00f4nei tinha tamb\u00e9m rodinhas nos p\u00e9s, at\u00e9 dava para Teresa fingir que estava cavalgando pela casa.<\/p>\n<p>Desde esse dia Teresa passou a ser um pouquinho mais feliz. Ainda n\u00e3o havia cavalgado pelo pasto no lombo de um cavalinho de verdade, mas pelo menos tinha seu p\u00f4nei de brinquedo \u2014 e com ele ela podia fingir que estava pelas montanhas afora, andando entre flores e animaizinhos.<\/p>\n<p>Mas o tempo foi passando e Teresa perdeu a gra\u00e7a de brincar com o p\u00f4nei, ele foi ficando l\u00e1 num canto do quarto e Teresa voltou a ficar pensativa.<\/p>\n<p>Um dia ela estava t\u00e3o triste de vontade de poder passear a cavalo que foi dormir chorando, baixinho para os seus pais n\u00e3o ouvirem.<\/p>\n<p>Mas Deus ouviu e resolveu dar uma pequena alegria para Teresa. Ele mandou que um anjinho muito brincalh\u00e3o fosse levar um sonho colorido para a menina. S\u00f3 que o anjinho resolveu fazer diferente: em vez de dar um sonho bonito para Teresa ele a acordou de mansinho no meio da noite e lhe mostrou o cavalinho de brinquedo:<\/p>\n<p>\u2014 Venha, Teresa. Porque essa noite voc\u00ea vai andar a cavalo, vai ver flores, vai ver os bichinhos\u2026<\/p>\n<p>Teresa, ainda meio com sono, montou no p\u00f4nei de brinquedo, e ent\u00e3o o anjinho deu um beijo na testa do cavalinho e ele come\u00e7ou a se mexer! Virou um p\u00f4nei de verdade, com um longa crina negra e um par de imensas asas castanhas, escuras como seu p\u00ealo.<\/p>\n<p>Teresa nem teve tempo de se assustar: o p\u00f4nei bateu as asas e saiu voando, voando, alto bem alto acima das luzes da cidade e das nuvens. Teresa olhou para baixo e teve at\u00e9 medo, de t\u00e3o alto que estava: l\u00e1 embaixo os carros pareciam baratinhas e as pessoas pareciam formigas.<\/p>\n<p>O p\u00f4nei voou para al\u00e9m das montanhas altas e foi at\u00e9 o mar. L\u00e1 ele baixou para que Teresa pudesse estender a m\u00e3ozinha e tocar a \u00e1gua fria e salgada do mar. Teresa levou o dedinho a boca e viu que a \u00e1gua era salgada mesmo, como uma l\u00e1grima.<\/p>\n<p>Depois o p\u00f4nei voou de novo atrav\u00e9s das montanhas, parou num lugar muito alto, cheio de cachoeiras, onde cresciam muitas flores diferentes, com perfumes estranhos. Teresa colheu algumas e fez um lindo ramalhete para sua mam\u00e3e, ent\u00e3o montou de novo e seguiu passeando.Para al\u00e9m das montanhas havia uma grande mancha escura no ch\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 Voc\u00ea sabe o que \u00e9 aquilo? \u2014 perguntou o p\u00f4nei.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o sei, mas tenho medo \u2014 disse Teresa.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o tenha medo, pois \u00e9 l\u00e1 naquele lugar escuro que existem as coisas mais bonitas.<\/p>\n<p>E desceu at\u00e9 a escurid\u00e3o. Quando chegou perto Teresa viu que era uma floresta enorme, onde ainda n\u00e3o havia ruas e nem pr\u00e9dios. Dentro dela passava uma fita brilhante que Teresa logo percebeu que era um riachinho.<\/p>\n<p>O p\u00f4nei pousou junto ao riacho, bem perto de onde havia um bichinho esquisito bebendo \u00e1gua. Teresa teve medo do bichinho, mas o p\u00f4nei lhe disse para chegar perto:<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o tenha medo.<\/p>\n<p>\u2014 Mas eu n\u00e3o quero assustar. Ele \u00e9 t\u00e3o bonitinho. Parece um rato com cara de gato, ou ser\u00e1 um porco com cara de rato?<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 uma capivara, Teresa \u2014 disse o p\u00f4nei.<\/p>\n<p>Teresa achou o nome do bicho muito engra\u00e7ado e deu uma risada. Justo nesse momento ela lembrou de casa e disse ao p\u00f4nei:<\/p>\n<p>\u2014 Xi, temos que voltar! Se mam\u00e3e n\u00e3o me v\u00ea na cama ela vai ficar muito assustada!<\/p>\n<p>Ent\u00e3o o p\u00f4nei a levou de volta para casa. Teresa escondeu os chinelos sujos de barro debaixo da cama e foi dormir de novo.<\/p>\n<p>No dia seguinte quando acordou n\u00e3o havia sinais de barro nos chinelos e nem o ramalhete que trouxera para a mam\u00e3e estava em cima da escrivaninha, mas havia ainda um aroma delicioso que ela nem sabia direito do que era, pois n\u00e3o era de nenhum perfume.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Teresa era uma menina de apartamento. 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