{"id":5805,"date":"2018-02-14T12:00:06","date_gmt":"2018-02-14T15:00:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=5805"},"modified":"2019-06-05T21:48:25","modified_gmt":"2019-06-06T00:48:25","slug":"desinformacao-sobre-preconceito-linguistico-nova-batalha-da-guerra-da-pos-modernidade-contra-a-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2018\/02\/desinformacao-sobre-preconceito-linguistico-nova-batalha-da-guerra-da-pos-modernidade-contra-a-ciencia\/","title":{"rendered":"Desinforma\u00e7\u00e3o sobre \u201cPreconceito Lingu\u00edstico\u201d: Nova Batalha da Guerra da P\u00f3s-Modernidade contra a Ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"\n<p>O termo \u201cpreconceito lingu\u00edstico\u201d \u00e9 a bola da vez nos debates dos grupos mais \u201ccult\u201d das redes sociais. Somente nas \u00faltimas duas semanas houve tr\u00eas enormes tretas sobre isso no Facebook. Parece que o conceito est\u00e1 finalmente chegando a um conhecimento mais geral \u2014 e isso est\u00e1 incomodando certos tipos de reacion\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Em alguns casos os coment\u00e1rios sobre o assunto s\u00e3o claramente desonestos e abusivos, t\u00edpicos de uma direita que <i>est\u00e1 ousando dizer seu nome<\/i>, mas h\u00e1 outros que parecem bem-intencionados, apenas movidos por desinforma\u00e7\u00e3o incutida por uma difus\u00e3o distorcida dos conceitos da lingu\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu n\u00e3o sou um linguista, mas o pouco que sei da mat\u00e9ria \u00e9 suficiente para perceber de quantas maneiras maliciosas os seus conceitos v\u00eam sendo deformados para consumo das massas, o que parece mais uma batalha da guerra da ideologia contra as ci\u00eancias em geral.<\/p>\n\n\n\n<h2>Da incompreens\u00e3o do que \u00e9 \u201cpreconceito lingu\u00edstico\u201d<\/h2>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright\"><a href=\"https:\/\/www.deviantart.com\/art\/Sit-Down-Stand-Up-44426482\"><img src=\"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/sit_down__stand_up_by_maddeningspark-300x233.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5806\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Acredito que alguns bem intencionados propaguem a tese do combate aos que falam em \u201cpreconceito lingu\u00edstico\u201d, mas a pr\u00f3pria avers\u00e3o ao tema se baseia em uma compreens\u00e3o insuficiente do que ele seria. Tal incompreens\u00e3o \u00e9 muito difundida no Brasil porque, em uma sociedade de classes como a nossa, a l\u00edngua \u00e9 um elemento de domina\u00e7\u00e3o social entre muitos. Aqueles que det\u00eam a \u201ctecnologia\u201d da l\u00edngua \u201ccorreta\u201d procuram exercer controle sobre ela e a utilizam para asseverar supostas posi\u00e7\u00f5es de domina\u00e7\u00e3o. Por isso difundem deliberadamente desinforma\u00e7\u00e3o sobre temas cient\u00edficos (no caso, lingu\u00edstica), a fim de turvar o que \u00e9 claro e causar confus\u00e3o sobre aquilo que \u00e9 simples. Parece-me que voc\u00ea acabou v\u00edtima dessa desinforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>T\u00e3o grande \u00e9 a desinforma\u00e7\u00e3o que o termo \u201cpreconceito lingu\u00edstico\u201d foi apropriado por bandeiras reacion\u00e1rias, retirado de seu contexto acad\u00eamico original e ressignificado em um sentido totalmente esdr\u00faxulo em rela\u00e7\u00e3o ao originalmente proposto. E isso foi feito com tanta profundidade que quando uma pessoa que entende minimamente do assunto tenta trazer o debate aos eixos ela acaba acusada de subverter o debate e introduzir complexidade desnecess\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<h2>Breve defini\u00e7\u00e3o do tema<\/h2>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, a lingu\u00edstica n\u00e3o \u00e9 uma ci\u00eancia nova e nem de esquerda. Ela tem pelo menos duzentos anos de idade e se baseia em trabalhos de cientistas de v\u00e1rias origens.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPreconceito lingu\u00edstico\u201d \u00e9 um termo exot\u00e9rico empregado por alguns linguistas, mais recentemente, para qualificar formas de controle social atrav\u00e9s da l\u00edngua. N\u00e3o existe somente <i>um<\/i> tipo de preconceito lingu\u00edstico, mas v\u00e1rios. \u00c9 um fen\u00f4meno hist\u00f3rico observado. Para espanto de muitos puristas seria interessante lembrar que a l\u00edngua portuguesa no Brasil, <i>no momento atual<\/i>, enfrenta alguns dos efeitos causados pelo preconceito lingu\u00edstico (no caso ex\u00f3geno e tamb\u00e9m end\u00f3geno).<\/p>\n\n\n\n<p>A indigna\u00e7\u00e3o contra o \u201cpreconceito lingu\u00edstico\u201d \u00e9 um tiro contra um alvo errado. A abordagem das varidades lingu\u00edsticas pela ci\u00eancia da lingu\u00edstica n\u00e3o tem por objetivo desestimular o ensino da norma culta, mas potencializ\u00e1-lo <i>atrav\u00e9s da identifica\u00e7\u00e3o dos gargalos do aprendizado e da recomenda\u00e7\u00e3o de abordagens cient\u00edficas para resolv\u00ea-los.<\/i><\/p>\n\n\n\n<h2>O conceito de \u201cl\u00edngua viva\u201d segundo a lingu\u00edstica<\/h2>\n\n\n\n<p>A lingu\u00edstica n\u00e3o desdenha da gram\u00e1tica normativa, mas diz que a l\u00edngua formal, por ela regida, \u00e9 s\u00f3 um dos aspectos da l\u00edngua viva. Que isto \u00e9 verdade, n\u00e3o carece sequer de muita experi\u00eancia. Duvido que todos n\u00f3s, mesmo os mais \u201cpuristas\u201d no uso do idioma, consigamos usar a l\u00edngua, oralmente, mantendo absoluta fidelidade aos preceitos da gram\u00e1tica normativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso n\u00e3o acontece porque n\u00e3o sabemos falar. <i>Todo falante nativo de um idioma \u00e9 plenamente competente nele.<\/i> Isso decorre de um fen\u00f4meno chamado <i>diglossia<\/i>, que consiste na divis\u00e3o das l\u00ednguas vivas entre uma variedade viva, o vern\u00e1culo, e uma variedade codificada, a l\u00edngua formal. Isso existe desde os tempos antigos. O latim tinha o <i>sermo urbanus<\/i> (latim cl\u00e1ssico) e o <i>sermo vulgaris<\/i> (latim vulgar). O grego tinha o <i>koin\u00e9 hellenikos<\/i> (grego comum) e os diferentes dialetos.<\/p>\n\n\n\n<p>A variedade formal se origina da l\u00edngua viva e representa um momento de sua evolu\u00e7\u00e3o no tempo e no espa\u00e7o geogr\u00e1fico, que se toma por padr\u00e3o a fim de se criar um ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o mais duradouro e abrangente. Assim como os estados modificam suas fronteiras e suas estruturas pol\u00edticas ao longo do tempo, as l\u00ednguas formais evoluem porque est\u00e3o vinculadas \u00e0s estruturas de poder que as promovem.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o tempo, se o sistema educacional n\u00e3o \u00e9 eficaz \u2014 ou se o territ\u00f3rio onde a l\u00edngua \u00e9 falada recai sob o dom\u00ednio de um estado que promove l\u00edngua diferente \u2014 pode haver um descolamento t\u00e3o grande entre a l\u00edngua falada e a escrita que a primeira se torna um novo idioma e a segunda morre. Foi assim que as l\u00ednguas rom\u00e2nicas nasceram e o latim deixou de ser falado.<\/p>\n\n\n\n<h2>A \u201cculpa\u201d pela degrada\u00e7\u00e3o da l\u00edngua<\/h2>\n\n\n\n<p>A solu\u00e7\u00e3o para isso n\u00e3o \u00e9 culpar os falantes da forma vulgar por destru\u00edrem a beleza pura da l\u00edngua ideal \u2014 \u00e9 ensinar-lhes a l\u00edngua formal de maneira eficiente, para frear parcialmente a deriva l\u00e9xica e sem\u00e2ntica entre as duas formas. Em uma situa\u00e7\u00e3o ideal, a l\u00edngua formal evolui devagar e a l\u00edngua vulgar n\u00e3o evolui t\u00e3o depressa.<\/p>\n\n\n\n<p>A valoriza\u00e7\u00e3o do dialeto, na abordagem cient\u00edfica do ensino da l\u00edngua formal, n\u00e3o tem por objetivo abolir a diferen\u00e7a entre certo e errado, mas reconhecer que a l\u00edngua formal ensinada ao aluno <i>n\u00e3o \u00e9 id\u00eantica<\/i> \u00e0quela que aprendeu em casa e que usa diariamente. Reconhecer essa diferen\u00e7a \u00e9 o passo inicial para convencer o aluno a separar adequadamente os dois universos (h\u00e1 coisas que se pode falar, mas n\u00e3o escrever, h\u00e1 coisas que se pode dizer em certos lugares, mas n\u00e3o em outros). O objetivo final disso \u00e9 impedir que as varia\u00e7\u00f5es dialetais regionais (discordantes entre si) interfiram no dom\u00ednio pleno da l\u00edngua formal, que deve ter abrang\u00eancia nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>O melhor que se pode fazer a uma pessoa \u00e9 ensinar-lhe o que precise aprender. Corrigir sem ensinar \u00e9 apenas uma forma de humilhar. Embora voc\u00ea n\u00e3o se d\u00ea conta disso, esse pensamento de sacraliza\u00e7\u00e3o da norma culta se baseia em um gr\u00e3ozinho de preconceito, que voc\u00ea deveria come\u00e7ar a pensar em limar. Principalmente porque o purismo \u00e9 um sintoma de l\u00ednguas doentes.<\/p>\n\n\n\n<h2>A hipocrisia da classe m\u00e9dia falante do \u201cportugu\u00eas certo\u201d<\/h2>\n\n\n\n<p>O que mant\u00e9m as pessoas na ignor\u00e2ncia n\u00e3o \u00e9 a falta de quem lhes corrija em p\u00fablico e os humilhe na frente de seus pares, \u00e9 a falta de quem valorize boas pol\u00edticas p\u00fablicas de educa\u00e7\u00e3o, que prestigie o trabalho dos professores, que vote em pol\u00edticos que proponham investimentos em educa\u00e7\u00e3o, que apoie a gest\u00e3o escolar. O Brasil n\u00e3o precisa de quem saia por a\u00ed de caneta vermelha \u00e0 m\u00e3o para emender as falas dos outros. Isso \u00e9 meio arrogante e \u00e9, sim, algo preconceituoso.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o custa lembrar que os quatro governantes brasileiros que prometeram ou executaram investimentos massivos em educa\u00e7\u00e3o foram depostos pouco depois: D. Pedro II, Get\u00falio Vargas, Jo\u00e3o Goulart e Dilma Rousseff. Outros que tentaram eleger-se sobre a bandeira do ensino p\u00fablico e universal de qualidade n\u00e3o conseguiram eleger-se (Rui Barbosa, Marechal Lott, Crist\u00f3vam Buarque).<\/p>\n\n\n\n<p>A hipocrisia real est\u00e1 no fato de que o sistema educacional brasileiro baseado no uso predominante (ou exclusivo) da gram\u00e1tica normativa existe h\u00e1 cem anos e produziu essa maioria de semiletrados que voc\u00ea mesma identifica. Por que h\u00e1 tanta gente que acredita que insistir nessa abordagem resultar\u00e1 em algo diferente?<\/p>\n\n\n\n<p>Essas pessoas que culpam os pobres e os ignorantes pela sua pobreza e pela sua ignor\u00e2ncia s\u00e3o, frequentemente, as mesmas que financiam e que d\u00e3o votos a candidatos que combatem a educa\u00e7\u00e3o e apoiam o obscurantismo. S\u00e3o os que sa\u00edram \u00e0s ruas vestidos de pato para derrubar a presidenta que prometera usar os recursos da explora\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal para dar um \u201csalto de qualidade\u201d na educa\u00e7\u00e3o brasileira em vinte anos. A promessa que Juscelino Kubitschek fizera em seu discurso de despedida da presid\u00eancia, em 1960.<\/p>\n\n\n\n<p>Estas mesmas pessoas que corrigem os pobres e os ignorantes, mas n\u00e3o est\u00e3o prontas a ensinar-lhes e nem votam em quem se proponha a ensinar-lhes, est\u00e3o, sim, prontas a zombar deles pelas costas e a puxar seu tapete na carreira profissional.<\/p>\n\n\n\n<p>A suprema hipocrisia reside em ser essa camada da sociedade a que mais assimila e difunde barbarismo l\u00e9xico (<i>top<\/i>, <i>vibe<\/i>), hibridismo injustific\u00e1vel (<i>topzera<\/i>, <i>printar<\/i>) e terminologia estrangeira (<i>mansplaining<\/i>, <i>coaching<\/i>). O que s\u00f3 faz embasar o senso comum, segundo o qual a l\u00edngua de prest\u00edgio n\u00e3o \u00e9 a da literatura, mas qualquer que seja falada pelas classes dominantes.<\/p>\n\n\n\n<h2>Formas de preconceito lingu\u00edstico<\/h2>\n\n\n\n<p>O preconceito lingu\u00edstico assume muitas formas, uma delas \u00e9 a de julgar uma pessoa pelo que escreve ou pelo que fala. Para atender aos preconceitos lingu\u00edsticos esse pa\u00eds est\u00e1 cheio de pessoas vazias que enfeitam (enfeiam?) seu texto com palavras preciosas a fim de <i>parecerem<\/i> ter uma \u201cintelig\u00eancia\u201d que n\u00e3o tem, e se sentem superiores por exibirem essa cultura posti\u00e7a, cheia de jarg\u00e3o inadequado ao contexto. Gente que valoriza demonstra\u00e7\u00f5es rasas de \u201cconhecimento\u201d da l\u00edngua formal, que n\u00e3o v\u00e3o al\u00e9m do formalismo.<\/p>\n\n\n\n<p>A in\u00e9pcia e a ignor\u00e2ncia n\u00e3o s\u00e3o por culpa de pobres diabos que penam nos canteiros de obras. N\u00e3o tenho palavras para qualificar a REVOLTA que me causa ler uma acusa\u00e7\u00e3o destas. N\u00e3o s\u00e3o esses pobres diabos \u201cignorantes\u201d que gerem os destinos do pa\u00eds. N\u00e3o s\u00e3o eles que decidem aonde gastar o dinheiro p\u00fablico. N\u00e3o s\u00e3o eles que se corrompem para as grandes empresas, que desviam verbas. Se h\u00e1 uma culpa para essas mazelas de nosso pa\u00eds, e h\u00e1, ela recai sobre aqueles que muito sabem (ou muito dizem saber): eles s\u00e3o os tomadores de decis\u00e3o, s\u00e3o eles que chegam aos cargos p\u00fablicos centrais, eles formam as opini\u00f5es, eles produzem os conte\u00fados. Mas eles preferem culpar pobres-diabos com m\u00e3os calejadas&#8230;<\/p>\n\n\n\n<h2>N\u00e3o difunda o preconceito, difunda a ci\u00eancia!<\/h2>\n\n\n\n<p>Os escritores n\u00e3o precisam de aprender mais preconceitos do que aqueles com que j\u00e1 convivem no dia a dia. Aprender coisas novas, sim, mas de prefer\u00eancia \u00fateis e racionais. Aprender lingu\u00edstica, por exemplo, seria \u00f3timo.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o espero que comecem pela leitura do <i>Curso de Lingu\u00edstica Geral<\/i>, do Saussure, mas h\u00e1 bons livros de <i>divulga\u00e7\u00e3o<\/i>. Sobre o tema espec\u00edfico do \u201cpreconceito lingu\u00edstico\u201d, \u00e9 recomend\u00e1vel <i>Preconceito Lingu\u00edstico: o que \u00e9 e como se faz<\/i>, do Marcos Bagno. Esse \u00e9 um autor odiado por conservadores e reacion\u00e1rios devido ao seu posicionamento, mas o livro n\u00e3o \u00e9 um tratado de a\u00e7\u00e3o comunista, meramente um \u201cresum\u00e3o\u201d de certas teses da lingu\u00edstica <i>for dummies<\/i>. Aqueles que acusam Bagno de ser um diluidor e que suas teses \u201cn\u00e3o s\u00e3o nenhuma novidade\u201d o fazem por raz\u00f5es pol\u00edticas: o conhecimento cient\u00edfico n\u00e3o deve ser escrito de forma acess\u00edvel ao grande p\u00fablico\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 que tudo seja certo e nada seja errado. Mas h\u00e1 coisas que t\u00eam seu lugar e sua forma. Absolutizar a gram\u00e1tica normativa leva a corrigir quem n\u00e3o precisa ser corrigido e me transforma em um pedante. Ningu\u00e9m corrige letra de samba. Assim como n\u00e3o se usa g\u00edria em hino religioso.<\/p>\n\n\n\n<p>Acho preocupante a tentativa de banalizar o termo \u201cpreconceito\u201d nesse contexto. A palavra n\u00e3o foi usada por acaso. Quando voc\u00ea entende o conceito, fica claro que \u00e9 mesmo isso. N\u00e3o se deve diluir o impacto da palavra, como se preconceito fosse toler\u00e1vel em certos casos.<\/p>\n\n\n\n<h2>Conclus\u00e3o: nossa literatura n\u00e3o ser\u00e1 salva pelo purismo<\/h2>\n\n\n\n<p>A mediocridade em que se afoga a literatura brasileira tem m\u00faltiplas origens, a mais importante delas tem raiz na banaliza\u00e7\u00e3o de preconceitos lingu\u00edsticos e culturais. Foi tanto tempo que ouvimos os preconceitos martelados em nossas cabe\u00e7as que n\u00f3s perdemos o amor pelo que \u00e9 nosso e passamos a ter uma vis\u00e3o vira-latas de n\u00f3s mesmos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o preconceito (lingu\u00edstico inclusive) que leva tantos jovens a produzir c\u00f3pias baratas de best-sellers estrangeiros. Claro, salvaremos a literatura nacional se eles fizerem essas c\u00f3pias usando ortografia e gram\u00e1tica impec\u00e1veis&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O termo \u201cpreconceito lingu\u00edstico\u201d \u00e9 a bola da vez nos debates dos grupos mais \u201ccult\u201d das redes sociais. Somente nas \u00faltimas duas semanas houve tr\u00eas enormes tretas sobre isso no Facebook. Parece que o conceito est\u00e1 finalmente chegando a um conhecimento mais geral \u2014 e isso est\u00e1 incomodando certos tipos de reacion\u00e1rios. Em alguns casos os coment\u00e1rios sobre o assunto s\u00e3o claramente desonestos e abusivos, t\u00edpicos de uma direita que est\u00e1 ousando dizer seu nome, mas h\u00e1 outros que parecem bem-intencionados, apenas movidos por desinforma\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5806,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[181],"tags":[72,105,62],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5805"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5805"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5805\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6715,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5805\/revisions\/6715"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5806"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5805"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5805"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5805"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}