{"id":5889,"date":"2018-05-09T22:48:42","date_gmt":"2018-05-10T01:48:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=5889"},"modified":"2019-06-05T21:38:20","modified_gmt":"2019-06-06T00:38:20","slug":"a-um-amigo-que-foi-cedo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2018\/05\/a-um-amigo-que-foi-cedo\/","title":{"rendered":"A Um Amigo que Foi Cedo"},"content":{"rendered":"\n<p>Hoje perdi um amigo. Era um sujeitinho peludo e de nariz frio, algo tristonho (talvez de saudades das ruas e das cachorras), mas era um desses que a gente se afei\u00e7oa f\u00e1cil. At\u00e9 eu, que nunca tivera nenhuma vontade de ter um.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu o apelidara de Bob Cachorrovich Viralatov porque o recebi em ado\u00e7\u00e3o em uma \u00e9poca em que estava, novamente, tentando aprender russo. Achei apropriado e ele n\u00e3o se importou. Ele n\u00e3o era do tipo que se importava muito. Enquanto houvesse \u00e1gua em sua latinha e ra\u00e7\u00e3o no comedouro ele estava feliz, latindo para a cachorrada da rua, brincando no gramado e, quando fazia calor, espojando-se na garagem para refrescar &#8220;as partes&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright\"><img loading=\"lazy\" width=\"250\" height=\"188\" src=\"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/bob-250x188.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5890\" srcset=\"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/bob-250x188.jpg 250w, https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/bob-120x90.jpg 120w, https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/bob-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/bob-800x600.jpg 800w, https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/bob.jpg 1224w\" sizes=\"(max-width: 250px) 100vw, 250px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A sensa\u00e7\u00e3o de perd\u00ea-lo \u00e9 quase t\u00e3o desagrad\u00e1vel quanto a de perder um amigo humano. Ele era uma pequena vida que eu tinha para cuidar, mas, infelizmente, n\u00e3o consegui proteg\u00ea-lo de todos os perigos do mundo. Quando percebi que havia algo errado, j\u00e1 era tarde, ele j\u00e1 estava muito doente e n\u00e3o foi poss\u00edvel salv\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Sempre teve uma sa\u00fade algo fr\u00e1gil, apesar de ser desses que a gente imagina que nasceram adaptados para o mundo c\u00e3o. Mas era carinhoso com as crian\u00e7as e, apesar de algumas vezes eu ter zangado bastante com ele, por causa de seu mau h\u00e1bito de morder coisas, ele mesmo nunca me mordeu. Foi esse h\u00e1bito, por\u00e9m, uma das coisas que selaram seu destino.<\/p>\n\n\n\n<p>A imagem que fica mais marcante \u00e9 essa a\u00ed, dele feliz em um dia de ver\u00e3o, barriga cheia de lixo depois de voltar de uma fugida pela rua, pedindo perd\u00e3o pela travessura.<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00e1 em paz, Bob.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje perdi um amigo. 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