{"id":608,"date":"2013-08-29T00:09:26","date_gmt":"2013-08-29T03:09:26","guid":{"rendered":"http:\/\/letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=608"},"modified":"2018-07-18T20:11:52","modified_gmt":"2018-07-18T23:11:52","slug":"procuramos-escritores-amestrados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2013\/08\/procuramos-escritores-amestrados\/","title":{"rendered":"Procuramos Escritores Amestrados"},"content":{"rendered":"<p>Houve um tempo em que a ep\u00edtome da injusti\u00e7a po\u00e9tica era julgar o livro pela capa. N\u00e3o s\u00f3 esse julgamento ficou mais dif\u00edcil hoje, dada a prolifera\u00e7\u00e3o das facilidades para produzir belas capas, como se tornou mais violenta a briga em torno dos acess\u00f3rios. Afinal me parece que, no mundo editorial, faz-se de tudo para n\u00e3o ter que lidar com literatura, afinal [sic].<\/p>\n<p>Por acess\u00f3rios eu me refiro a tudo aquilo que se espera que os escritores fa\u00e7am, al\u00e9m de escrever. N\u00e3o basta o cara escrever bem, ele tem que falar bem, tem que ter &#8220;boa apar\u00eancia&#8221; (ehem), ser &#8220;descolado&#8221;, bem relacionado, etc. Talento histri\u00f4nico faz falta: voc\u00ea pode ser convidado a fazer coisas como &#8220;cosplay&#8221; de seus personagens ou abanar o rabinho para ganhar um osso diante um editor (que nem sempre escreve, mas julga o que voc\u00ea escreve) ou dos leitores.<\/p>\n<p>Tomei conhecimento hoje de uma entrevista do Rafael Draccon, respons\u00e1vel pelo selo &#8220;Fantasy&#8221;, da editora Casa da Palavra, dada ao portal G1, na qual esses conceitos adquiriram um car\u00e1ter emblem\u00e1tico. N\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel que no futuro as pessoas mencionem que certa pessoa \u00e9 &#8220;um draccon&#8221; do mesmo modo como se referem a &#8220;um romeu&#8221;, &#8220;um tartufo&#8221;, &#8220;um malasartes&#8221; ou outro personagem fict\u00edcio que encarnou algum tipo de ideal. Claro que, de contrabando neste par\u00e1grafo, expresso minha dificuldade em acreditar que Rafael Draccon exista.<\/p>\n<p>A fala dele expressa tudo que vai errado na literatura brasileira e mundial: a falta de criatividade, a coisifica\u00e7\u00e3o do autor e de sua obra, a \u00eanfase no acess\u00f3rio em vez do essencial, a primazia da promo\u00e7\u00e3o sobre o produto etc. Cada uma das falas de Draccon, sedimentadas sobre as vendas de centenas de milhares de exemplares, como o jornal enfatiza, cont\u00e9m um insulto a cada escritor desse pa\u00eds, mesmo \u00e0queles que aceitam abanar o rabinho.<\/p>\n<blockquote><p>\n  \u00c9 preciso que sua hist\u00f3ria de vida e sua personalidade sejam t\u00e3o impactantes quanto a fantasia que voc\u00ea criou.\n<\/p><\/blockquote>\n<p>Essencialmente isto quer dizer que Draccon n\u00e3o anda atr\u00e1s de literatura, mas de pessoas que encarnem um estere\u00f3tipo de autor &#8220;moderno&#8221;. Ele n\u00e3o seleciona bons textos, mas pessoas interessantes, mesmo que escrevam porcaria. Talvez escrever romances capengas seja um pecadilho se voc\u00ea souber fazer chover ou se tiver amputado o pr\u00f3prio bra\u00e7o para escapar da morte ap\u00f3s um acidente num penhasco.<\/p>\n<p>Esta busca do autor &#8220;impactante&#8221; \u00e9 fruto do vazio existencial do p\u00fablico leitor para quem Draccon escreve e para quem seleciona livros. Uma juventude enjaulada, sem contato com a natureza ou com o contradit\u00f3rio, n\u00e3o quer o impacto apenas no terreno da fantasia, quer ter a sensa\u00e7\u00e3o de que este impacto \u00e9 real, encarnado na pessoa do autor, que viveu ele mesmo a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>O que Draccon n\u00e3o sabe (pois, aparentemente, literatura n\u00e3o \u00e9 algo que lhe interesse muito) \u00e9 que essa postura n\u00e3o \u00e9 nova. Ao longo de toda a hist\u00f3ria de nossa civiliza\u00e7\u00e3o autores que n\u00e3o eram t\u00e3o impactantes quanto as suas obras foram sendo deixados de lado, enquanto outros ganharam notoriedade pelo pr\u00f3prio fasc\u00ednio de sua personalidade. O autor &#8220;maldito&#8221; sempre existiu, nunca foi selecionado por editores como Draccon e muitas vezes s\u00f3 teve seu valor reconhecido postumamente. O que significa que gera\u00e7\u00f5es de leitores foram privadas da leitura de seus melhores contempor\u00e2neos gra\u00e7as ao g\u00eanio dos draccons de cada s\u00e9culo.<\/p>\n<p>Vida e personalidade interessantes significam uma vida e personalidade que n\u00e3o desafiem as conven\u00e7\u00f5es. Nos anos 1920 os cariocas n\u00e3o se interessavam muito por um negro alco\u00f3latra e esquizofr\u00eanico que escrevia textos realistas inspirados nos ficcionistas ingleses. Como esse negro tivera a sorte de passar num concurso p\u00fablico, p\u00f4de custear a publica\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios livros, e por isso hoje n\u00f3s o conhecemos. Se dependesse dos editores de sua \u00e9poca, ele jamais chegaria aonde chegou &#8212; e nem foi longe. Para usar uma frase que anda na moda, Lima Barreto n\u00e3o tinha &#8220;cara de escritor&#8221; e sua vida e personalidade n\u00e3o eram impactantes.<\/p>\n<p>Vida e personalidade interessantes significam tamb\u00e9m uma vida dedicada a ser interessante. As pessoas que t\u00eam de estudar e trabalhar, levando vidas &#8220;comuns&#8221;, &#8220;suburbanas&#8221; ou &#8220;caretas&#8221; n\u00e3o ser\u00e3o nunca interessantes. De in\u00edcio, Rafael Draccon j\u00e1 est\u00e1 excluindo a quase totalidade dos autores amadores, que n\u00e3o t\u00eam tempo para desenvolverem um lado interessante.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o deixa de ser a express\u00e3o de um ideal liter\u00e1rio elitista, cujo modelo \u00e9 o pr\u00f3prio Paulo Coelho, um sujeito que nasceu em ber\u00e7o de ouro, praticamente nunca trabalhou na vida, teve a sorte de ser amigo e parceiro de Raul Seixas no momento de maior gl\u00f3ria e depois usou todo o dinheiro que herdou e ganhou para promover seus livros e seu estilo de vida, criando um mito em torno de si. Algo que \u00e9 imposs\u00edvel exigir de algu\u00e9m pobre e nascido no interior. Essa pessoa  n\u00e3o \u00e9 interessante. Ser pobre n\u00e3o \u00e9 interessante. O Brasil n\u00e3o interessante. Os EUA  e N\u00e1rnia s\u00e3o.<\/p>\n<p>Infelizmente Draccon atende a um p\u00fablico. Ele n\u00e3o tira essas ideias de tr\u00e1s da orelha: ele l\u00ea os conceitos e preconceitos  daqueles que compram livro nesse pa\u00eds. A imaturidade de Draccon \u00e9 calculada para dar pasto a esse tipo de ideias imaturas e superficiais que s\u00e3o a ess\u00eancia de nossa modernidade.<\/p>\n<blockquote><p>\n  Os adolescentes s\u00e3o \u00e1vidos, est\u00e3o sempre passando por descobertas e questionamentos. Para eles, a literatura fant\u00e1stica \u00e9 uma met\u00e1fora do que est\u00e1 acontecendo em suas vidas. Por isso, o escritor precisa ter um conte\u00fado para transmitir e precisa saber se apresentar em p\u00fablico tamb\u00e9m. Esse autor introspectivo, que passa o dia dentro de casa escrevendo, n\u00e3o existe mais. Rubem Fonseca, hoje, n\u00e3o seria publicado. Ele \u00e9 de outra escola, outra \u00e9poca.\n<\/p><\/blockquote>\n<p>Talvez o maior dos erros de Draccon esteja neste par\u00e1grafo. Ele escreve para um p\u00fablico, o adolescente, avalia este p\u00fablico, mas ousa, com base nisso, tecer um coment\u00e1rio sobre o p\u00fablico em geral. Os autores que escrevem para adolescentes sempre foram um tipo de bicho diferente em rela\u00e7\u00e3o aos demais, ainda que houvesse tr\u00e2nsfugas entre os campos. Quando o Draccon diz isso do Rubem Fonseca ele cria uma indaga\u00e7\u00e3o: est\u00e1 achando que Rubem Fonseca \u00e9 um escritor para adolescentes, ou que a literatura para adolescentes substituiu a literatura como um todo? De certa forma, vivemos, sim, um processo de infantiliza\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos, cada vez menos aut\u00f4nomos, cada vez mais dependentes de solu\u00e7\u00f5es prontas, cada vez menos \u00e1vidos por novidades reais, e mais propensos a pequenas mudan\u00e7as. Isso se nota no pr\u00f3prio g\u00eanero fant\u00e1stico que, com raras exce\u00e7\u00f5es, vem requentando h\u00e1 anos uma s\u00e9rie limitada de temas e formas &#8212; at\u00e9 mesmo quando tenta inovar, como nessas tentativas de adaptar o folclore brasileiro segundo o jeito anglo-americano de fazer fantasia.<\/p>\n<blockquote><p>\n  Participo de eventos de literatura de fantasia no Brasil todo e estou sempre acess\u00edvel na internet. Se o cara ainda n\u00e3o chegou at\u00e9 mim, \u00e9 porque ele n\u00e3o est\u00e1 pronto para o mercado.\n<\/p><\/blockquote>\n<p>Os gregos tinham um nome bacana para esse sentimento: <em>hybris<\/em> (l\u00ea-se \u00fabris). A convic\u00e7\u00e3o de estar no centro das coisas. Foi esta confian\u00e7a que levou \u00cdcaro a ir perto demais do Sol, que fez Ulisses desafiar Poseidon e vagar dez anos perdido pelos mares, etc.<\/p>\n<p>Draccon acredita que se algu\u00e9m n\u00e3o chegou at\u00e9 ele \u00e9 porque n\u00e3o est\u00e1 pronto para o mercado. H\u00e1 duas coisas espantosas na frase. Primeiro, tratar o autor como uma mercadoria. Segundo, colocar-se no epicentro da vida liter\u00e1ria, como uma esp\u00e9cie de Ilha Og\u00edgia em que todos os gregos retornados de Tr\u00f3ia tem de pousar a caminho de casa. Uma posi\u00e7\u00e3o receptiva e c\u00f4moda. Gostaria que meus leitores, por\u00e9m, entendessem que Draccon est\u00e1 se referindo exclusivamente ao seu nicho. O problema \u00e9 que este nicho, a literatura fant\u00e1stica, adquiriu um volume excessivo, um ar de tumefa\u00e7\u00e3o. Enquanto cresce o tumor da fantasia, o corpo da literatura padece. \u00c9 esta tumesc\u00eancia que faz com que pessoas vinculadas a um mercado espec\u00edfico, e que s\u00f3 conhecem um raio pequeno do mundo, se coloquem como centro dele e queiram ditar regras para o resto. Os autores e editores de LitFan, que tanto sofreram com a cr\u00edtica e as imposi\u00e7\u00f5es da literatura <em>mainstream<\/em> n\u00e3o deviam t\u00e3o avidamente comportar-se como os seus antigos algozes.<\/p>\n<p>Longe de mim dizer que a literatura fant\u00e1stica n\u00e3o deva existir, ou que os seus leitores tenham algum tipo de inferioridade. Apenas acho que ela tem um relevo excessivo, e neste excesso, sim, enxergo um sinal de crise, tal como o crescimento de um g\u00e2nglio sugere a exist\u00eancia de algo errado no seu corpo. Tal como as c\u00e9lulas de um c\u00e2ncer se propagam, sequestrando recursos do organismo para a constru\u00e7\u00e3o de mais c\u00e9lulas in\u00fateis, a literatura fant\u00e1stica se propaga, impondo seus valores, sequestrando autores, sufocando espa\u00e7os, homogeneizando a literatura como um todo (voc\u00ea j\u00e1 ouviu falar da iniciativa &#8220;Jornada do Her\u00f3i&#8221;, meu jovem?), e criando homens como Rafael Draccon, que falam como ditadores de seus feudos porque acreditam que aquilo que representam est\u00e1 substituindo aquilo que no passado foi representado por gente que ele n\u00e3o publicaria.<\/p>\n<blockquote><p>\n  Fazemos uma varredura da vida online da pessoa. Se houver um post sequer dela falando mal de outro autor ou comprando briga na internet, ela \u00e9 cortada na hora.\n<\/p><\/blockquote>\n<p>H\u00e1 tanta coisa errada nesta frase \u00fanica que \u00e9 at\u00e9 dif\u00edcil come\u00e7ar. Vou tentar me organizar. Primeiro, <strong>censura<\/strong>. Rafael Draccon &#8220;corta&#8221; autores que tenham em algum momento feito cr\u00edticas a outros autores. Ele seleciona, intencionalmente, cordeiros e n\u00e3o pessoas de car\u00e1ter forte. O que faz sentido, visto que ele n\u00e3o quer pessoas de car\u00e1ter e talento, mas sujeitos descolados e &#8220;impactantes&#8221; <em>a quem ele possa controlar<\/em>. Obviamente um autor mais competente que ele n\u00e3o se dobrar\u00e1 \u00e0s suas dicas e toques.<\/p>\n<div id=\"attachment_1744\" style=\"width: 248px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/procuramos-escritores-amestrados_he-was-pleased-to-accept-his-oh-what-a-good-dog-award.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1744\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/procuramos-escritores-amestrados_he-was-pleased-to-accept-his-oh-what-a-good-dog-award.jpg\" alt=\"good dog\" width=\"238\" height=\"320\" class=\"size-full wp-image-1744\" srcset=\"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/procuramos-escritores-amestrados_he-was-pleased-to-accept-his-oh-what-a-good-dog-award.jpg 238w, https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/procuramos-escritores-amestrados_he-was-pleased-to-accept-his-oh-what-a-good-dog-award-112x150.jpg 112w, https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/procuramos-escritores-amestrados_he-was-pleased-to-accept-his-oh-what-a-good-dog-award-223x300.jpg 223w\" sizes=\"(max-width: 238px) 100vw, 238px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1744\" class=\"wp-caption-text\">Na foto, um escritor &#8220;adequado&#8221; se apresenta diante de Rafael Draccon com o seu trabalho. Notem o ar manso e a aur\u00e9ola de inoc\u00eancia.<\/p><\/div>\n<p>A ousadia intelectual e a pol\u00eamica, que j\u00e1 foram a marca da literatura, se tornaram qualidades indesej\u00e1veis. Polemizar \u00e9 ruim para os neg\u00f3cios porque todos os autores s\u00e3o produtos e receberam investimento. Se voc\u00ea fala mal de um produto, d\u00e1 preju\u00edzo a um editor que nele investiu. Ent\u00e3o \u00e9 preciso proteger quem recebeu investimento, para que d\u00ea retorno do capital. Voc\u00ea pode ter que conviver dentro da editora com um autor horr\u00edvel, ent\u00e3o \u00e9 melhor aprender desde j\u00e1 a n\u00e3o falar mal dele.<\/p>\n<p>A mensagem que Rafael Draccon passa para os aspirantes a escritor \u00e9 a mais nociva poss\u00edvel. Sejam covardes, sejam alienados, n\u00e3o critiquem, n\u00e3o tenham ideias pr\u00f3prias, n\u00e3o sejam propositivos, n\u00e3o critiquem. Rafael Draccon coloca como modelo de autor ideal um indiv\u00edduo desprovido de car\u00e1ter, um sujeito intelectualmente neutralizado. Se ele faz isso com quem critica outros autores, imagina o que n\u00e3o faz com quem tem ideias pol\u00edticas fortes. Duvido que ele publicasse um Jorge Amado, que vendeu bem, mas era comunista e ateu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Houve um tempo em que a ep\u00edtome da injusti\u00e7a po\u00e9tica era julgar o livro pela capa. N\u00e3o s\u00f3 esse julgamento ficou mais dif\u00edcil hoje, dada a prolifera\u00e7\u00e3o das facilidades para produzir belas capas, como se tornou mais violenta a briga em torno dos acess\u00f3rios. Afinal me parece que, no mundo editorial, faz-se de tudo para n\u00e3o ter que lidar com literatura, afinal [sic]. Por acess\u00f3rios eu me refiro a tudo aquilo que se espera que os escritores fa\u00e7am, al\u00e9m de escrever. 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