{"id":6080,"date":"2018-11-24T15:00:38","date_gmt":"2018-11-24T18:00:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=6080"},"modified":"2019-06-05T21:00:59","modified_gmt":"2019-06-06T00:00:59","slug":"vampiros-e-lobisomens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2018\/11\/vampiros-e-lobisomens\/","title":{"rendered":"Vampiros e Lobisomens"},"content":{"rendered":"\n<p>Uma d\u00favida frequente entre os f\u00e3s de fantasia \u00e9 qu\u00e3o relacionados s\u00e3o os mitos do vampiro e do lobisomem. O que t\u00eam em comum? Onde surgiram? Quais eram as principais diferen\u00e7as entre os dois quando surgiram em suas vers\u00f5es originais?<\/p>\n\n\n\n<p>Os dois mitos t\u00eam, na verdade, origens bem diferentes, mas eles se influenciaram mutuamente em certa \u00e9poca, a ponto de, por muito tempo, ambas as criaturas serem entendidas mais ou menos como a mesma coisa.<br \/><\/p>\n\n\n\n<h2>O Lobisomem<br \/><\/h2>\n\n\n\n<p>O mito do lobisomem tem origem indo-europeia e \u00e9 uma das cria\u00e7\u00f5es mais antigas da humanidade. Vers\u00f5es dele existem em diversas culturas muito antigas, como a grega, a romana e a hindu. Mitos relacionados existem em outras culturas, envolvendo outros tipos de animais: homens-hiena&nbsp; na \u00c1frica, homens-lobo e homens-tigre na \u00cdndia, homens-jaguar e homens-puma entre os Amer\u00edndios. Especificamente a vers\u00e3o homem-lobo \u00e9 de origem indo-europeia porque se acredita que os antepassados dos indo-europeus viveram nas estepes da Europa Oriental, regi\u00e3o onde os lobos existiam, e sofreram por muitos s\u00e9culos com os ataques desses animais, sendo que o lobo negro europeu \u00e9 o maior can\u00eddeo do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os gregos chegavam a ter um deus-lobo, Zeus Liceu. Os romanos tinham a deusa-loba da realeza etrusca, que amamentou R\u00f4mulo e Remo, os fundadores da cidade. Ser transformado em um lobo, por\u00e9m, <em>ou em qualquer fera<\/em>, era um tipo incomum de supl\u00edcio. O lobo era \u201co outro\u201d, n\u00e3o o homem. Duas lendas gregas, por\u00e9m, divergem deste padr\u00e3o: Damarco e Lica\u00e3o, ambos pertencentes \u00e0 mitologia da Arc\u00e1dia, regi\u00e3o da Gr\u00e9cia que era habitada a mais tempo e que preservava os costumes dos aqueus.<br \/><\/p>\n\n\n\n<p>Damarco foi um pugilista grego que se vangloriava excessivamente de sua for\u00e7a combatia seus advers\u00e1rios com muita ferocidade. Certa vez, durante a cerim\u00f4nia de abertura das Olimp\u00edadas (ou durante um festival religioso de sua terra, a Arc\u00e1dia), ao fazer o sacrif\u00edcio a Zeus Liceu, o deus de seu cl\u00e3, transformou-se em um lobo e vagou por nove anos pelas florestas da Arc\u00e1dia, somente retornando \u00e0 forma humana quando j\u00e1 estava muito velho para competir. A moral da hist\u00f3ria de Damarco \u00e9 que o homem n\u00e3o deve se tornar excessivamente violento, nem mesmo em uma atividade na qual a viol\u00eancia \u00e9 socialmente aceit\u00e1vel, ou estar\u00e1 voltando \u00e0 animalidade.<br \/><\/p>\n\n\n\n<p>Outra lenda antiga \u00e9 a de Lica\u00e3o, o rei de uma cidade da Arc\u00e1dia que tentou se exibir diante de Zeus de uma maneira especialmente repulsiva. Quando Zeus chegou ao seu pal\u00e1cio, disfar\u00e7ado como um profeta ambulante, Lica\u00e3o o reconheceu e o fez prometer que cearia no pal\u00e1cio aquela noite. Para a ceia, Lica\u00e3o e sua mulher mataram e cozinharam o pr\u00f3prio filho, N\u00edctimo, e o serviram a Zeus, duvidando que ele fosse capaz de adivinhar que carne era aquela. Zeus obviamente adivinhou e condenou Lica\u00e3o e toda a sua fam\u00edlia. N\u00edctimo foi ressuscitado (um \u201cmorto-vivo\u201d), mas, ignorando a causa da maldi\u00e7\u00e3o de sua fam\u00edlia e enlouquecido pelo trauma, passou a imitar o comportamento dos lobos, at\u00e9 que lhe foi concedido transformar-se em deles em certas ocasi\u00f5es, para poder reencontrar seus irm\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra evid\u00eancia da antiguidade do mito \u00e9 a lenda de R\u00f4mulo e Remo. Os g\u00eameos fundadores de Roma foram amamentados por uma loba, s\u00edmbolo da realeza etrusca, o que lhes deu a ferocidade e os instintos dos lobos. Quando adultos, durante a funda\u00e7\u00e3o de Roma, os dois competiram pela primazia e Remo, zombeteiro, saltou sobre os muros que R\u00f4mulo constru\u00edra para a cidade. R\u00f4mulo o matou, ali mesmo, para preservar o respeito dos homens que se haviam juntado ao grupo.<\/p>\n\n\n\n<p>O mito do lobisomem \u00e9 uma alus\u00e3o, portanto, ao <em>homem <\/em>(notemos isso) que se comporta de maneira violenta e instintiva. <\/p>\n\n\n\n<h2>O Vampiro<br \/><\/h2>\n\n\n\n<p>O vampiro \u00e9 tamb\u00e9m um mito de origem grega. Sua primeira vers\u00e3o \u00e9 a lenda de L\u00e2mia, rainha da L\u00edbia, que se tornou amante de Zeus. Diferente de outras, que eram tomadas \u00e0 for\u00e7a ou mediante engano, L\u00e2mia percebeu que se tratava do rei dos deuses, entregou-se voluntariamente a ele e o procurava, pois desejava ser a m\u00e3e de um semideus.<\/p>\n\n\n\n<p> Isso atraiu a f\u00faria de Hera, rainha dos deuses. Impotente contra o pr\u00f3prio Zeus, Hera amaldi\u00e7oou L\u00e2mia fazendo com que todos os seus filhos nascessem mortos. Por fim, L\u00e2mia fugiu para uma caverna, onde pretendia ter uma crian\u00e7a em paz. Os s\u00e1tiros ocultaram sua filha, L\u00edbia, que sobreviveu \u00e0 ira de Hera, mas a deusa a encontrou e lhe imp\u00f4s um castigo ainda maior, transformando-a em um monstro horr\u00edvel e impedindo-a de dormir, para que sempre se lembrasse dos filhos mortos, e com insaci\u00e1vel apetite por carne humana.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui temos o embri\u00e3o de v\u00e1rias caracter\u00edsticas dos vampiros: ativos durante a noite, monstruosos e incapazes de gerar filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Vers\u00f5es posteriores da hist\u00f3ria falavam de viajantes comidos por L\u00e2mia, que, ap\u00f3s sua transforma\u00e7\u00e3o em monstro, fora abandonada por Zeus. L\u00e2mia falava aos transeuntes com voz doce e lhes mostrava os seios. Eles a seguiam e eram mortos. Quando L\u00e2mia matava uma mulher, na falta de homem para saciar sua fome, ela n\u00e3o devorava a carne, mas apenas sugava o sangue. Isso as mantinha vivas, mas as transformava em monstros sugadores de sangue tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Idade M\u00e9dia as l\u00e2mias (agora uma categoria de monstros, n\u00e3o mais um indiv\u00edduo) passaram a ser vistas como um tipo de dem\u00f4nio predador sexual (al\u00e9m dos s\u00facubos e dos \u00edncubos).<\/p>\n\n\n\n<h2>O surgimento dos mitos modernos<br \/><\/h2>\n\n\n\n<p>O mito do lobisomem  evoluiu, na Europa Ocidental, a partir do mito original de Lica\u00e3o e de alguns mitos escandinavos que falavam de seres humanos que se transformavam em animais pela sua vontade. A palavra \u201clobisomem\u201d \u00e9 uma tradu\u00e7\u00e3o decalcada do germ\u00e2nico antigo *<em>wer-wolf <\/em>(homem lobo), de que deriva o ingl\u00eas <em>werewolf. <\/em>Esse termo era usado entre os anglo-sax\u00f5es e os germ\u00e2nicos meridionais em um sentido an\u00e1logo ao do termo <em>berserkr <\/em>(\u201cvestidos de urso\u201d) dos escandinavos: guerreiros extremamente ferozes que, devido ao desespero de sua causa, se comportam como animais no campo de batalha, dispostos a matar e morrer. Nesse sentido \u00e9 que as tropas de guerrilha alem\u00e3s que lutavam contra os sovi\u00e9ticos na fase final da II Guerra eram chamadas de <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Werwolf\" target=\"_blank\">Werwolf <\/a>.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft\"><img loading=\"lazy\" width=\"346\" height=\"416\" src=\"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Judensau_from_Frankfurt.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6081\" srcset=\"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Judensau_from_Frankfurt.jpg 346w, https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Judensau_from_Frankfurt-120x144.jpg 120w, https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Judensau_from_Frankfurt-250x300.jpg 250w\" sizes=\"(max-width: 346px) 100vw, 346px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Mas o vampiro moderno \u00e9 diferente. Ele \u00e9 resultante da superposi\u00e7\u00e3o das caracter\u00edsticas da l\u00e2mia e do licantropo (ambos mitos hel\u00eanicos) a um outro ser folcl\u00f3rico, esse de origem eslava, o <em>upyr \u2014 <\/em>tamb\u00e9m chamado de <em>vrykolakas <\/em>(em grego).<\/p>\n\n\n\n<p>No folclore balto-eslavo, os <em>upyr <\/em>eram um tipo de fantasma que atravessava a fronteira da vida para devorar as almas dos pecadores. Esse ser passou por muitas vers\u00f5es at\u00e9 chegar aos B\u00e1lc\u00e3s, levado pelos invasores eslavos no s\u00e9culo X. Ali recebeu alguns elementos do mito original de Lica\u00e3o: os <em>upyr <\/em>seriam os fantasmas de pessoas especialmente m\u00e1s e teriam um prazer em devorar tamb\u00e9m a carne e o sangue, n\u00e3o somente as almas, de todos os vulner\u00e1veis, n\u00e3o somente dos pecadores (lembremos que N\u00edctimo era uma criancinha e ainda assim foi corrompido pelos acontecimentos e transformado em um monstro).<\/p>\n\n\n\n<p>Esse \u00e9 o ponto em que os mitos se encontram ou, melhor, se aproximaram.<\/p>\n\n\n\n<p>No s\u00e9culo XVIII, \u00e9poca em que a \u00c1ustria conquistou parte da regi\u00e3o dos B\u00e1lc\u00e3s, houve uma grande histeria ligada aos <em>upyr <\/em>nas cidades civilizadas, como Viena e Paris, por causa de uma obra chamada <em>De Masticationes Mortuorum in Tumulis <\/em>(Sobre a Alimenta\u00e7\u00e3o dos Mortos nos T\u00famulos), de Micha\u00ebl Ranft, um viajante que documentou os costumes dos eslavos dos B\u00e1lc\u00e3s na regi\u00e3o onde hoje fica a Cro\u00e1cia e descobriu que certas pessoas eram enterradas com estacas cravadas no cora\u00e7\u00e3o, porque o povo queria evitar que voltassem do t\u00famulo como <em>upyri <\/em>para devorar os vivos. Quando houve o enterro de um homem chamado <em>Peter Poglojowitz<\/em>, sem esse cuidado, houve grande histeria entre o povo, e posteriormente o cad\u00e1ver foi exumado para ser mutilado, e descobriram nele certos \u201csinais\u201d de que ele teria \u201cse alimentado\u201d da carne e do sangue de vivos (havia sangue saindo da boca do cad\u00e1ver e a sua barriga estava \u201ccheia\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p><em>Masticationes Mortuorum <\/em>e o epis\u00f3dio de <em>Peter Poglojowitz <\/em>fundaram o mito do vampiro moderno. A partir da\u00ed a palavra <em>upyri <\/em>(originalmente um plural) entrou nos idiomas principais da Europa, modificando-se at\u00e9 se tornar <em>vampyre <\/em>(o \u201cy\u201d s\u00f3 foi alterado muito depois). No in\u00edcio do s\u00e9culo XIX o termo <em> <\/em>j\u00e1 era corrente em ingl\u00eas, mas ainda descrevia um monstro cadav\u00e9rico e fedido, mais pr\u00f3ximo de um zumbi que de Edward Cullen.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi ent\u00e3o que surgiram tr\u00eas obras que \u201cenobreceram\u201d o vampiro:<\/p>\n\n\n\n<ul><li><em>The Vampyre, <\/em>de John Polidori, deu-lhe uma origem nobre e uma apar\u00eancia humana pr\u00f3xima do normal.<\/li><li><em>Carmilla, <\/em>de John Sheridan Le Faunu, incorporou-lhe alguns elementos do mito da l\u00e2mia, como o car\u00e1ter sensual e sedutor atrav\u00e9s da nudez.<\/li><li><em>Dr\u00e1cula, <\/em>de Bram Stoker, deu-lhe os poderes vamp\u00edricos tradicionais (entre os quais a transforma\u00e7\u00e3o em lobo, mas ainda n\u00e3o em morcego).<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Foi\n mais ou menos nessa fase que se convencionou que o lobisomem \u00e9 um ser \nhumano vivo, mas amaldi\u00e7oado, e o que o vampiro \u00e9 um cad\u00e1ver redivivo.<\/p>\n\n\n\n<p>O lobisomem \u00e9 animalesco, o vampiro \u00e9 sobrenatural.<\/p>\n\n\n\n<p>O lobisomem come carne, o vampiro bebe sangue.<\/p>\n\n\n\n<p>O lobisomem apavora, o vampiro seduz \u2014 exceto quando quer afugentar algu\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>O lobisomem enquanto humano, \u00e9 um humano com qualidades superiores \u00e0s do humano normal (resist\u00eancia f\u00edsica, faro, audi\u00e7\u00e3o), enquanto o vampiro, quando inativo, \u00e9 um cad\u00e1ver inerte.<\/p>\n\n\n\n<h2>Os dois tipos de lobisomens<br \/><\/h2>\n\n\n\n<p>H\u00e1 que lembrar, tamb\u00e9m, que existem duas diferentes tradi\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas do lobisomem, a que vou chamar de <em>werewolf <\/em>e <em>lobiz\u00f3n.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O lobisomem dos filmes, o humano que se transforma em uma fera e come carne \u00e9 o <em>werewolf <\/em>de origem germ\u00e2nica e que incorpora elementos do mito de Lica\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O\n lobisomem da tradi\u00e7\u00e3o ibero-americana n\u00e3o tem esses elementos \ngerm\u00e2nicos. Ele \u00e9 mais pr\u00f3ximo do mito original de Lica\u00e3o: ele \u00e9 o \n\u201cs\u00e9timo filho\u201d (\u00e0s vezes exacerbado como o \u201cs\u00e9timo filho de um s\u00e9timo \nfilho\u201d), assim como N\u00edctimo.<\/p>\n\n\n\n<p>A maldi\u00e7\u00e3o do <em>lobiz\u00f3n <\/em>\u00e9\n mais cruel e n\u00e3o tem nenhuma vantagem: toda noite de lua cheia (e toda \nnoite, durante a quaresma) ele vaga pelo mundo, percorrendo sete \nencruzilhadas, sete cemit\u00e9rios e sete cruzeiros (uma alus\u00e3o \u00e0 \nperambula\u00e7\u00e3o de N\u00edctimo procurando sua fam\u00edlia amaldi\u00e7oada). Sua \ntransforma\u00e7\u00e3o consiste em espojar-se na poeira em uma encruzilhada, \u00e0 \nmeia noite, quando come\u00e7a a \u201ccorreria\u201d, e achar-se desmaiado e nu, em \nqualquer lugar, quando o galo canta pela \u00faltima vez antes do sol \ndespontar. Ele sempre desperta nu (portanto vulner\u00e1vel), exausto e sujo.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a \u201ccorreria\u201d o <em>lobiz\u00f3n <\/em>n\u00e3o busca comer ningu\u00e9m, mas pode atacar e matar quem esteja em seu caminho, especialmente quem tente <em>impedir <\/em>sua correria.<\/p>\n\n\n\n<h2>A mula sem-cabe\u00e7a<br \/><\/h2>\n\n\n\n<p>Outro mito muito relacionado ao do <em>lobiz\u00f3n<\/em>\n \u00e9 a mula sem cabe\u00e7a. Embora sua origem seja distinta (originalmente a \nmula era uma mulher insubmissa, l\u00e9sbica ou sexualmente prom\u00edscua, que \nconcordava em manter rela\u00e7\u00f5es com um padre), a mula \u201ccorre\u201d de maneira a\n espelhar o <em>lobiz\u00f3n: <\/em>ela corre nos domingos \u00e0 noite, ap\u00f3s a missa, e percorre sete encruzilhadas, sete cemit\u00e9rios e sete cruzeiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Diferente do <em>lobiz\u00f3n<\/em>, que faz uma correria cega, em busca de algo, a correria da mula tem um simbolismo:<\/p>\n\n\n\n<ul><li>Ela percorre sete encruzilhadas em alus\u00e3o \u00e0s escolhas erradas que fez na vida.<\/li><li>Percorre sete cemit\u00e9rios para lembrar-lhe que um dia morrer\u00e1 e ter\u00e1 de prestar contas de seus pecados.<\/li><li>E percorre sete cruzeiros para lembrar-lhe que ainda pode se arrepender e salvar a sua alma.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Percebe-se que a mula \u00e9 um mito crist\u00e3o (cat\u00f3lico) criado a partir de elementos origin\u00e1rios de um mito pag\u00e3o (o <em>lobiz\u00f3n<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>Uma curiosidade: a crendice no <em>lobiz\u00f3n <\/em>era t\u00e3o forte na Argentina que at\u00e9 recentemente era costume o presidente da Rep\u00fablica se tornar padrinho dos s\u00e9timos filhos das fam\u00edlias pobres e pagar os seus estudos, como uma forma de impedir o infantic\u00eddio (e para que as fam\u00edlias continuassem a gerar filhos e popular o pa\u00eds).<\/p>\n\n\n\n<h2>Conclus\u00f5es<\/h2>\n\n\n\n<p>Lobisomens e vampiros tem origens diferentes, mas ambas relacionadas \u00e0 Gr\u00e9cia. O primeiro teve forte influ\u00eancia germ\u00e2nica durante a idade m\u00e9dia e o segundo, uma influ\u00eancia eslava significativa. Em ess\u00eancia, s\u00e3o duas criaturas diferentes e opostas. <\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1, por\u00e9m, dois tipos de lobisomem, conforme predomine a influ\u00eancia germ\u00e2nica ou a mediterr\u00e2nea sobre os elementos do mito.<br \/><\/p>\n\n\n\n<p>A mula sem cabe\u00e7a \u00e9 um ser mitol\u00f3gico criado mais recentemente para ser uma vers\u00e3o feminina do lobisomem, com o objetivo de servir de conto moral sobre o celibato clerical e a vida sexual das mulheres.<br \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma d\u00favida frequente entre os f\u00e3s de fantasia \u00e9 qu\u00e3o relacionados s\u00e3o os mitos do vampiro e do lobisomem. O que t\u00eam em comum? Onde surgiram? Quais eram as principais diferen\u00e7as entre os dois quando surgiram em suas vers\u00f5es originais? Os dois mitos t\u00eam, na verdade, origens bem diferentes, mas eles se influenciaram mutuamente em certa \u00e9poca, a ponto de, por muito tempo, ambas as criaturas serem entendidas mais ou menos como a mesma coisa. O Lobisomem O mito do lobisomem tem origem indo-europeia e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6081,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[181],"tags":[24,12],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6080"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6080"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6080\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6671,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6080\/revisions\/6671"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6081"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6080"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6080"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6080"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}