{"id":6988,"date":"2019-08-22T09:39:45","date_gmt":"2019-08-22T12:39:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=6988"},"modified":"2019-08-22T17:48:58","modified_gmt":"2019-08-22T20:48:58","slug":"desafio-de-reescrita-gnoll","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2019\/08\/desafio-de-reescrita-gnoll\/","title":{"rendered":"Desafio de Reescrita: Gnoll"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"epigraph\"><p>A convite de Alec Silva, da comunidade \u201cA Literatura Nacional Tem Que Acabar\u201d, no Facebook, <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/quevergonhaescritor\/photos\/a.300422503756510\/648823342249756\/?type=3&#038;theater\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aceitei o desafio<\/a> de reescrever uma cena de uma obra liter\u00e1ria por ele selecionada.<\/p><p>N\u00e3o sei de que obra se trata e tampouco sei qual \u00e9 o contexto, sei que o original era horr\u00edvel (imagem inclu\u00edda abaixo) e que eu me propus a criar uma cena leg\u00edvel a partir dos poucos elementos dispon\u00edveis para a recria\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Obrigado ao Alec, pelo desafio.<\/p><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img src=\"https:\/\/scontent.fmea2-1.fna.fbcdn.net\/v\/t1.0-9\/62262018_648823348916422_1283291985586683904_n.jpg?_nc_cat=110&amp;_nc_oc=AQkNTsf7a7GaMbmEBQd1viqDYCd1NHuoW0pI6Lksd4wJv8775U4ij5PFHhO7PCotVdY&amp;_nc_ht=scontent.fmea2-1.fna&amp;oh=da2f99424e3b75eb6c5b3ebf83aa5761&amp;oe=5DDB9905\" alt=\"\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Axel atingiu seu advers\u00e1rio com um soco poderoso. Suas m\u00e3os estavam protegidas por ataduras, que o ajudavam a marcar mais o rosto de quem ele golpeasse. Algumas dessas marcas o tempo apagaria, outras talvez n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O\nhomem j\u00e1 estava desfigurado e sangrando, mas tentaria mais um\ncontra-ataque. Tinha uma reputa\u00e7\u00e3o a manter, por isso n\u00e3o podia\ndesistir do combate. Sua pele escura disfar\u00e7ava um pouco o sangue\nque vertia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele\nera um homem grande, mas naquele momento Axel o percebeu menor. As\nataduras em torno de suas m\u00e3os n\u00e3o estavam sujas do sangue do\nadvers\u00e1rio. Seu olhar parecia vidrado e seus movimentos eram mais\nlentos.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-medium is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/6de876f8d8d2b9c154a9452ebb6d0442-212x300.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6991\" width=\"212\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/6de876f8d8d2b9c154a9452ebb6d0442-212x300.jpg 212w, https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/6de876f8d8d2b9c154a9452ebb6d0442-106x150.jpg 106w, https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/6de876f8d8d2b9c154a9452ebb6d0442-453x640.jpg 453w, https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/6de876f8d8d2b9c154a9452ebb6d0442.jpg 752w\" sizes=\"(max-width: 212px) 100vw, 212px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Ele\navan\u00e7ou pesadamente, mas sem se proteger como devia. A t\u00e9cnica,\n\u00e0quela altura, era uma vaga lembran\u00e7a em sua mente turvada pela dor\ne pela vergonha. Axel n\u00e3o tinha pena. Sabia quem era aquele homem.\nSabia que ele nunca tivera pena de ningu\u00e9m. \n<\/p>\n\n\n\n<p>Em\ndois golpes diretos e secos Axel o derrubaria. O primeiro golpe, \u00e0\naltura do peito, deve ter lhe partido uma costela. A partir de ent\u00e3o\no advers\u00e1rio j\u00e1 n\u00e3o conseguiria movimentar livremente os bra\u00e7os e\nnem respiraria com facilidade. O segundo golpe, diagonalmente no\nrosto, fraturou o seu nariz e o fez cair. O mundo daquele homem se\napagou em trevas cheias de borboletas e vaga-lumes multicoloridos.<\/p>\n\n\n\n<p>Gnoll\nent\u00e3o caiu. A lona vibrou com sua queda, quase desequilibrando Axel,\nque era menor e mais leve. Estava derrotado. N\u00e3o havia mais o que\nfazer. De dentro da escurid\u00e3o cheia de manchas multicoloridas,\nespessa de dor e de sangue a pulsar pelas t\u00eamporas, entrecortada por\numa respira\u00e7\u00e3o sofrida, escutou a algazarra.<\/p>\n\n\n\n<p>Os\ngritos da turba ao redor do ringue eram piores do que os golpes. Os\ngolpes o haviam ferido, mas ele era de uma ra\u00e7a forte e conseguiria\nsarar um dia. Os ferimentos das lutas anteriores eram apenas\nlembran\u00e7as, que nem do\u00edam. Mas aqueles gritos feriam sua honra, sua\nimagem, seu legado. \n<\/p>\n\n\n\n<p>Sempre\nfora o rei daquele lugar desde o dia em que derrotara o antigo\ncampe\u00e3o. Ningu\u00e9m previa ainda a sua derrota, mesmo depois de dez\nanos, porque poucos homens eram t\u00e3o grandes, t\u00e3o fortes e t\u00e3o\nr\u00e1pidos. Gnoll esperava lutar at\u00e9 a meia-idade, e ent\u00e3o se\naposentaria rico, poderia tomar para si uma esposa, comprar uma\nquinta nas serras.<\/p>\n\n\n\n<p>Segurou\nas l\u00e1grimas dentro dos olhos. Suprema humilha\u00e7\u00e3o seria chorar\nnaquele momento, naquele momento em que a imagem de uma cabana entre\nmadressilvas e ciprestes come\u00e7ava a esfuma\u00e7ar como um sonho de que\nse vai acordando devagar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o,\npor que estupidez aceitara o desafio daquele pr\u00edncipe? Vencer algu\u00e9m\nt\u00e3o menor, t\u00e3o franzino, n\u00e3o parecia dif\u00edcil. Dar uma surra em um\nnobre, dentro das regras, lhe parecia uma maneira legalizada de\ndesforrar as humilha\u00e7\u00f5es do povo. Esmagando aquele pr\u00edncipe de\npele suave ele seria um her\u00f3i para a sua gente. De qualquer maneira,\nfazia tempo que ningu\u00e9m ousava desafiar sua fama, e seus punhos\ntinham saudades dos queixos de advers\u00e1rios\u2026 \n<\/p>\n\n\n\n<p>O\njuiz do combate se aproximou e lhe disse alguma coisa que ele n\u00e3o\nentendeu muito bem. De dentro das trevas de sua mente, Gnoll se\nlembrou de alguma coisa e deu um tapa forte no ch\u00e3o. Depois outro. E\noutro.<\/p>\n\n\n\n<p>A\nmultid\u00e3o silenciou. Tudo silenciou. Gnoll n\u00e3o veria a gl\u00f3ria do\npr\u00edncipe, n\u00e3o veria a sua cabana nas montanhas, ao lado de uma\ncamponesa gorda, plantando beterrabas e criando ovelhas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A convite de Alec Silva, da comunidade \u201cA Literatura Nacional Tem Que Acabar\u201d, no Facebook, aceitei o desafio de reescrever uma cena de uma obra liter\u00e1ria por ele selecionada. N\u00e3o sei de que obra se trata e tampouco sei qual \u00e9 o contexto, sei que o original era horr\u00edvel (imagem inclu\u00edda abaixo) e que eu me propus a criar uma cena leg\u00edvel a partir dos poucos elementos dispon\u00edveis para a recria\u00e7\u00e3o. Obrigado ao Alec, pelo desafio. Axel atingiu seu advers\u00e1rio com um soco poderoso. 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