{"id":716,"date":"2013-12-28T11:17:01","date_gmt":"2013-12-28T14:17:01","guid":{"rendered":"http:\/\/letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=716"},"modified":"2020-10-06T23:40:43","modified_gmt":"2020-10-07T02:40:43","slug":"os-12-mais-belos-paragrafos-da-obra-de-h-p-lovecraft","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2013\/12\/os-12-mais-belos-paragrafos-da-obra-de-h-p-lovecraft\/","title":{"rendered":"Os 12 Mais Belos Par\u00e1grafos da Obra de H.\u00a0\u00a0P.\u00a0\u00a0Lovecraft"},"content":{"rendered":"\n<p>Tido como um autor menor da literatura americana, Howard Phillips Lovecraft, a exemplo de Edgar Allan Poe, goza de uma reputa\u00e7\u00e3o muito melhor em outros pa\u00edses. Certamente isto se deve \u00e0 capacidade de seus tradutores, que conseguem filtrar aquela que \u00e9 justamente a m\u00e1 qualidade mais notada em sua prosa: a falta de fluidez, causada pelo vocabul\u00e1rio excessivamente precioso e pela tend\u00eancia a per\u00edodos longos. Publico a seguir uma sele\u00e7\u00e3o dos doze melhores par\u00e1grafos da fic\u00e7\u00e3o lovecraftiana **em minha modesta opini\u00e3o**, segundo minha tradu\u00e7\u00e3o pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao ler estes par\u00e1grafos voc\u00eas perceber\u00e3o a origem de v\u00e1rios &#8220;v\u00edcios&#8221; de meu pr\u00f3prio estilo de linguagem. Meus textos padecem de &#8220;defeitos&#8221; que aprendi com Lovecraft, Tolkien e Ashton-Smith.<\/p>\n\n\n\n<p>### O Chamado de Cthulhu (1927) ##<\/p>\n\n\n\n<p>Nunca ningu\u00e9m expressou de uma forma t\u00e3o assustadora a no\u00e7\u00e3o de que &#8220;a ignor\u00e2ncia \u00e9 uma b\u00ean\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&gt; Eu acho que a coisa mais misericordiosa do mundo \u00e9 a incapacidade da mente humana para correlacionar todo o seu conte\u00fado. **Vivemos em uma pl\u00e1cida ilha de ignor\u00e2ncia em meio aos negros abismos do infinito, e n\u00e3o fomos feitos para viajarmos longe.** As ci\u00eancias, cada qual puxando em sua pr\u00f3pria dire\u00e7\u00e3o, at\u00e9 agora nos causaram pouco mal; mas um dia a montagem das pe\u00e7as do conhecimento desconexo abrir\u00e1 t\u00e3o terr\u00edveis vis\u00f5es da realidade, e de nossa prec\u00e1ria posi\u00e7\u00e3o nela, que enlouqueceremos com a revela\u00e7\u00e3o ou fugiremos da luz fatal, para a paz e a seguran\u00e7a de uma nova idade das trevas.<\/p>\n\n\n\n<p>### Do Al\u00e9m (1925) ##<\/p>\n\n\n\n<p>Fizeram um filme de terror &#8220;B&#8221; baseado nesta premissa. O conto original \u00e9 suficientemente absurdo e perturbador para merecer ser filmado com mais respeito. Mas talvez a linguagem rebuscada e a a\u00e7\u00e3o lenta demais atrapalhem a percep\u00e7\u00e3o de sua qualidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&gt; O que sabemos \u2014 ele disse \u2014 a respeito do mundo e do universo ao nosso redor? Nossos meios de recep\u00e7\u00e3o de impress\u00f5es s\u00e3o absurdamente poucos, e as nossas no\u00e7\u00f5es dos objetos que nos cercam s\u00e3o infinitamente estreitas. **Vemos as coisas da maneira como fomos constru\u00eddos para v\u00ea-las e n\u00e3o podemos ter ideia de sua natureza absoluta. Com cinco fr\u00e1geis sentidos fingimos compreender a ilimitada complexidade do cosmos, mas outros seres com sentidos mais amplos, mais fortes ou apenas diferentes poderiam ver tudo de uma forma muito diferente da que vemos, poder\u00e3o ver e estudar mundos inteiros de mat\u00e9ria, energia e vida que est\u00e3o perto mas n\u00e3o podem ser detectados pelos sentidos que temos.** Sempre acreditei que tais mundos estranhos e inacess\u00edveis existem perto de nossos cotovelos, e agora creio que encontrei um meio para quebrar as barreiras. N\u00e3o estou brincando. Em vinte e quatro horas a m\u00e1quina perto da mesa vai gerar ondas que atuar\u00e3o em \u00f3rg\u00e3os sensoriais que existem em n\u00f3s atrofiados ou de que restam vest\u00edgios rudimentares. Tais ondas nos abrir\u00e3o muitas vis\u00f5es desconhecidas ao homem e muitas desconhecidas para tudo aquilo que consideramos vida org\u00e2nica. **Veremos o que faz os c\u00e3es ganirem no escuro e os gatos eri\u00e7arem suas orelhas ap\u00f3s a meia noite.** Veremos tais coisas, e outras que nenhuma criatura que respira jamais viu. Ultrapassaremos o tempo, o espa\u00e7o e as dimens\u00f5es, e sem movimento corporal observaremos as profundezas da cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>### O Horror de Dunwich (1926) ##<\/p>\n\n\n\n<p>Os primeiros cinco ou seis par\u00e1grafos desta noveleta inspiraram minha constru\u00e7\u00e3o do cen\u00e1rio para o romance Serra da Estrela. A ideia de uma regi\u00e3o sobrenatural, ligeiramente &#8220;escondida&#8221; do mundo real, apesar de existir ao lado dele, e da qual se pode entrar e sair em certas condi\u00e7\u00f5es, isso me inspirou a escrever meu romance, embora meu cen\u00e1rio n\u00e3o seja necessariamente maligno, como o dele, e os meus personagens nada tenham a ver com as criaturas odiosas que habitam esta hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>&gt; Quando um viajante no centro-norte de Massachusetts toma o caminho errado na encruzilhada da estrada vicinal para Aylesbury, logo ap\u00f3s Dean&#8217;s Corners, ele encontra um lugar curioso e desolado. O ch\u00e3o se eleva, e as paredes cobertas de sar\u00e7as se estreitam mais e mais contra os sulcos da estrada poeirenta e sinuosa. As \u00e1rvores dos frequentes cintur\u00f5es de floresta parecem grandes demais e as ervas, os espinheiros e relvas adquirem um vi\u00e7o n\u00e3o muito encontrado em outras regi\u00f5es habitadas. Ao mesmo tempo os campos cultivados parecem singularmente poucos e est\u00e9reis, enquanto as casas esparsamente distribu\u00eddas apresentam um aspecto surpreendentemente uniforme de idade, sordidez e decad\u00eancia. Sem saber porque, hesitamos em pedir orienta\u00e7\u00f5es \u00e0s figuras solit\u00e1rias e curvadas que vemos aqui e ali em alpendres meio desmoronados ou nos vales escarpados e salpicados de rochas. Tais figuras s\u00e3o t\u00e3o silentes e furtivas que nos sentimos um pouco como se encontr\u00e1ssemos coisas proibidas, com as quais seria melhor n\u00e3o ter contato. Quando uma eleva\u00e7\u00e3o da estrada traz \u00e0 vista as montanhas al\u00e9m dos bosques profundos, o sentimento de estranho desconforto aumenta ainda mais. Os cimos s\u00e3o muito arredondados e sim\u00e9tricos para dar uma sensa\u00e7\u00e3o de conforto e naturalidade e \u00e0s vezes o c\u00e9u delineia com especial clareza os curiosos c\u00edrculos de altos pilares de rochas com que a maioria \u00e9 coroada.<\/p>\n\n\n\n<p>### Os Gatos de Ulthar (1920) ##<\/p>\n\n\n\n<p>Para voc\u00ea, que j\u00e1 matou um gato, come\u00e7ar a ter pesadelos noturnos. Sua sorte \u00e9 que n\u00e3o vive em Ulthar&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>&gt; Em Ulthar, que fica al\u00e9m do rio Skai, se diz que ningu\u00e9m deve matar um gato, e nisto creio verdadeiramente enquanto contemplo este que se assenta ronronando diante do fogo. Pois **o gato \u00e9 cr\u00edptico e mais pr\u00f3ximo de coisas estranhas que o homem n\u00e3o pode ver.** Ele \u00e9 a alma do antigo Egito e portador das lendas de cidades h\u00e1 muito esquecidas de Mero\u00e9 e Ofir. Ele \u00e9 parente dos senhores das selvas e herdeiro dos segredos da l\u00edvida e sinistra \u00c1frica. A esfinge \u00e9 sua prima e ele fala a sua l\u00edngua, mas ele \u00e9 mais antigo que a Esfinge e se lembra daquilo que ela j\u00e1 esqueceu.<\/p>\n\n\n\n<p>### O Navio Branco (1919) ##<\/p>\n\n\n\n<p>Para voc\u00ea que \u00e0s vezes tem vontade de largar tudo e sumir.<\/p>\n\n\n\n<p>&gt; Era do Sul que o Navio Branco costumava vir quando a lua estava cheia e alta nos c\u00e9us. Do Sul ele sempre deslizaria muito suavemente e em sil\u00eancio sobre o mar. Estivesse o mar encapelado ou calmo, fosse o vento amig\u00e1vel ou adverso, ele sempre deslizaria suavemente e em sil\u00eancio, com as velas enfunadas e suas longas fileiras de remos se movendo ritmadamente. Uma noite eu vi sobre o tombadilho um homem barbado e vestido de uma t\u00fanica, e ele pareceu me acenar que embarcasse rumo a costas belas e desconhecidas. Muitas vezes depois eu o vi sob a lua cheia, e nunca mais ele acenou para mim.<\/p>\n\n\n\n<p>### O Depoimento de Randolph Carter (1921) ##<\/p>\n\n\n\n<p>Tido como um dos piores contos de Lovecraft, este \u00e9, de fato, um dos que melhor constroem uma atmosfera de horror sobre as lacunas, em vez das descri\u00e7\u00f5es. Nada \u00e9 dito, mas o leitor sai do conto convencido de que o destino de Warren foi terr\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>&gt; Repito, cavalheiros, que seu interrogat\u00f3rio \u00e9 infrut\u00edfero. Detenham-me aqui para sempre se quiserem, confinem-me ou executem-me se precisam ter uma v\u00edtima que propicie a ilus\u00e3o do que chamam de justi\u00e7a, mas eu n\u00e3o posso dizer mais do que j\u00e1 disse. Tudo que posso lembrar eu j\u00e1 lhes contei com perfeita honestidade. Nada foi distorcido ou ocultado, e se algo permanece vago \u00e9 por causa da nuvem obscura que recaiu sobre a minha mente, tal nuvem e tamb\u00e9m a natureza nebulosa dos horrores que me sobrevieram.<\/p>\n\n\n\n<p>### A Busca de Iranon (1921)<\/p>\n\n\n\n<p>Que a beleza deste par\u00e1grafo fale por si.<\/p>\n\n\n\n<p>&gt; E no entardecer, quando as estrelas sa\u00edam e a lua deitava sobre o p\u00e2ntano um resplendor tal como o que uma crian\u00e7a v\u00ea tremulando no ch\u00e3o quando o ber\u00e7o \u00e9 balan\u00e7ado \u00e0 noite para ela dormir, caminhava em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s mort\u00edferas areias movedi\u00e7as um homem muito velho, vestido de uma roupa roxa rasgada, coroado com folhas de parreira e olhando para frente como se visse as c\u00fapulas de uma linda cidade onde os sonhos s\u00e3o compreendidos. **Naquela noite um pouco da juventude e da beleza morreu no mundo antigo**.<\/p>\n\n\n\n<p>### Polaris (1918) ##<\/p>\n\n\n\n<p>Exemplo acabado dos famosos longos per\u00edodos de Lovecraft, este par\u00e1grafo, em portugu\u00eas e bem pontuado, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o intimidador quanto em ingl\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>&gt; Enquanto me contor\u00e7o na agonia de minha culpa, freneticamente tentando salvar a cidade cujo perigo cresce a cada instante e em v\u00e3o tentando despertar deste sonho sobrenatural de uma casa de pedra e tijolo ao sul de um p\u00e2ntano sinistro e de um cemit\u00e9rio em uma colina, a estrela polar, maligna e monstruosa, contempla-me desde o abismo negro, piscando horrivelmente como um olho mals\u00e3o que a tudo v\u00ea, enquanto eu tento passar uma estranha mensagem, mas n\u00e3o me lembro de nada a n\u00e3o ser que tive uma mensagem para passar.<\/p>\n\n\n\n<p>### Os Outros Deuses (1921) ##<\/p>\n\n\n\n<p>Tr\u00eas par\u00e1grafos de grande poesia abrem este conto, que n\u00e3o \u00e9 exatamente t\u00e3o aterrorizante quanto se poderia esperar.<\/p>\n\n\n\n<p>&gt; Sobre os mais altos picos da terra vivem os deuses do mundo, e n\u00e3o permitem que ningu\u00e9m diga que j\u00e1 os viu. Eles j\u00e1 habitaram picos mais baixos, mas os homens das plan\u00edcies escalavam as encostas de rocha e neve, expulsando os deuses para montanhas cada vez mais altas at\u00e9 que s\u00f3 restem agora umas poucas. Quando deixavam seus antigos picos, eles levavam consigo todos os sinais de sua presen\u00e7a, exceto uma vez, dizem, quando deixaram uma imagem de escultura na face de uma montanha chamada Ngranek.<br \/>&gt; Mas agora eles foram para a desconhecida Kadath, na vastid\u00e3o gelada onde ningu\u00e9m vai, e ficaram severos, pois n\u00e3o t\u00eam pico mais alto para onde fugir da vinda do homem. Ficaram severos, e se um dia eles aceitavam que o homem os desalojasse, agora eles pro\u00edbem que o homem venha, ou tendo vindo, que retorne. \u00c9 sabido entre os homens que eles n\u00e3o sabem onde fica Kadath, na vastid\u00e3o gelada, pois se soubessem eles buscariam loucamente escal\u00e1-la.<br \/>&gt; **\u00c0s vezes os deuses do mundo t\u00eam saudades e visitam \u00e0 noite os picos onde um dia viveram, e choram suavemente tentando se divertir nas escarpas conhecidas como nos velhos tempos.** Os homens sentiram as l\u00e1grimas dos deuses no nevado Thurai, embora tenham pensado que era chuva, e ouviram os suspiros dos deuses nas brisas lamentosas de Lerion. Os deuses costumam viajar em navios de nuvens e os camponeses s\u00e1bios t\u00eam lendas que os impedem de ir a certos altos picos \u00e0 noite quando est\u00e1 nublado, pois os deuses j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o lenientes como antigamente.<\/p>\n\n\n\n<p>### O Horror em Red Hook (1925) ##<\/p>\n\n\n\n<p>Neste conto encontramos este horr\u00edvel par\u00e1grafo, que seria uma invoca\u00e7\u00e3o feita por uma seita maligna. Poucas vezes em minha vida encontrei palavras que me causassem tanto medo. Apesar de n\u00e3o descreverem nada explicitamente, elas conjuram algo de uma tal malignidade que intimida at\u00e9 mesmo o mais duro dos descrentes.<\/p>\n\n\n\n<p>&gt; \u00d3 amigo e companheiro da noite, tu que te regozijas no ladrar dos c\u00e3es e no sangue derramado, que perambulais por entre as sombras entre as tumbas, que desejais o sangue e trazeis terror aos mortais, Gorgo, Mormo, lua de mil faces, contemplai favoravelmente nossos sacrif\u00edcios.<\/p>\n\n\n\n<p>### Fatos a Respeito do Falecido Arthur Jermyn e sua Fam\u00edlia (1920) ##<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da opini\u00e3o extrema expresssa neste conto \u2014 que \u00e9 a ep\u00edtome do medo que o homem branco protestante e anglo-sax\u00e3o sente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00c1frica \u2014 esta \u00e9 uma de suas melhores obras, em minha opini\u00e3o. E mesmo que n\u00e3o seja, a filos\u00f3fica reflex\u00e3o contida no seu primeiro par\u00e1grafo \u00e9 suficiente para manter uma pessoa sens\u00edvel pensando na vida por semanas a fio. Puro nihilismo racista misturado ao horror da teoria da evolu\u00e7\u00e3o darwiniana sobre a mente de um supremacista branco, mas genial justamente por esse mergulho na loucura de um KKK diante da verdade cient\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>&gt; **A vida \u00e9 uma coisa horr\u00edvel, e do fundo do que sabemos a respeito nos contemplam demon\u00edacas pistas da verdade que a torna, de vez em quando, mil vezes mais assustadora.** A ci\u00eancia, que j\u00e1 nos oprime com suas chocantes revela\u00e7\u00f5es, talvez venha a ser o exterminador final da nossa esp\u00e9cie humana \u2014 se \u00e9 que somos uma esp\u00e9cie separada \u2014 pois sua reserva de horrores desconhecidos n\u00e3o poderia ser tolerada por c\u00e9rebros mortais se divulgada pelo mundo. **Se soub\u00e9ssemos o que somos, far\u00edamos o que Sir Arthur Jermyn fez, e Arthur Jermyn se ensopou de \u00f3leo e p\u00f4s fogo em suas roupas certa noite.** Ningu\u00e9m p\u00f4s os fragmentos carbonizados em uma urna ou ergueu um memorial a quem ele fora, pois certos pap\u00e9is e um certo objeto encaixotado foram encontrados, que fizeram com que os homens quisessem esquec\u00ea-lo. Alguns que o conheceram nem mesmo admitem que Arthur Jermyn existiu.<\/p>\n\n\n\n<p>### A Cor do Espa\u00e7o (1927) ##<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 lugares que, realmente, n\u00e3o fazem bem \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&gt; O povo antigo foi embora e os estrangeiros n\u00e3o gostam de viver ali. Franco-canadenses tentaram, italianos tentaram e os poloneses vieram e partiram. N\u00e3o \u00e9 por causa de nada que se possa ver ou escutar, mas por causa de algo que se imagina. **O lugar n\u00e3o faz bem \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o e n\u00e3o traz sonhos tranquilos \u00e0s noites**. Deve ser isso que mant\u00e9m os estrangeiros longe, pois o velho Ammi Pierce nunca lhes contou nada do que se lembra dos dias estranhos. Ammi, cuja cabe\u00e7a tem estado um tanto peculiar nos \u00faltimos anos, \u00e9 o \u00fanico que ainda resta, ou que ainda fala dos dias estranhos, e ele s\u00f3 ousa fazer isso porque a sua casa \u00e9 a que fica mais perto dos campos abertos e das estradas mais percorridas em torno de Arkham.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tido como um autor menor da literatura americana, Howard Phillips Lovecraft, a exemplo de Edgar Allan Poe, goza de uma reputa\u00e7\u00e3o muito melhor em outros pa\u00edses. Certamente isto se deve \u00e0 capacidade de seus tradutores, que conseguem filtrar aquela que \u00e9 justamente a m\u00e1 qualidade mais notada em sua prosa: a falta de fluidez, causada pelo vocabul\u00e1rio excessivamente precioso e pela tend\u00eancia a per\u00edodos longos. Publico a seguir uma sele\u00e7\u00e3o dos doze melhores par\u00e1grafos da fic\u00e7\u00e3o lovecraftiana **em minha modesta opini\u00e3o**, segundo minha tradu\u00e7\u00e3o pessoal. 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