{"id":7332,"date":"2020-09-15T23:02:40","date_gmt":"2020-09-16T02:02:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=7332"},"modified":"2020-09-15T23:02:42","modified_gmt":"2020-09-16T02:02:42","slug":"o-estranho-sonho-que-tive-com-fernando-collor-de-mello","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2020\/09\/o-estranho-sonho-que-tive-com-fernando-collor-de-mello\/","title":{"rendered":"O Estranho Sonho Que Tive Com Fernando Collor de Mello"},"content":{"rendered":"\n<p>Sonhos n\u00e3o costumam ser explic\u00e1veis nem previs\u00edveis. Se assim fosse, eu certamente sonharia mais com gente que eu conhe\u00e7o e com quem convivo e teria menos pesadelos aleat\u00f3rios com gente distante e em quem raramente penso. Um desses epis\u00f3dios aconteceu em junho.<\/p>\n\n\n\n<p>O sonho j\u00e1 come\u00e7a no meio, ent\u00e3o n\u00e3o me pergunte como chegamos l\u00e1. Tudo come\u00e7a e eu j\u00e1 estou sentado \u00e0 mesa de um restaurante popular, em companhia de dois amigos. Quem est\u00e1 comigo na mesa, almo\u00e7ando P. F. e falando de coisas desimportantes s\u00e3o o meu amigo Sass\u00e1 e o ex-presidente Fernando Collor de Mello.<\/p>\n\n\n\n<p>Sass\u00e1 est\u00e1 com os olhos vermelhos de tanto beber e eu me sinto zonzo, mas deve ser porque estou com sono, afinal estou dormindo. Fernando Collor est\u00e1 despenteado e fuma cigarros Continental, como os que meu pai fumava antigamente. Sass\u00e1 reclama que j\u00e1 est\u00e1 muito tarde, mas, curiosamente, ainda \u00e9 dia l\u00e1 fora.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Voc\u00ea tem de entender, Jos\u00e9 Geraldo,&#8221; &#8212; ele diz, &#8212; &#8220;que eu fui muito mal interpretado naquele momento hist\u00f3rico. Tentei cavalgar a dial\u00e9tica e ca\u00ed do cavalo.&#8221; <\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Voc\u00ea est\u00e1 falando do confisco, n\u00e3o \u00e9, Fernando?&#8221; <\/p>\n\n\n\n<p>A essa altura j\u00e1 estamos t\u00e3o \u00edntimos que nos chamamos pelos prenomes. Somos amigos, assim. E Fernando tenta me explicar o que, raios, lhe passava pela cabe\u00e7a em 1990.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9, a coisa do confisco&#8221; &#8212; diz ele. &#8220;Z\u00e9lia e eu percebemos com clareza que n\u00e3o seria poss\u00edvel o Lula implementar uma pol\u00edtica reformista s\u00e9ria no pa\u00eds por causa da resist\u00eancia da classe m\u00e9dia. Nossa primeira prioridade foi impedir que ele fosse eleito e tentasse, porque falharia. Algu\u00e9m precisava preparar as bases para ele.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Uma vez que fui eleito, no entanto, um camarada do PCUS me procurou e confessou que a KGB ajudara a derrotar o Sapo Barbudo. Eles n\u00e3o confiavam em sindicalista por causa do Walesa. Mas eu ser propriet\u00e1rio era tranquilo, St\u00e1lin era de fam\u00edlia nobre e Fidel, filho de fazendeiro.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O plano era simples: atacar a jugular da classe m\u00e9dia, ao mesmo tempo em que livrava a cara da elite. Assim se neutralizava a solidariedade ideol\u00f3gica dos remediados com os ricos e se criava o clima certo para uma revolta popular genu\u00edna.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A elite nunca desconfiaria que estava ganhando um salva-vidas de ouro enquanto a gente preparava a guinada do navio para outras \u00e1guas. &#8220;A coisa estava t\u00e3o avan\u00e7ada que confeccionaram um passaporte cubano para mim, para o caso de tudo dar errado. Eu o tenho no bolso at\u00e9 hoje. Olha ele aqui.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Fernando me mostra uma fotoc\u00f3pia do passaporte, obviamente j\u00e1 vencido h\u00e1 muito tempo. Na foto ele est\u00e1 bigodudo e usa \u00f3culos escuro. <em>Hern\u00e1n Afonso Cu\u00e9llar de Melo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Se a revolta espocasse, alguma m\u00famia do PCdoB tomava a frente e eu fugia do pa\u00eds para viver em Havana com o nome falso.&#8221; <\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ali\u00e1s, por que voc\u00ea acha que meu tesoureiro era o &#8216;PC&#8217; Farias? Era ele quem trazia o &#8216;ouro de Moscou&#8217;, obviamente&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Infelizmente deu errado. A classe m\u00e9dia n\u00e3o desgrudou da elite, o povo n\u00e3o entendeu, os comunistas n\u00e3o apreciaram o meu gesto, Lula n\u00e3o obedeceu \u00e0 diretriz do PCUS (bem que a KGB n\u00e3o confiava naquele Walesa nordestino) e a revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o saiu. Tive que administrar a bomba!&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Para tudo piorar, os americanos ficaram sabendo, eu acho. Pressionaram o meu irm\u00e3o para ele contar aquele hist\u00f3ria, a Globo caiu em cima de mim como urubu na carni\u00e7a e logo o povo tava na rua querendo minha cabe\u00e7a.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A coisa tava t\u00e3o s\u00e9ria que eu vivia sob sedativos. Voc\u00ea deve ter visto a minha entrevista para a tev\u00ea da Argentina&#8230; Um cara da KGB me tomou o passaporte cubano e disse &#8216;nunca nos vimos&#8217;.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu fiquei por minha conta. Se eu desse um passo em falso a CIA me pegava. Eles n\u00e3o tem limites, forjaram fotos minhas com outra mulher e mostraram para a Rosane, da\u00ed ela me largou. Acho que devem ter mostrado fotos falsas para o Pedro tamb\u00e9m, coitado.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu n\u00e3o queria subitamente pegar um c\u00e2ncer cerebral como ele, ent\u00e3o ca\u00ed fora e fui cuidar das empresas da fam\u00edlia em Alagoas. S\u00f3 eu e o PC (Farias) t\u00ednhamos provas de alguma coisa. Ent\u00e3o mataram o PC e eu vi que tinha de negociar com os ianques para salvar a minha pele. Nunca tive voca\u00e7\u00e3o para her\u00f3i, voc\u00ea sabe.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse momento o Sass\u00e1, que estava b\u00eabado, mas n\u00e3o estava bobo, interrompeu: &#8220;Se a KGB matou o PC para voc\u00eas n\u00e3o contarem a ningu\u00e9m sobre o plano, por que, raios, voc\u00ea est\u00e1 aqui contando para n\u00f3s?&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o Fernando, com uma express\u00e3o muito s\u00e9ria, disse: &#8220;Eu j\u00e1 sou um homem marcado. Agora estou entregue \u00e0 CIA e \u00e0 KGB, n\u00e3o querem que eu confesse, mas eu j\u00e1 decidi que&#8230;&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Gritos na entrada do restaurante. Olhamos para tr\u00e1s, eu e Sass\u00e1, e vemos dois homens corpulentos, com \u00f3culos escuros, entrando e empurrando mesas, eles tem pistolas gigantescas na m\u00e3o. Pulamos da mesa e vamos nos arrastando entre os fregueses, derrubando gente e travessas.<\/p>\n\n\n\n<p>Collor \u00e9 atingido no peito por tr\u00eas disparos certeiros e cai sangrando sobre um prato de macarr\u00e3o ao alho e \u00f3leo, que fica parecendo <em>spaghetti al sugo<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu acordei suado e ofegante, gritando &#8220;Aqueles animais! Mataram o Fernando! Mataram o Fernando!&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Se eu me lembrar o que foi que bebi eu juro que conto para voc\u00eas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sonhos n\u00e3o costumam ser explic\u00e1veis nem previs\u00edveis. Se assim fosse, eu certamente sonharia mais com gente que eu conhe\u00e7o e com quem convivo e teria menos pesadelos aleat\u00f3rios com gente distante e em quem raramente penso. Um desses epis\u00f3dios aconteceu em junho. O sonho j\u00e1 come\u00e7a no meio, ent\u00e3o n\u00e3o me pergunte como chegamos l\u00e1. 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