{"id":85,"date":"2013-01-20T21:42:00","date_gmt":"2013-01-21T00:42:00","guid":{"rendered":"http:\/\/letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=85"},"modified":"2018-02-25T20:29:57","modified_gmt":"2018-02-25T23:29:57","slug":"um-pedaco-de-minha-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2013\/01\/um-pedaco-de-minha-historia\/","title":{"rendered":"Um Peda\u00e7o de Minha Hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 momentos na vida em que nos surpreendo com coisas simples, quase a ponto de algum &#8220;suor dos olhos&#8221; me emba\u00e7ar a vis\u00e3o. Sou do tipo emotivo a ponto de n\u00e3o gostar de filmes de guerra para n\u00e3o ver carnificina, mesmo que fict\u00edcia, e costumo achar finais felizes para meus personagens. Qu\u00e3o mais emotivo n\u00e3o sou quando me deparo com peda\u00e7os de minha pr\u00f3pria mem\u00f3ria recuperados por pessoas com quem interagi!<\/p>\n<p>H\u00e1 poucos minutos vi na barra lateral deste blogue um link para o blogue parceiro &#8220;Chicos Cataletras&#8221;, um e-zine liter\u00e1rio de minha cidade natal, Cataguases. Ali estava o chamado para um mergulho em meu passado: a [Revista Liter\u00e1ria Trem Azul]), de 1997.<\/p>\n<p>Caro leitor, \u00e9 at\u00e9 complicado controlar esses borbot\u00f5es de lembran\u00e7as. Eu tinha 24 anos, muitas ideias e horm\u00f4nios, muita ingenuidade na cabe\u00e7a e nenhuma experi\u00eancia de mundo. Fiz uma revista liter\u00e1ria em parceria com o meu amigo Emerson Teixeira Cardoso. N\u00f3s dois no conte\u00fado, com a ajuda de outro amigo meu, o Salvador M\u00e1rcio (ah, Sass\u00e1, saudades daqueles nossos papos sobre m\u00fasica na varanda da casa dos seus pais, bons tempos aqueles!). A revista foi inteiramente digitada no Word 97 (o \u00faltimo grito em termos de edi\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica da \u00e9poca) e fotocopiada digitalmente em 100 exemplares pela extinta Tipografia Monteiro. Custou exatamente 300 reais a impress\u00e3o, o que significava que, pelo pre\u00e7o de capa, ter\u00edamos 100 reais de preju\u00edzo se vend\u00eassemos TUDO. Bem, conseguimos alguns patroc\u00ednios (70 reais no total, se n\u00e3o me engano) e n\u00e3o, n\u00e3o vendemos tudo.<\/p>\n<p>Mas esse singelo trabalho, adornado por nossas inocentes obras e por colabora\u00e7\u00f5es de amigos pr\u00f3ximos (Waltencir Oliveira, Ant\u00f4nio Jaime) ou distantes (Ronaldo Cagiano), nos levou longe. Tivemos a ousadia de mand\u00e1-lo para gente de toda parte. At\u00e9 para Cuba, Espanha, It\u00e1lia, Argentina e Estados Unidos. Conseguimos contatos com escritores, chamamos a aten\u00e7\u00e3o a ponto de o n\u00famero dois crescer imensamente. Esse foi nosso erro.<\/p>\n<p>Contando com as vendas e os patroc\u00ednios, tivemos apenas 50 reais de preju\u00edzo. Com a infla\u00e7\u00e3o adicionada isso daria uns 125 reais em dinheiro de hoje. Mas a ideia de crescer r\u00e1pido nos fez ter preju\u00edzos grandes com os n\u00fameros dois e tr\u00eas, o que impediu que a revista se estabilizasse.<\/p>\n<p>Duas coisas curiosas sobre esta revista. A primeira \u00e9 que ela parece bem mais bonita e agrad\u00e1vel do que os n\u00fameros seguintes, feitos com mais &#8220;profissionalismo&#8221;. A segunda \u00e9 que eu n\u00e3o possuo esse n\u00famero em meu arquivo pessoal. Sobreviveu apenas um exemplar, no arquivo pessoal do Emerson, isso se ningu\u00e9m a quem a gente a enviou tiver guardado. Pode ser a revista liter\u00e1ria mais rara do Brasil!<\/p>\n<p>Esta revista teve uma linda capa desenvolvida a partir de uma pintura\u00a0 em estilo na\u00eff feita por uma garota natural de Astolfo Dutra, chamada Daniela (por onde andas, \u00f3 Daniela?). A pintura monocrom\u00e1tica (preto e branco), em guache sobre papel canson, n\u00e3o existe mais, a menos que o Emerson a tenha salva em seus arquivos tamb\u00e9m. Se ele n\u00e3o a tiver, resta dela apenas este testemunho na capa da revista.<\/p>\n<p>Como eu n\u00e3o tenho esse exemplar comigo, n\u00e3o tinha (at\u00e9 ontem) acesso ao original de meu ensaio &#8220;Literatura e Consci\u00eancia&#8221; (meu ato inaugural de rebeldia, ao atacar o Concretismo e o elitismo de nossa literatura). Cheio de marxismo cultural e de ingenuidade em estado bruto, este texto certamente n\u00e3o seria escrito por mim hoje (embora eu continue cheio das mesmas coisas que o inspiraram), mas mesmo assim eu queria muito t\u00ea-lo no meu blogue. E gra\u00e7as \u00e0 iniciativa do Chico Cataletras eu poderei t\u00ea-lo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 momentos na vida em que nos surpreendo com coisas simples, quase a ponto de algum &#8220;suor dos olhos&#8221; me emba\u00e7ar a vis\u00e3o. Sou do tipo emotivo a ponto de n\u00e3o gostar de filmes de guerra para n\u00e3o ver carnificina, mesmo que fict\u00edcia, e costumo achar finais felizes para meus personagens. 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