Não Tomo Juízo

1 março há 10 anos

Não tomo juízo: prefiro tomar cerveja, ou um caminho diferente. Estou cansado de gente que tem juízo e tudo, que sempre prevejo vão no mesmo caminho e não sabem da cerveja o que faz de bem. Não tomo juízo: tomo o pé do rio e tento o outro lado. Estou cansado de pensar, creio querer sentir. É uma pena que tanta gente precise pensar tanto: para eles é como se o pensar fosse penoso. Penso como respiro e preciso é sentir.

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Literatura Transistorizada

28 fevereiro há 10 anos

Num mundo em que tamanho é documento (carrão, peitão, sonzão, pancadão, etc.) é paradoxal que em relação à cultura se valorize o oposto (mini-conto, mini-poema, noveleta, músicas de dois ou três minutos, etc.). Dizem que é porque as pessoas hoje “não têm mais tempo” para ler, para ouvir música, enfim, para fazer coisas que não sejam sexo nem necessidades básicas. A moda hoje é a literatura transistorizada: se você pode fazer menor, então isso quer dizer que é melhor. Só que arte não é eletrônica […]

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Dois Gringos na Lapa

23 fevereiro há 10 anos

Shaul pensa no buraco negro que se aproxima, interrompe o gole de uísque para pensar nos tentáculos da destruição que se espraiam pelo cosmos em direção à Terra, prestes a engolfá-la em breve. Esse pensamento parece arejar sua mente com uma rajada de lucidez. De repente tudo se revela tão instável, e cada vez mais próximo. — Há muitos anos — confessa a Randall — eu conheci uma garota lá em Minas Gerais. Era uma pobre coitada que vivia com a avó caduca e três irmãos […]

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Indulgência Plenária Antecipada

21 fevereiro há 10 anos

Cenário: um confessionário silencioso. Um bandidão famoso, ligado a um grande empresário, se confessa com um padre. BANDIDÃO: Vossa Eminência precisa me conceder esta graça. PADRE: Não sei, meu filho. É algo difícil. Não sei como avaliar. BANDIDÃO: Por favor, Eminência, é um caso importante. PADRE (consultando um enorme livro e com uma calculadora HP 12C na mão): então vejamos… (minutos depois) BANDIDÃO: Já tem a resposta, Eminência? PADRE: Acho que sim, mas ficaram dúvidas. Serão nove, correto? BANDIDÃO: Nove. Estou pondo dois extras se […]

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O Que Seria da Minha Rebeldia?

14 fevereiro há 10 anos

Em algum momento, em 1995, eu datilografei em uma página de papel-ofício os seguintes versos: O que seria / de minha rebeldia / se eu não fosse um rapaz da burguesia / acometido pelo tédio da escrita / e um diploma superior? Decerto eu estava pensando nas polêmicas de Lobão, artista cuja arte pouco me interessa, mas cuja filosofia sempre me instigou. Acho que se João Luís Wönderbag escrevesse logo o primeiro volume de suas memórias produziria uma obra mais relevante que toda sua música […]

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Falácias do Hermano do Herbert Sobre o Marido da Joelma

13 fevereiro há 10 anos

O artigo que motivou esta resposta já não se encontra on-line, apesar do conselho de Tim Berns-Lee, mas eu mantenho aqui o que escrevi porque ainda acredito que seja relevante. Chimbinha me deu de presente seu CD solo, chamado Guitarras que Cantam, hoje uma raridade que deveria ser relançada para os fãs conhecerem suas origens. Era um disco de guitarrada, claramente herdeiro das invenções dos mestres Vieira e Aldo Sena, que foram muito populares em toda a Amazônia no início dos anos 80, antes da […]

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Alter Ego em Springfield

17 janeiro há 10 anos

Andei fuçando na Internet sem o que fazer, mais uma vez. Desta vez descobri que é possível criar um avatar de mim mesmo ao estilo dos Simpsons, através do site www.simpsonsmovie.com. Tá certo, a notícia é mais velha que guaraná de rolha (na Web um ano é um pouco menos que um milênio), mas não deixou de ser interessante. Então esse camarada esquisitão aí do lado soy yo! Prestem atenção nos dentinhos protuberantes, na roupa conservadora, na estampa do Tux na camiseta e no formato […]

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Cogumelos

13 janeiro há 10 anos

Jonas é um verdadeira “figura”. Conheci-o há vários anos, na época em que eu era rico e tinha um carro novo. Fomos colegas de noitada por muito tempo até que o destino nos separou e nesse meio tempo vivemos muitos momentos divertidos dos quais eu me lembro com razoável saudade. Entre as suas esquisitices estava sua fixação por cogumelos. Lembro-me que quando passávamos perto de algum lugar onde houvesse umidade e sombra ele cheirava o ar e dizia: “aqui nasce cogumelo do bom…” Da primeira […]

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Murdinta Robotoj

27 dezembro há 10 anos

Estamos em um futuro não muito distante (dez, quinze anos) em uma metrópole sul-americana qualquer. Temos um personagem, vamos chamá-lo por num nome simples, bonito e português: Téo. Nosso personagem trabalha para um serviço secreto da polícia, a que, por falta de nome melhor, chamaremos simplesmente de “P-2”. Sua atual missão é localizar e eliminar quem for o responsável por uma série de brutais assassinatos de empresários e políticos corruptíssimos, mas fedidos de tão ricos (a “P-2” não prende, ela é a “briga de gangues” […]

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Maldito Paulo Coelho

26 dezembro há 10 anos

Não, esse artigo não tem por objetivo ofender ao nosso mais vendido escritor. Isso eu faço em outro texto. Nem poderia porque uma pessoa bem-sucedida e talentosa como ele não deve se sentir atingida pelas críticas feitas por qualquer zé-ruela. Mesmo assim, pedindo licença ao digníssimo acadêmico, se estiver lendo essa bosta aqui, vou destilar um pouco de meu veneno. Não contra ele, mas contra quem o usa como escudo para o desleixo. Paulo Coelho ficou famoso e vende muitos livros no mundo inteiro apesar […]

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Evitando Saudades

25 dezembro há 10 anos

Dormirei com você nos braços de meus sonhos, Levarei o toque de sua pele na ponta de meus deus dedos e deixarei amanhecer em meus cabelos o perfume dos seus, secar meus lábios o calor que vivemos. Sonharei a cada noite levar você de novo àquele pátio, para ver a lua envenenar sua inocência. Guardarei comigo aquela imagem tão fatal e gradativa. Esperarei que você venha habitar também estes jardins por onde perambulo a pensar aonde ser as coisas que andei querendo e ninguém nunca […]

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Outra Vez

11 dezembro há 10 anos

A humildade da humanidade amenizada pela imanência de coisas que sonhamos com saudade de um plano nosso apenas inconcluso, objetos que despontam como alentos de uma esperança que precisa de futuro. Foi nisso que produzimos templos, por causa disso pirâmides, relógios, navios que soçobraram nos oceanos, guerras que entretiveram os milênios. Todas essas coisas filosóficas são apenas gritos da alma em agonia, em cada lei e em cada pedra dorme um deus, um sonho que alguém teve e que morreu. Tudo que fazemos é outra […]

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