Há tão pouca gente que ame as paisagens que não existem!

Por Causa do Mau Tempo

Fechou-​​​​se o céu e eu me sen­tei para lem­brar, ouvindo a água calma pipo­cando impul­sos gros­sos no papel surdo que esqueci debaixo da goteira. Em algum lugar Jacinto se des­pede, insí­pido como con­se­gue, e Fabi­ana está em casa reto­cando unhas e ator­men­tando os pelos. Todos espe­ram que esteja um dia lindo quando o sol cantar […]

Dicas de Escrita, ou: Por­que Escrevo Tão Mal

« Se con­se­lho fosse bom, nin­guém dava: ven­dia.«   Sabe­do­ria popu­lar (essa que elege o Tiri­rica e assiste BBB) « O segredo da pro­pa­ganda é a pro­pa­ganda do segredo.«   Millôr Fer­nan­des Escri­to­res escre­vem e há uma vari­e­dade de gêne­ros pos­sí­veis para a satis­fa­ção de todas as cate­go­rias de pes­soas dadas à gra­for­reia. Ver­sos cos­tu­mam ser o começo de […]

Phan­tas­ma­go­ria

Um conto base­ado em fatos reais. Ou pelo menos vir­tu­ais, sei lá. O texto con­tém a chave de sua pró­pria inter­pre­ta­ção. E não está em latim. Gui­lherme cons­truíra a sua casa sobre as ruí­nas des­co­nhe­ci­das que ocu­pa­vam um exce­lente ter­reno urbano. Doze tra­ba­lha­do­res com suas máqui­nas remo­ve­ram os res­tos, arran­ca­ram os arbus­tos e aplai­na­ram cada metro […]

Tra­du­ção: A Vinda do Verme Branco, 4 (C. A. Smith)

Ao ver tal enti­dade a pul­sa­ção de Evagh se deteve por um ins­tante, tal o ter­ror e logo a seguir do ter­ror as suas entra­nhas se revol­ta­ram den­tro dele, tal o excesso de nojo. Em todo o mundo nada havia que pudesse ser com­pa­rado à asque­ro­si­dade de Rlim Shai­korth. De alguma forma ele tinha a […]

O Barco de Milhões de Anos

« Ele der­rama as suas lágri­mas vendo o barco de milhões de anos.«  Peter Ham­mill — « The Boat of Mil­li­ons of Years. « Não vamos às estre­las, baby » — assim come­çou o dis­curso do capi­tão. « Em vez disso, vamos impe­dir que o ini­migo vá. » Os sol­da­dos, irre­qui­e­tos, nada per­gun­ta­ram. Era bom saber que os capi­tães e coro­néis sabiam o que fazer. Pena […]

Tra­du­ção: A Vinda do Verme Branco, 3 (C. A. Smith)

Ele teria fugido da casa, sabendo que sua magia era total­mente ine­fi­caz con­tra aquilo. Mas com­pre­en­deu que a morte estava na expo­si­ção direta aos raios do ice­berg e que se dei­xasse a casa ele for­ço­sa­mente entra­ria naquela luz fatal. E tam­bém com­pre­en­deu que ele só, entre os que viviam naquele tre­cho de lito­ral, tinha sido […]

Não Tenho Mais Medo de Andar na Contramão

O desen­canto é uma forma besta de liber­dade, mas como é efi­caz! Anô­nimo mineiro Com­par­ti­lha­ram no Face­book o con­se­lho dado por dois auto­res ame­ri­ca­nos (de que nunca ouvi falar) segundo o qual deve­mos per­der o medo de escre­ver sobre « what we don’t know ». Os demô­nios da tra­du­ção cri­a­ram a ambi­gui­dade entre « saber » e « conhe­cer » e […]

Tra­du­ção: A Vinda do Verme Branco, 2 (C. A. Smith)

De volta à sua casa antes da noite, quei­mou junto a cada porta e janela as resi­nas que são mais ofen­si­vas aos demô­nios do norte, e em cada ângulo por onde um espí­rito pudesse entrar ele situou um de seus fami­li­a­res para guar­dar con­tra a intru­são. Depois, enquanto Ratha e Ahi­li­dis dor­miam, ele pes­qui­sou com […]

Tra­du­ção: A Vinda do Verme Branco, 1 (C. A. Smith)

Por resi­dir junto ao mar boreal, o fei­ti­ceiro Evagh cos­tu­mava ver mui­tos por­ten­tos ines­pe­ra­dos no verão. O sol ardia gélido sobre Mhu Thu­lan, pen­dente de um fir­ma­mento lím­pido e des­bo­tado como gelo. Ao entar­de­cer a aurora se esten­dia do hori­zonte ao zênite, como uma cor­tina de um palá­cio dos deu­ses. Débeis e raras eram as […]

Tra­du­ção: A Vinda do Verme Branco, Índice (C. A. Smith)

« A Vinda do Verme Branco » (The Coming of the White Worm) é um conto de apro­xi­ma­da­mente sete mil pala­vras publi­cado em abril de 1941, na revista Stir­ring Sci­ence Fic­ti­ons. É um dos pou­cos tex­tos de fic­ção publi­ca­dos por Ashton-​​​​Smith após a morte de H. P. Love­craft, seu men­tor e amigo por cor­res­pon­dên­cia. Nesta segunda fase, […]

Resul­tado da Vota­ção: Pró­ximo Conto Traduzido

Dei hoje por encer­rada a vota­ção sobre a pró­xima tra­du­ção de Clark Ashton-​​​​Smith. Con­fesso que fiquei sur­preso com o resul­tado: tudo se enca­mi­nhava para uma fácil vitó­ria do conto « A Vinda do Verme Branco » (The Coming of the White Worm) e por isso já estava até tra­ba­lhando nele, com cerca de 40% da tra­du­ção pronta. […]

Yuri e Natasha

Conto de não fic­ção base­ado em minhas pes­qui­sas sobre a música pop da União Sovié­tica. Pedi­ria aos ami­gos que vive­ram ou vivem na Rús­sia e adja­cên­cias que con­tri­buís­sem catando os meus erros. E que todos se divir­tam ao ler… Enquanto pes­qui­sava sobre música sovié­tica, em rela­ção àquele post malu­qui­nho sobre a música do jogo Super Mario […]

Mais uma cole­tâ­nea de boba­gens avul­sas e tuí­tes bobinhos

Desde que des­co­bri que adi­ci­o­nei e/​​ou fui adi­ci­o­nado por cida­dãos por­tu­gue­ses estou ten­tando man­ter um nível melhor de gra­má­tica. Mais ou menos como quando tem visita em casa e você só peida den­tro do banheiro. Cer­tos pro­gra­mas têm a capa­ci­dade de embur­re­cer até quem não os está assis­tindo. Dizia meu xará, per­so­ni­fi­cando J.C. « Fui eu […]

Injus­tiça Poética

Escu­tei as sire­nes logo abaixo da minha janela e me levan­tei para ver. Con­ti­nu­ava em silên­cio a casa do outro lado da rua. Tinha estado assim durante os últi­mos doze minu­tos, con­ta­dos no reló­gio. O poli­cial apeou da via­tura e foi até a porta, que dava dire­ta­mente sobre a cal­çada. Bateu sem edu­ca­ção, con­forme a […]

Aquilo que Não se Vê

Esta semana, entre tan­tos acon­te­ci­men­tos esca­bro­sos mere­ce­do­res de meu espanto, me mar­cou mais por um acon­te­ci­mento que pare­cia um final feliz, mas foi mais cho­cante que muita exe­cu­ção: refiro-​​​​me à liber­ta­ção do ator e repre­sen­tante comer­cial Viní­cius Romão. Assisti a sua entre­vista após liber­tado e fiquei pro­fun­da­mente cho­cado com a trans­for­ma­ção por ele sofrida no processo, […]

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