[Tradução] Abandonados em Andrômeda [5]

20 maio há 4 anos

Aparentemente, a uma voz de comando, os guar­das se apro­xi­ma­ram da boca da caverna e sina­li­za­ram aos homens que saís­sem. Eles obe­de­ce­ram. Bandejas cheias da pasta branca e copos de uma bebida negra e doce foram pos­tos diante deles e enquanto comiam e bebiam toda a assem­bleia os olhava em silên­cio. Parecia ter havido algum tipo de mudança na ati­tude dos pig­meus, mas a natu­reza desta, ou o que pode­ria impli­car, estava além do enten­di­mento. Todo o pro­ce­di­mento era extre­ma­mente mis­te­ri­oso e tinha quase o ar de algum sacra­mento sinis­tro. A bebida negra deve­ria ser um pouco nar­có­tica, pois os homens come­ça­ram a se sen­tir como se tives­sem sido dopa­dos. Houve um ligeiro amor­te­ci­mento de seus sen­ti­dos, embora seus cen­tros cere­brais per­ma­ne­ces­sem aler­tas.[…]

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O Humor, à Direita e à Esquerda

19 maio há 4 anos

Dependendo do tipo de pen­sa­mento polí­tico de cada um, serão expres­sa­das dife­ren­tes visões do que seja humor, ou deva ser. A ide­o­lo­gia sub­ja­cente ao pen­sa­mento do indi­ví­duo con­di­ci­o­nará não somente suas ati­tu­des e dize­res, mas tam­bém as cate­go­rias com que clas­si­fica o mundo real. Sendo o humor um fenô­meno exis­tente no mundo real, ele tam­bém será enten­dido de forma dife­rente, e clas­si­fi­cado em com­par­ti­men­tos dife­ren­tes con­forme a ide­o­lo­gia de quem o entende e clas­si­fica. Tipicamente o humor de esquerda, que tem mais raí­zes his­tó­ri­cas, se […]

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[Tradução] Abandonados em Andrômeda [4]

16 maio há 4 anos

Os pig­meus tinham parado suas mon­ta­rias e esta­vam dis­cu­tindo exci­ta­da­mente enquanto olha­vam os ter­rá­queos com suas órbi­tas redon­das. Os sons que faziam difi­cil­mente pode­riam ser repro­du­zi­dos por cor­das vocais huma­nas.

— Mlah! Mlah! Knurhp! Anhkla! Hka! Lkai! Rhpai! — eles gri­ta­vam uns para os outros.

— Acho que somos novi­dade tão grande para eles quanto eles para nós — obser­vou Adams.[…]

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[Tradução] Abandonados em Andrômeda [3]

15 maio há 4 anos

As horas se arras­ta­ram. Eles con­ver­sa­ram com uma loqua­ci­dade espo­rá­dica, mas febril, em um esforço para ven­cer o ner­vo­sismo de que tinham plena, mas incon­tro­lá­vel, cons­ci­ên­cia. Homens for­tes e madu­ros como eram, sentiram-​se às vezes como cri­an­ças sozi­nhas no escuro, com uma horda de mons­tru­o­sos ter­ro­res cercando-​os de todos os lados. Quando o silên­cio caía, a infor­mu­lá­vel estra­nheza e hor­ror das tre­vas cir­cun­dan­tes pare­cia che­gar mais para perto, e eles não ousa­vam ficar cala­dos muito tempo. […]

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[Tradução] Abandonados em Andrômeda [2]

13 maio há 4 anos

Os amo­ti­na­dos sen­ti­ram certo alí­vio. Qualquer coisa, mesmo a morte súbita pela ina­la­ção de uma atmos­fera irres­pi­rá­vel, seria melhor do que o longo con­fi­na­mento. Estoicamente, como con­de­na­dos à morte, eles se pre­pa­ra­ram para o mer­gu­lho fatal no des­co­nhe­cido.

Os negros minu­tos se esgo­ta­ram e então as luzes elé­tri­cas foram ace­sas. A porta se abriu e Jasper entrou. Ele remo­veu em silên­cio as amar­ras dos três homens, então se reti­rou e a porta foi tran­cada para eles pela última vez.[…]

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[Tradução] Abandonados em Andrômeda [1]

11 maio há 4 anos

“Camaradas, eu os desem­bar­ca­rei no pri­meiro mundo do pri­meiro sis­tema pla­ne­tá­rio que encon­trar­mos.”

A gélida deter­mi­na­ção das pala­vras do Capitão Volmar era mais ter­rí­vel do que qual­quer demons­tra­ção de ira pode­ria ter sido. Seus olhos esta­vam frios e duros como gemas de safira sobre a neve e havia um rigor faná­tico no endu­re­ci­mento de seus lábios após cada pala­vra pro­nun­ci­ada com rudeza.[…]

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Abandonados em Andrômeda (Clark Ashton Smith)

10 maio há 4 anos

Um dos tex­tos mais ágeis e aces­sí­veis escri­tos por Clark Ashton-​Smith foi o conto “Abandonados em Andrômeda” (Marooned in Andromeda), publi­cado ori­gi­nal­mente em 1930 na revista Wonder Stories. Apesar de alguns peque­nos ana­cro­nis­mos, a eco­no­mia de Smith na des­cri­ção da tec­no­lo­gia do futuro per­mite que o texto flua quase sem ques­ti­o­na­men­tos, não tendo ficado obso­leto após oitenta e três anos de publi­ca­ção. Trata-​se, tam­bém, de uma das raras incur­sões do autor no ter­reno da fic­ção cien­tí­fica, ele que sem­pre se carac­te­ri­zou mais pela fan­ta­sia.

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Aventuras em Rio das Ostras, Parte III

9 maio há 4 anos

Depois de ape­nas um dia e meio de praia, a segunda feira ama­nhe­ceu ves­tida de um som tão lindo que dava von­tade de xin­gar, pois não tínha­mos mais roupa limpa — e nem onde lavar. Como não que­ría­mos com­prar rou­pas novas para cada novo dia, e tam­bém por­que a semana era a última das férias, com muita pen­dên­cia ainda a resol­ver, puse­mos as baga­gens na mala e pega­mos a estrada.

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[Tradução] As Abominações de Yondo (Clark Ashton-​Smith)

7 maio há 4 anos

As areias do deserto de Yondo não são como as areias de outros deser­tos, pois Yondo está mais perto da borda do mundo e estra­nhos ven­tos que sopram dos abis­mos que nenhum astrô­nomo espera divi­sar têm seme­ado seus cam­pos arrui­na­dos com a poeira cin­zenta de pla­ne­tas cor­roí­dos e as cin­zas negras de sóis extin­tos. As mon­ta­nhas arre­don­da­das que se erguem, negras, de sua pla­ní­cie enru­gada e esbu­ra­cada não são todas suas, pois algu­mas são aste­roi­des caí­dos, meio enter­ra­dos naque­las areias abis­sais. Coisas vie­ram do espaço […]

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Entrevista de Emprego

3 maio há 4 anos

Entrei em uma sala gélida, de móveis dese­nha­dos a régua e com­passo, mas sem ins­pi­ra­ção. Uma senhora ten­tava pare­cer vinte anos mais jovem a custa de muita maqui­a­gem e de rou­pas rou­ba­das do armá­rio da filha do meio.Quando me viu ela ergueu os olhos cui­da­do­sa­mente, ten­tando dis­far­çar que os seus ócu­los tran­sa­dos eram tri­fo­cais, e sinalizou-​me uma cadeira des­con­for­tá­vel. Sempreé des­con­for­tá­vel a cadeira de quem se mede com a auto­ri­dade, eu tinha a sorte de não ser um ins­tru­mento de inter­ro­ga­tó­rio medi­e­val. Vendo-​me devi­da­mente em […]

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[Tradução] Após o Armagedom (Clark Ashton Smith)

2 maio há 4 anos

Deus cami­nha leve nos jar­dins de uma estrela escura e fria.[^1] Desconhecendo o pó que se apega às dobras de sua roupa, Deus assi­nala no barro, marca-​o no molde, Andando nos cam­pos notur­nos de uma guerra per­dida Em uma estrela que há muito esfriou. Deus pisa bri­lhante onde há ossos de coi­sas esque­ci­das, Pálido de esplen­dor como a geada de uma praia banhada de luar, Deus vê as tum­bas à luz de Sua face, Ele treme ao ler as runas lá gra­va­das, e Sua som­bra no céu Treme […]

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A Ficção de Clark Ashton Smith

1 maio há 4 anos

Há momen­tos na his­tó­ria da lite­ratura em que os veí­culos mais inusi­tados dão vazão ao talento de auto­res com­pe­ten­tes, resul­tando em obras de insus­peita quali­dade que, infeliz­mente, tar­dam em rece­ber o devido reco­nhe­ci­mento devido ao precon­ceito moti­vado jus­ta­mente pelos veí­cu­los em que foram publi­ca­das. Um des­ses momen­tos foi o período entre-​guerras nos Estados Unidos, quando flo­res­ce­ram revis­tas men­sais de folhe­tim conhe­ci­das como “pulp fic­ti­ons”. Impressas em papel barato e ven­di­das a preço baixo, des­ti­na­das à classe ope­rá­ria, não dei­xa­ram, por isso, de con­tar com auto­res de pri­meira gran­deza por­que ofe­re­ciam um veí­culo para a pro­fis­si­o­na­li­za­ção de quem dese­jasse come­çar na lite­ra­tura.

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