A Defesa da Jornada do Herói Através de Falácias

Todos os argumentos em favor da Jornada do Herói que você lerá a partir de agora são falaciosos, ou seja, são estritamente inválidos do ponto de vista lógico. São absurdos, vergonhosamente o são. No entanto, se você os empregar em um debate em qualquer comunidade de literatura, obterá muitos likes. De fato, você conseguirá até mesmo encontrar referências para se embasar: embora eu não tenha pesquisado especificamente nenhum desses argumentos, é quase certo que cada um deles já foi empregado, mais de uma vez, em vários blogs de jovens autores. Então vamos à lista.

  1. Você precisa utilizar a Jornada do Herói.
  2. Há milhares de anos todas as mais significativas obras da literatura universal seguem um padrão.
  3. Este padrão foi identificado por um antropólogo americano, Joseph Campbell, em uma obra originária de sua tese de doutorado, chamada “O Herói de Mil Faces”.
  4. Depois que George Lucas o utilizou para criar o roteiro de “Guerra nas Estrelas”, o roteirista de Hollywood Christopher Vogler adaptou o conceito para uso literário.
  5. Desde então, a maioria dos filmes de maior sucesso tem roteiros escritos seguindo esta fórmula.
  6. A Jornada do Herói funciona porque ressoa nos aspectos mais profundos da psique humana, evocando os arquétipos mais antigos da humanidade, conforme definidos por C. G. Jung.
  7. Essencialmente, segundo Campbell, todos os mitos seguem um mesmo padrão (monomito).
  8. Então Vogler criou uma versão do monomito para ajudar os roteiristas a criarem melhor suas histórias.
  9. George Lucas estudou a fundo o conceito antes de escrever o roteiro de Guerra nas Estrelas, por isso o filme foi um sucesso tão grande.
  10. Hoje em dia, não empregar a Jornada do Herói significa excluir-se da literatura moderna e resistir à ela pode lhe trazer inimizades no meio literário.

À primeira vista, esses argumentos parecem bastante sólidos. Eles não são significativamente diferentes daqueles que você encontra na introdução de muitas postagens de autores em seus blogs, nos quais defendem com unhas e dentes (uma péssima linha de argumentação, diga-se de passagem…) a sua opção por seguir o monomito de Campbell.

Porém, todos esses argumentos são irracionais. Eles não se baseiam em conclusões lógicas, mas em apelos rasteiros aos bugs do cérebro humano, que tende sempre a encontrar a solução mais simples, não necessariamente verdadeira. Demonstremos então.

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