Porque a música pop é “ruim”

Pela própria definição do termo, a música “pop” tem de ser ruim. Se por algum motivo o pop se torna bom, imediatamente adquire outro rótulo. Adicionado (como os subgêneros do rock) ou em substituição ao anterior, como a “black music” dos anos 1960 e 1970. Em qualquer forma de arte, o “pop” é a lata de lixo da cultura. Antes que o leitor se apresse a me agredir, esta não é a minha definição. A crítica musical, incluindo a crítica especializada em música pop, define […]

Arte Para Quem Goste de Arte

Às vezes nos perguntamos por que é tão difícil entender a arte moderna. É uma dúvida justa, visto que nem mesmo os que dizem entendê-la conseguem explicá-la. A impressão que temos é que o gosto dos amantes da arte é uma maçonaria mais impenetrável. Creio que isso ocorre basicamente porque a arte não é feita gente como nós, como eu. A maior parte da produção artística de hoje é feita e consumida pelas altas classes, que utilizam a arte com várias finalidades, entre as quais […]

A Defesa da Jornada do Herói Através de Falácias

Falácias são erros lógicos em uma argumentação. Um argumento bem estruturado e válido precisa basear-se em elementos reais (postulados válidos) e ter uma relação clara de causa e efeito entre as premissas (as etapas do argumento) e a conclusão final. Quando, mesmo com postulados verdadeiros, a conclusão é absurda, temos um erro de lógica, a falácia. A grande maioria das pessoas argumenta exclusivamente com base em falácias. É o que você ouve nas conversas de bar, nos debates políticos da televisão, nas conclusões a que […]

O Mito da Acessibilidade

Uma das maiores polêmicas em que os jovens autores se envolvem é a questão da “acessibilidade”, um termo muito mal empregado no contexto da edição de livros. Teoricamente, o termo se refere a meios através dos quais pessoas deficientes de algum sentido teriam acesso a um lugar ou conteúdo. Por causa da acessibilidade existem os livros em braille, para que os cegos possam ler, os livros infantis têm letras grandes, adequadas à faixa etária, foram criados softwares de leitura para permitir que os cegos usem […]

O Editor Superstar

Esta semana o jornal O Globo publicou matéria sobre Gordon Lish, editor americano que em certa época editou a Esquire. A matéria é extremamente interessante para amadores como eu, mas para profissionais também. Acredito que há muita reflexão produtiva que se pode fazer a partir do conteúdo. A primeira impressão que o texto me deixou foi profundamente negativa, afinal, o tipo de relação entre editor e autor que é defendido por Lish (e pelo autor da reportagem) não me parece nada saudável. Existe uma questão […]

Tudo Seria Válido em Literatura?

A relatividade dos gostos literários vigora no presente, mas não no passado. Porque gosto é algo relativo, é verdade, mas o que define o valor absoluto de uma obra é aquilo que vai além do gosto. As obras que se limitam a atender gostos presentes são esquecidas à medida que os gostos mudam. Mas há obras que, além de atenderem aos gostos, ou mesmo sem atendê-los, contêm elementos que são significativos para gerações posteriores. Estas obras permanecem. Não porque sejam perfeitas, mas porque ainda são […]

Os Oportunistas Atacam Novamente

Após a morte do ator e produtor mexicano Roberto Gómez Bolaños; criador dos personagens Chaves, Chespirito, Chapolin e outros menos conhecidos; a imprensa nacional ecoou uma série de elogios disparatados, que não condizem com a importância limitada do homenageado — que, malgrado seu apelido, não é nenhum Shakespeare moreno. Da mesma forma, surgiram artigos pretensiosos; que não vou linkar e nem citar, para não dar holofotes a quem não os merece; com críticas maliciosas ao trabalho de Bolaños, cobrando-lhe uma coerência e uma qualidade que […]

Sobre Inveja e uma Crítica “Razoável”

Minha recente apreciação, ou melhor, “depreciação”, da obra do tal Raphael Draccon atraiu pelo menos uma contestação. Segundo certo comentarista no blog LitFanBR, que reproduzira minha postagem, a crítica que eu fiz à obra de Draccon teria sido motivada pela “inveja”, entre outras considerações. Este post não pretende desqualificar os citados comentários, mas apenas esclarecer alguns pontos levantados, em alguns casos até admitindo a validade do que o comentador pontuou. Sim, você ESTÁ com inveja dele. Seja por ele ganhar dinheiro ou pelos livros dele […]

Depois de Ler Draccon, Reli “O Alquimista” e Achei Bom

Muitas vezes eu lia textos de jovens autores nas comunidades do Orkut, e mais tarde aqui no Face, e ficava espantado com o baixo nível de domínio da norma culta. Com o tempo me acostumei com a ideia de que a escola inclusiva e universal que existe hoje não consegue formar um usuário pleno do idioma no mesmo tempo de antes, em troca, ela leva mais gente ao fim do caminho. Respirei fundo e me conformei com isso, mesmo suspeitando que algo não somava 100% […]

O Rei [da Literatura Fantástica Nacional] Está Nu

A vaidade é um pecado, segundo o Eclesiastes, que reinou em Jerusalém. Pessoas contaminadas por ela cometem os maiores enganos sem perceberem que estão em equívoco, porque a vaidade produz a dissociação da realidade: o vaidoso perde a capacidade de realizar uma avaliação isenta do mundo. Talvez por isso queira se cercar de um séquito de admiradores. Não só porque a adulação reconforta, mas porque a vaidade se completa no elogio. O vaidoso faz é apenas um meio para ordenhar a simpatia desse séquito. Não […]

A Fila Não Incomoda

“A Fila Não Incomoda”: Um Manifesto Contra a Jornada do Herói e em Favor do Direito de Fazer Tudo Errado foi uma série de artigos que escrevi entre maio e junho de 2014, baseada em minhas leituras de alguns artigos críticos do conceito do monomito de Joseph Campbell. Estes artigos foram consolidados neste texto único, divido em partes usando a ferramenta do WordPress que eu só descobri hoje. Originalmente foram oito partes, mas eu acrescentei uma nona, e também uma conclusão e uma bibliografia. Os […]

De Que Modo?

Uma das maiores dificuldades que há no mundo é a de se ensinar. Quem tenta ensinar geralmente se expõe. Não raramente surge a cobrança da legitimidade: Como você quer me ensinar a falar inglês sem ser nativo? Como vai me ensinar música se toca toscamente esse violão? Como vai me ensinar a dirigir se tem carteira de motorista e seguro de automóvel há dez anos e o seu bônus é zero? Como vai me ensinar a desenhar se os seus personagens parecem tortos no papel? […]