Todos Já Perdemos Alguma Coisa

Sexta-feira, cinco de outubro de dois mil e dezoito. São cinco minutos deste dia que amanhecerá carregado, por mais ensolarado que esteja. Não me interessa mais especular quem vencerá as eleições, amanhã, depois ou nunca. “Ao vencedor, as batatas”. A derrota é geral e irrestrita quando a guerra se trava sem limites — ainda mais…

Literatura de Resistência

Às vezes bate um desânimo grande, a sensação de desperdício de um tempo precioso que poderia ser usado em tantas coisas. Afinal, quem lê e lerá nossos escritos? Para quê eles servem? A sensação de desânimo é parte da psique do escritor em qualquer lugar do mundo, mas é especialmente presente se você é um…

Valorizar a Literatura Nacional

“Precisa valorizar a literatura nacional” — diz o autor que assina com um pseudônimo gringo, cujos personagens têm nomes em inglês e cujas histórias são ambientadas numa gringolândia clichê. Amigo, quem quiser valorizar a literatura nacional deve passar longe da sua obra. Veja bem. Não quero dizer que seu livro seja de todo ruim, sequer…

Ler a Vida, Escrever a Vida

Não podemos ter uma visão elitista da arte porque vivemos em uma sociedade determinada a destruir a arte, coração do povo e luz do futuro. Somente a arte pode nos salvar, mas antes precisamos salvá-la. O Brasil que eu conheci está morrendo e não é uma morte natural: é um assassinato. A morte do Brasil…

Precisamos Falar Sobre Reis e Barrigas

Há um espectro que ronda a literatura nacional, desde há algum tempo: o ressentimento de uma classe de autores e críticos contra o maior defeito da literatura nacional, o seu povo. A literatura brasileira é, apesar do que pensem os indivíduos que residem em suas torres de marfim, a literatura de um povo oprimido, uma…

Por que Chorar Pelo Nobel?

Todo ano, quando sai o nome do vencedor do Prêmio Nobel de literatura, há uma pequena discussão em torno da razão pela qual o Brasil não ganha (nem mais é cogitado). Esse ano aconteceu novamente e segue não havendo muita dúvida sobre as razões de não sermos contemplados (o único autor de Língua Portuguesa a…

“A Falta do Grande Romance Brasileiro”, Segunda Versão

> Esta é a versão que postei no próprio site do Rodrigo Gurgel, mais enxuta e mais direta ao ponto. Eu tenho uma tese sobre o assunto, que ouso compartilhar aqui: a literatura brasileira padece de diletantismo e isso lhe causa uma perda de foco e de profundidade. “Diletantismo”, eu digo, porque nós não temos…

Ainda Será Possível Falar do Brasil?

Parece que o Brasil virou crime. É impossível falar do país que é nosso sem desagradar a alguém. Para toda tentativa de se abordar a história e cultura nacional haverá um grupo que se ofenda e que se defenda. É como se fosse preciso passar uma borracha sobre todo o tempo até ontem e começar…

Ai de ti, Literatura Brasileira

Que a maioria dos jovens que pretendem ser escritores carece de significativo talento para escrever, isso eu sempre soube (e frequentemente me incluo nesse grupo de medíocres que se diverte escrevendo, mas nunca vai a lugar algum). O que eu não sabia é que esse problema, ao se fixar e agravar com o tempo, começasse…

Gelo Negro

Fjálar saiu de casa ainda em jejum em outro dia cinzento de outono. Não estava feliz, haviam ligado da delegacia avisando que Oláfur não fora tra­balhar e teria de fazer a patrulha matinal com algum novato. Dormira mal. Doíam-lhe os joelhos, doíam-lhe as costas, doía-lhe a alma. Tudo de que não pre­cisava era tentar acompanhar…

No Açougue das Ideias

Começo a semana pensativo sobre muitos problemas pessoais, entre os quais um resfriado desses de ficção científica, e me deparo subitamente com mais chorumelas sobre como os escritores nacionais, tadinhos, são maltratados pelos leitores nacionais. O tema não é novo e nem é simples, o que é simples é a constatação de que muitas lágrimas…

Porque Desprezar o Português

Onde algo é sacralizado, é natural que surjam os contestadores. O iconoclasmo é uma espécie de rito de passagem  para os jovens e uma marca de “independência” dos mais maduros. Provocar essa irreverência é uma maneira eficaz de manipular as pessoas: tendo um judas para chutar o indivíduo acredita que é um contestador, e obedece aos comandos, subreptícios ou explícitos, e segue mais ou menos na direção que interessa ao provocador. Identificado um alvo tido por muitos como sagrado, é muito fácil reunir uma turba de pessoas para cuspir nele, com a desculpa de que estão fazendo a revolução.