Os Que Falham e os Que Nem Tentam

Aqueles que nunca tentam ainda subestimam as catástrofes da derrota, e os que falharam superestimam os confortos da covardia. Perder é horrível, falhar é cabuloso, acovardar-se é detestável, não viver por medo de errar o tornará um velho amargo. Sou especialista em ambas as coisas porque tenho um longo histórico de covardias alternadas com falhas…

Antes Que Ele Falasse…

Ah, o velho “abóbora”, nascido em 1982 em São Bernardo do Campo e pintado de verde-claro por fora, forrado de vinil e napa por dentro. O cheiro dos bancos de vinil era inigualável, uma mistura de mofo, pêlo de morcego e perfume entranhado de antigos passageiros. Inesquecível lata-velha com aquele buraco no chão do lado…

Gol de Placa, Gol de Pato — Parte 2

Haviam deixado para mim a camisa 2, embora eu fosse pivô, e eu secretamente gostara disso, porque achava que era o meu número de sorte. Comecei o aquecimento enquanto Leleco tomava analgésicos e derramava lágrimas surdas. Meus companheiros de time pareciam não acreditar. — Geraldo, vê se não estraga. — Gente, confiem em mim, quando…

Gol de Placa, Gol de Pato — Parte 1

Ninguém esperava que a Escola Estadual Dr. Norberto conseguisse passar pela fase de grupos do torneiro de futebol de salão dos Jogos Escolares. O time fora montado às pressas, mas conseguiu uma vitórias e um empate, e poderia se classificar para as quartas de final em segundo lugar se mantivesse outro empate com o Colégio…

Como Ensinar Literatura a uma Criança?

Este domingo me ofereceu um desafio literário incomum: minha filha me pediu que lhe ajudasse a escrever uma redação para um concurso. Gabriele tem, aos dez anos, toda a ingenuidade e a fantasia de uma criança que ainda não perdeu a pureza. Ela ainda não conhece quase nada das dificuldades da vida, das frustrações, dessas…

Aventuras em Rio das Ostras, Parte III

Depois de apenas um dia e meio de praia, a segunda feira amanheceu vestida de um som tão lindo que dava vontade de xingar, pois não tínhamos mais roupa limpa — e nem onde lavar. Como não queríamos comprar roupas novas para cada novo dia, e também porque a semana era a última das férias, com muita pendência ainda a resolver, pusemos as bagagens na mala e pegamos a estrada.

Aventuras em Rio das Ostras, Parte II

Depois de chegar ao hotel com oito horas de viagem nas costas, ninguém queria mais saber de praia. Ainda bem, porque estava chovendo pacas. Descarregamos o mais rápido que pudemos e fomos nos adaptar ao quarto.

Aventuras em Rio das Ostras, Parte I

Só hoje, passadas já algumas semanas de minha única viagem de turismo nas férias, é que consegui reunir tempo e inspiração para narrar a verdadeira Odisseia que vivi, só que levando minha Penélope junto. Foi uma viagem dessas que você faz do jeito que não se deve fazer, e houve tanta coisa inesperada que eu quase me surpreendi de ter conseguido voltar inteiro para casa, trazendo a família e o carro.

Recurso Apresentado a um Concurso Público

Provando que eu já era meio ardoroso na defesa de minhas opiniões em 1999, vai uma correspondência por mim enviada à Prefeitura de um município do interior mineiro — com cópia para conhecido jornal de ampla circulação na região — após ter conhecimento do gabarito final de um concurso para provimento de vagas no magistério…

Um Pedaço de Minha História

Há momentos na vida em que nos surpreendo com coisas simples, quase a ponto de algum “suor dos olhos” me embaçar a visão. Sou do tipo emotivo a ponto de não gostar de filmes de guerra para não ver carnificina, mesmo que fictícia, e costumo achar finais felizes para meus personagens. Quão mais emotivo não sou quando me deparo com pedaços de minha própria memória recuperados por pessoas com quem interagi!

Nuvens

O homem triste vinha caminhando pela rua, com seu pesado terno de dois mil reais ao mês e sua lista de responsabilidades para penar. Consultava mentalmente em qual próxima casa teria de incomodar quando ouviu as crianças sentadas na calçada, curtindo o vento fresco do fim de tarde:

Em Nome dos Mortos

A Zona da Mata Mineira vive hoje uma crise – humana, econômica e ecológica. Por toda parte onde se vá, encontramos a descaracterização cultural, a perda das tradições orais, o esquecimento do artesanato (e da própria história) e, mais grave que tudo, uma absurda destruição da natureza que, de tão arraigada, deixou de significar apenas…