Obras Ininteligíveis

Vamos combinar uma coisa: não existem obras “altamente intelectuais” em que o autor não consegue passar sua mensagem e não há obras “com grande carga emocional” com as quais o leitor não consegue se identificar. A própria definição de intelectualidade exige clareza. Uma obra inteligente é inteligível. Pode ser que não seja inteligível para mim, por me faltar bases teóricas ou experiência de vida para captar o que ela diz, mas obscura não é. O adjetivo que se deve dar a obras “em que o […]

Livros Para Morrer Antes de Ler?

Este livro é daqueles que quando você larga não consegue mais pegar. — Millôr Fernandes A Revista Bula publicou uma lista de vinte obras que o autor considera tão ruins que é melhor morrer antes de ler. Trata-se de uma inversão do comum, que seria uma lista de coisas a se fazer antes de morrer. Embora eu discorde de alguns elementos da lista e não conheça alguns outros, tenho a minha própria lista de obras que já tentei ler e decidi que a vida é […]

Dos Livros Intermináveis e dos Leitores Abomináveis

Há obras que ganharam para si um status de obrigatórias. Isto praticamente é a morte para qualquer possibilidade de que sejam enca­radas como “divertidas”. Ninguém supostamente se diverte fazendo o que é obrigatório. Como eu, porém, tive a sorte de me apro­ximar da literatura como um selvagem, sem qualquer tipo de ori­entação pedagógica enquadrante, pude ler com prazer algumas des­tas obras e agora me espanto que sejam citadas em tal contexto. É recorrente a citação de listas de tais obras ilegíveis — parece haver certo […]

Impressões (Apenas as Positivas) da Leitura da Série “Harry Potter”

Tenho a certeza de que alguns dos que lerão este texto se surpreenderão por sua simples existência, outros não entenderão sua razão de ser, mas os poucos que me acompanham há algum tempo logo entenderão todos os porquês. Já faz algum tempo que eu participo de debates literários nas redes sociais e a minha posição mais frequente nestes é sempre no sentido de criticar os “best-sellers”, nacionais e estrangeiros, e glorificar obras que têm um pulso mais lento e firme. No entanto, os tais poucos […]

Alguns Tipos de Narradores

Este artigo é uma análise dos tipos de narradores com que me deparo nas obras que leio nesta vida (a única de que me lembro). Não é uma classificação acadêmica e nem obedece aos critérios da teoria literária, mas se serviu para mim, talvez sirva a você que me lê, na hora de tentar entender o livro que está lendo. Quanto à pessoa narradora Primeira pessoa — não necessariamente protagonista da história. Segunda pessoa — dirige-se ao leitor, quebrando a quarta parede, ou dialoga com […]

Impressões da Leitura de “Coração das Trevas”, de Joseph Conrad

> Atenção: Este texto contém “spoilers” e deverá ser lido somente por quem já tenha lido “Coração das Trevas”. Deixei passarem algumas semanas desde minha leitura deste ótimo livro antes de começar a comentar, a fim de evitar que os comentários do tradutor e do editor me influenciassem numa direção ou noutra. Para permitir que somente o impacto potente desta obra fenomenal determinasse o que eu escrevia sobre ela. “Coração das Trevas” é um clássico absoluto, e é um livro também desafiador e simples. Parte […]

Impressões da Leitura de Contos de Philip K. Dick

Há muito tempo Philip K. Dick figura na minha lista de autores favoritos, por causa da mirabolante confusão que são os seus contos. Aproveitando o tempo livre das férias, resolvi pôr em dia a leitura de vários livros adquiridos nos últimos dois anos e que estavam em minha estante criando poeira. Entre estas leituras, a de duas coletâneas de contos de PKD, um de meus autores favoritos: “O Vingador do Futuro” — coletânea oportunista lançada pela Editora Paulicéia na época do filme de mesmo nome […]

Resenhas Indelicadas: Devaneios Improváveis

Este é o título de uma coletânea que acaba de ser lançada pelo blog [Entre Contos](http://www.entrecontos.com), contendo 18 textos dos participantes dos primeiros seis desafios literários por lá promovidos. Aparentemente, o critério de seleção se baseou na colocação dos textos nos resultados finais de cada desafio, o que me parece uma decisão acertada, se o objetivo do lançamento é o que penso ser: a divulgação do blog, dos desafios por ele promovidos e dos autores que deles participam. Sendo assim, a coletânea é um retrato […]

Depois de Ler Draccon, Reli “O Alquimista” e Achei Bom

Muitas vezes eu lia textos de jovens autores nas comunidades do Orkut, e mais tarde aqui no Face, e ficava espantado com o baixo nível de domínio da norma culta. Com o tempo me acostumei com a ideia de que a escola inclusiva e universal que existe hoje não consegue formar um usuário pleno do idioma no mesmo tempo de antes, em troca, ela leva mais gente ao fim do caminho. Respirei fundo e me conformei com isso, mesmo suspeitando que algo não somava 100% […]

Notas para uma Polêmica Pesada sobre Filologia

Enquanto fazia uma pesquisa sobre os “erros gramaticais de Machado de Assis”, deparei-me com uma afirmação importante de um filólogo conhecido, mas cujo link acabei perdendo: não é só a orthographia que mudou nos últimos séculos (no caso Brasileiro, aliás, quatro vezes), mas também a gramática e a análise sintática. As obras da literatura luso-brasileira dos séculos XVI a meados do século XIX (anteriores a Herculano, Garrett e Castelo Branco) estão cheias de “desvios” em relação à gramática padrão. O que houve? Talvez em uma […]

A Fila Não Incomoda

“A Fila Não Incomoda”: Um Manifesto Contra a Jornada do Herói e em Favor do Direito de Fazer Tudo Errado foi uma série de artigos que escrevi entre maio e junho de 2014, baseada em minhas leituras de alguns artigos críticos do conceito do monomito de Joseph Campbell. Estes artigos foram consolidados neste texto único, divido em partes usando a ferramenta do WordPress que eu só descobri hoje. Originalmente foram oito partes, mas eu acrescentei uma nona, e também uma conclusão e uma bibliografia. Os […]

Yuri e Natasha

Enquanto pesquisava sobre música soviética, em relação àquele post malu­qui­nho sobre a música do jogo Super Mario World ter sido baseada no Hino da União Soviética, fui tendo contato com o universo musical comunista e entendendo como era sufocante a vida cultural então. Certamente nem eu e nem você gostaríamos de viver aquilo. Imaginemos então o nosso herói, o Yuri, um exímio guitarrista, que estudou guitarra clássica no conservatório e atravessou a adolescência ouvindo discos contrabandeados de Black Sabbath, Beatles, Bee Gees, Pink Floyd e […]