Rosa e o Brasil pretérito

“Viver é um rasgar-se e remendar-se”. De Guimarães Rosa, constante do Grande Sertão: Veredas, o livro-síntese do Brasil que já não existe. De tanto me rasgar e me remendar eu já sou outro, que apenas se lembra de quem foi um dia. Esta frase é profundamente existencialista quando você a analisa mais profundamente, pois ela…

A Alienação no Processo Criativo

Os autores, especialmente os mais jovens, mas não somente eles, costumam reagir com certa amargura quando o tema “alienação” é colocado em discussão. A ideia de que o conceito sequer exista ou possa ser aplicado à literatura lhes parece ofensiva, como se alguns autores quisessem colocar-se em um pedestal moral — o que nunca é…

Impressões (Apenas as Positivas) da Leitura da Série “Harry Potter”

Tenho a certeza de que alguns dos que lerão este texto se surpreenderão por sua simples existência, outros não entenderão sua razão de ser, mas os poucos que me acompanham há algum tempo logo entenderão todos os porquês. Já faz algum tempo que eu participo de debates literários nas redes sociais e a minha posição…

Bonitinha, Mas Ordinária — Um Filme que Explica o Brasil

Esta semana, na ressaca do feriado, assisti pela segunda vez um clássico de nosso cinema, baseado em obra ainda mais clássica de Nélson Rodrigues, o Anjo Pornográfico, nosso mais polêmico autor. Trata-se de uma obra que precisa ser melhor apreciada, embora o filme mesmo tenha envelhecido sob vários aspectos – e ainda que as polêmicas…

Os Oportunistas Atacam Novamente

Após a morte do ator e produtor mexicano Roberto Gómez Bolaños; criador dos personagens Chaves, Chespirito, Chapolin e outros menos conhecidos; a imprensa nacional ecoou uma série de elogios disparatados, que não condizem com a importância limitada do homenageado — que, malgrado seu apelido, não é nenhum Shakespeare moreno. Da mesma forma, surgiram artigos pretensiosos;…

Colonização Cultural – Um Debate

Anteontem começou uma longa discussão no Facebook sobre uma tal “colonização cultural”. O ponto de partida foi um “meme” do Dr. House (um ícone cultural do colonizador, vejam só) com a frase seguinte: É de se imaginar o furor que a frase provocou, pois ela ataca a jugular dos jovens escritores brasileiros, sem lhes deixar…

Desafio Entre Contos: Bruxas

Este mês o desafio de ficção promovido pelo site EntreContos me atraiu muito, por se tratar de um tema que sempre me fascinou: bruxas. Tão excitado eu fiquei que logo parti a escrever e, quando dei por mim, construíra “A Virgem do Sabá“, baseado em uma sinopse deixada por Clark Ashton-Smith. Infelizmente esta história ficou…

A Dama Pé de Cabra

> Conforme promessa antiga, eis minha primeira tentativa de transformar a antiga lenda portuguesa da Dama Pé de Cabra em um conto de terror ao gosto moderno. Preservei o tratamento em segunda pessoa para dar um ar medieval ao texto (que é, de fato, ambientado na Idade Média), e procurei evitar, ao máximo, toda modernização…

Porque Não Escrevo uma Trilogia

É recorrente o aparecimento de jovens que dizem escrever seu primeiro «livro», muitos até prometendo continuações ou declarando que a obra é (ou será) uma trilogia. Não conheço a qualidade destas obras e nem destes escritores, embora suponha, com razoabilidade, que as primeiras são compatíveis com a idade, a experiência de vida e o nível…

A Fila Não Incomoda

“A Fila Não Incomoda”: Um Manifesto Contra a Jornada do Herói e em Favor do Direito de Fazer Tudo Errado foi uma série de artigos que escrevi entre maio e junho de 2014, baseada em minhas leituras de alguns artigos críticos do conceito do monomito de Joseph Campbell. Estes artigos foram consolidados neste texto único,…