Desafio Entre Contos: Bruxas

Este mês o desafio de ficção promovido pelo site EntreContos me atraiu muito, por se tratar de um tema que sempre me fascinou: bruxas. Tão excitado eu fiquei que logo parti a escrever e, quando dei por mim, construíra “A Virgem do Sabá“, baseado em uma sinopse deixada por Clark Ashton-Smith. Infelizmente esta história ficou longa demais para o desafio e tive de escrever outra! Da segunda vez, mantive a inspiração no mesmo universo ficcional (de Lovecraft, Ashton-Smith e outros) e recorri temas extraídos de […]

A Perdição do Homem (Beatrix e Jeannelynne)

“Ó amiga e companheira da noite, ó tu que te regozijas no ladrar dos cães e no sangue derramado, que perambulas por entre as sombras entre as tumbas e trazes terror aos mortais! Gorgo! Mormo! Lua de mil faces, contempla favoravelmente os nossos sacrifícios”― H. P. Lovecraft (em “O Horror em Red Hook”) A porta se fechou e Beatrix suspirou o temporário alívio da primeira noite. Mas não se recostou para dormir, sabia-o impossível. Como recostar a cabeça em um travesseiro antecipando que o segundo […]

Suzanne, Cara ou Coroa

Acabo de saber pela internet que Suzanne Richthofen, presa há doze anos pela morte de seus pais, escreveu à Juíza de Execuções Penas que lhe autorizou o regime semi-aberto um pedido de adiamento de sua progressão de pena. O simbolismo do ato, em suas circunstâncias específicas, me tornou pensativo. São várias as camadas de perguntas que me apareceram ao julgar, mentalmente, o que pode andar pela cabecinha da moça. Eu quase tenho pena dela, daí me lembro que ela não cometeu um crime qualquer. Então […]

Técnicas Esquecidas de Escrita

> Em Homenagem a Sérgio Ferrari, do blog [Astromiau](http://astromiau.blogspot.com.br/2014/08/tecnicas-esquecidas-de-escrita.html). ## Dadaísmo Liquefeito Se o romeno Tristan Tzara recortava palavras do jornal para sorteá-las aleatoriamente e assim produzir poesia, o mineiro Walito Girão batia páginas de diários em um liquidificador, bem rapidamente, e depois despejava o emaranhado sobre uma cartolina. Tinha uma grande vantagem sobre o método dadaísta de Tzara, pois não apenas permitia descobrir inusitadas relações entre palavras, como também criava as mais estranhas relações entre letras e sílabas. A obra do extraordinário poeta ficou […]

A Heresia da Pizza Caseira

A pizza é um alimento dos deuses. Não digo isto porque seja excepcionalmente deliciosa, mas porque são necessários atributos (e equipamentos) verdadeiramente divinos para prepará-la. Equipamentos que só existem em templos sagrados onde vermelho e verde combinam. Tentar organizar um culto doméstico desta iguaria é um sacrilégio recompensado com desastre. A humanidade desenvolveu várias tentativas de retirar a pizza de seu caráter sacro e permitir o preparo profano, mas todas estas tentativas redundaram em vão. A menos que você tenha um sacerdote pizzaiolo na família […]

A Dama Pé de Cabra

> Conforme promessa antiga, eis minha primeira tentativa de transformar a antiga lenda portuguesa da Dama Pé de Cabra em um conto de terror ao gosto moderno. Preservei o tratamento em segunda pessoa para dar um ar medieval ao texto (que é, de fato, ambientado na Idade Média), e procurei evitar, ao máximo, toda modernização que violasse o espírito do original. Sendo assim, as personagens do sexo feminino são deixadas em segundo plano a ponto de nem terem nome. Esta versão, porém, expande a história […]

Redrum — Contos de Crime e Morte

A primeira **coletânea** de que participei em muito tempo, e “abre os trabalhos” com minha nova editora. Para esta coletânea, produzi um texto original chamado “A Noiva Liberdade”, que se baseia em uma ideia retirada de um poema de Castro Alves. Pelo conceito da coletânea, todas as histórias deveriam ser sobre crimes de morte, mas eu, para não cair no lugar-comum, inventei um tipo insidioso de crime, que dificilmente seria punido pela justiça dos homens. “Redrum” é uma palavra inventada por Stephen King, no romance […]

Minha Primeira Publicação

Aqui está escaneada a página de uma antologia poética publicada pela “Shogun Arte” (a primeira editora do Paulo Coelho”), contendo meu poema “Outonal” (um dos raros escritos naquela época que eu não modifiquei profundamente. Estas antologias poéticas eram um tipo de caça-níquel ainda mais vicioso que as editoras paga-e-publica de hoje, não só porque elas realmente publicavam qualquer coisa, mas porque cobravam caro. Naquela época eu não sabia ainda que poderia haver picaretagens no mundo, e alegremente paguei para que o meu texto tivesse uma […]

Mapas, Cartas, Diários e Outras Antiguidades

Ocorreu-me ontem, ao ler mais uma sinopse de romance, o quanto nós ainda estamos presos ao passado de formas que não percebemos. Os índios do Xingu tem um conceito que expressa bem isso. Segundo narrou Orlando Villas-Boas, quando ele e outros sertanistas acompanhavam os índios em caminhadas pela floresta, se os brancos forçavam muito o ritmo, os índios pediam para fazer uma parada. Depois de ver isso ocorrer várias vezes, perguntaram-lhes por que e os índios disseram que os brancos queriam andar muito depressa, mas […]

Depois de Ler Draccon, Reli “O Alquimista” e Achei Bom

Muitas vezes eu lia textos de jovens autores nas comunidades do Orkut, e mais tarde aqui no Face, e ficava espantado com o baixo nível de domínio da norma culta. Com o tempo me acostumei com a ideia de que a escola inclusiva e universal que existe hoje não consegue formar um usuário pleno do idioma no mesmo tempo de antes, em troca, ela leva mais gente ao fim do caminho. Respirei fundo e me conformei com isso, mesmo suspeitando que algo não somava 100% […]

O Rei [da Literatura Fantástica Nacional] Está Nu

A vaidade é um pecado, segundo o Eclesiastes, que reinou em Jerusalém. Pessoas contaminadas por ela cometem os maiores enganos sem perceberem que estão em equívoco, porque a vaidade produz a dissociação da realidade: o vaidoso perde a capacidade de realizar uma avaliação isenta do mundo. Talvez por isso queira se cercar de um séquito de admiradores. Não só porque a adulação reconforta, mas porque a vaidade se completa no elogio. O vaidoso faz é apenas um meio para ordenhar a simpatia desse séquito. Não […]